Capítulo 1 - Casern

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1° de Agosto, 1914. Depois do assassinato do Arquiduque Franz Ferdinand do Emperio Austro Húngaro, o Emperio Alemão declara guerra a Rússia. Por causa das alianças estabelecidas, a França está se preparando para o conflito. Algumas horas depois de anunciarem a mobilização geral, cidadãos alemães que vivem na França foram conduzidos a deixar o país. Karl é um deles.

Karl morava na fazenda de Emile, seu sogro, junto com Marie, sua esposa e filha de Emile, e seu filho Victor, que nascerá à alguns meses. A época da colheita havia chegado, e naquele dia, como todos os outros, Karl fazia a colheita no campo. São avistados oficiais da Milícia francesa adentrando a fazenda. Karl os vê e não fica muito surpreso. Ele sabia muito bem porque estavam ali. Os policiais vieram o acompanhar para ser deportado. Sem muitas delongas, ele foi levado. A sua deixa comoveu todos. Sabiam que aquela guerra seria a mais devastadora de todas.

alguns dias depois, chegou a Emile uma carta de ordem de mobilização para o exército francês. A guerra estava faminta por mais, e levou Emile também.

Em 13 de Agosto de 1914, um melancólico Emile foi convocado para a luta, deixando a fazenda foi para Saint Mihiel. Assim como muitos outros, Emile não tinha idéia do destino que o aguardava.

Levado ao quartel do exercito, Emile e outros soldados passaram por um duro treinamento. Não poderiam perder tempo. A guerra estava próxima e logo todos deveriam estar no campo de batalha.

Enquanto partia com seu regimento para Paris, Emile enviou uma carta para sua filha.

" Querida Marie, Estamos a caminhos de Paris. A atmosfera aqui é estranhamente alegre. Espero que a colheita seja boa. Sempre conte com a ajuda dos nossos vizinhos. Eles sempre foram muito gentis e caridosos. Eu escreverei novamente assim que receber minhas ordens. Mande um beijo ao meu neto por mim. "

Na estação de trem em Paris, tentando alcançar seu regimento na plataforma 21, Emile conheceu o homem que em breve lutariam juntos. O homem que se tornaria seu verdadeiro amigo. Aquele homem estava sendo ridicularizado pelos outros soldados franceses por ser americano. Era chamado como Lucky Freddie. Emile era o único amigável com ele. Emile não se importava, pois de alguma forma sabia que ele era uma boa pessoa e que seriam grandes amigos. Mas antes que podessem se comprimentar devidamente, anuciaram a partida. Os dois se despediram esperando encontrar-se mais uma vez.

O regimento de Emile foi enviado para a luta contra a 71° divisão alemã liderada pelo Barão Von Dorf. A alegria geral nas primeiras horas dissipou-se com o medo após o primeiro combate.

21 de Agosto, 1914.O regimento de Emile chegou a Crusnes, onde o objetivo era avançar e consquistar a fronteira. O capitão tomou frente ao esquadrão em marche. Atrás dele vinha Emile que levava consigo a bandeira do regimento, acompanhado pelos soldados. Assim que o capitão avista a fronteira, ele dá a ordem para o avanço imediato e junto com ele todos partem em disparada. Do outro lado da fronteira estavam os soldados de Von Dorf, que para o azar do regimento francês, possuiam morteiros e metralhadoras.

Sem qualquer receio, os soldados franceses continuaram a avançar rapidamente enquanto eram massacrados pelos morteiros. Emile seguia adiante também, logo atrás do capitão. Emile estava focado em seguir em frente, mesmo vendo seus companheiros mortos pelo caminho, ele não deixaria seus sacrifícios em vão. Emile retoma o foco quando em um instante vê seu capitão ser atingido por um morteiro a sua frente.

Emile agora tomava a dianteira. O número de soldado em seu regimento tinha caído mais da metade. Eles já estavam bem próximos da fronteira. Os alemães posicionaram as metralhadoras. Com a chuva de balas e bombas, corpos caiam e ficavam pelo caminho. Aquele era definitivamente o fim do regimento, um terrível massacre. Emile logo percebeu que não havia ninguém avançando com ele. Todos ficaram para trás. Emile, levando com sigo apenas a bandeira francesa e sem diminuir o ritmo, sozinho em meio ao campo de batalha, não pensava nenhum segundo em recuar.

Franco-atiradores se posicionaram, e disparam as ultimas balas daquele confronto. Emile foi atingido e caiu. A batalha terminou. O tempo havia fechado e logo começou a chover.

Do outro lado da fronteira, um soldado alemão da divisão viu essa última cena. Ele havia reconhecido o soldado francês que carregava a bandeira e fora alvejado. Esse soldado era Karl.

Dias depois, Marie recebe uma carta do exército francês:

"Senhora Marie Chaillon, O soldado Emile Chaillon, do 150° Regimento de infantaria, foi atingido por fogo inimigo no dia 21 de Agosto. Ele foi capturado pelo inimigo. Mas esperamos receber notícias dele logo."

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