36 | Queres que lhe dê o tiro onde?

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B l a i r

Louis correu de braços abertos na minha direção como se não me visse há muito tempo. Para além de ter estado com Elaine na sexta-feira, pedira-lhe também para se encontrar comigo ontem, domingo, para me fazer o favor de deixar a minha mala no dormitório.

Segundo tenho conhecimento, a minha meia-irmã fora abordada com inúmeras perguntas, provenientes de Samantha, durante todo o tempo que estivera no quarto. A jovem loira que partilha o quarto comigo admitira-lhe que pensara que eu havia desistido da universidade pelas coisas que eu dissera no momento de melancolia e arrependimento dos meus atos, até eu lhe ter respondido à mensagem. Samantha estava realmente preocupada, segundo entendi.

A mala escorrera pelo meu ombro assim que o abraço acontece mas não estou realmente importada ou incomodada. Um pequeno sorriso é transparecido no meu rosto com o gesto de carinho e sou incapaz de me desfazer dele tão rapidamente. A ternura que Louis colocava no abraço estava a saber-me mesmo bem e, admito, a reconfortar-me.

"Eu pensava que tinhas saído da universidade. Blair, tu nunca mais me respondias às mensagens." Louis diz, num um tom carregado de preocupação

"Eu só as vi na quarta, acho." Desculpei-me, ainda que nem certezas relativamente ao dia em que o meu avô me informara sobre as mensagens.

"Eu estava tão preocupado, Blair!"

"Não tinhas nada com que te preocupar, a sério. Eu estou bem, olha só para mim?" Tento brincar com a situação dando-lhe um tom divertido e colocando um dos meus melhores sorrisos no rosto.

"És minha amiga, Blair, por isso, é mais que óbvio que me preocupo. E, quando a Sam me disse que tu tinhas desejado sair da universidade acreditei mesmo que a tua mãe te tinha deixado." Ele admite, finalmente desfazendo-se do abraço. No entanto, Louis continuava a acariciar o meu braço transmitindo-me uma sensação agradável e apreciativa.

"Eu gostava mesmo de ter saído mas ela não fora na minha conversa. Contudo, a minha mãe percebera que eu precisava de sair daqui ou, caso contrário, estaria muito mal mesmo." Eu digo-lhe referindo-me ao meu estado de espírito. Estou certa de que, caso tivesse ficado aqui o resto da semana, não conseguiria pensar claramente sobre o assunto. Ainda assim, sei que quando o vir a dor irá atacar com a mesma força com que anteriormente o fizera.

"Quem foi o filho da mãe? Queres que lhe dê o tiro onde?" Louis disse ainda que não soubesse de quem se tratasse. A Samantha, provavelmente, havia-lhe dito alguma coisa.

Nego com a cabeça, unicamente sorrindo do tom engraçado que ele usara. As gargalhas tão habituais em mim pareciam não querer aparecer neste local tão deprimente e nostálgico que é a universidade.

"Dá-me antes o tiro a mim."

Fecho os olhos quando os lábios doces de Louis tocam na minha bochecha. Ele é o rapaz perfeito para Samantha e tenho quase a certeza que eles sentiram algum tipo de interesse, ou atração, um pelo outro. Pela primeira vez na minha vida gostava que as atenções não estivessem todas focadas em mim. Gostava que os meus amigos não se preocupassem tanto pois, sinto-me mal em causar-lhes esta constante inquietação.

Os meus olhos abrem-se lentamente e logo notam um olhar misterioso e, ao mesmo tempo, medonho fixo em mim. O meu coração aperta e o sangue é bombardeado com mais impulso agora, ainda que eu não desejasse que isto acontecesse. O meu olhar é, quase automaticamente, desviado do seu e as minhas mãos logo se tornam mais escorregadias devido ao suor provocado pelo nervosismo. Resolvo acordar para a realidade e, por isso, seguir o rapaz moreno e alegre até ao interior da instituição, acabando por, consequentemente, passar por ele.

Toxic 》 malikLeia esta história GRATUITAMENTE!