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Pen Your Pride

Cap. 12 - Feriado

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Surpresaaaaaaa! Capítulo bem adiantado e amanhã tem bônus... O natal acabou mas o espírito natalino ta em mim até hoje, presentinho pra vocês, meus caros leitores... Estrelinhas?

Acordei com alguém pulando na minha cama.
- Lucas - disse baixinho, ainda de olhos fechados, e sorri. Como é bom estar em casa
- Acooooooorda Lis! - Ele gritava
- Bom dia feio!!! - Disse, sentando na cama e o enchendo de cosquinha
- Bom dia feiosa. A Nati disse que está vindo pra cá! - disse ao meio de gargalhadas.
Lembrei do que tinha combinado com Natália. Ir ao cemitério.
Levantei e entrei no banheiro. Era feriado, estávamos em uma sexta feira.
Comi o bolo de laranja que Cida tinha feito para mim. Meu preferido.
Ouvi a buzina do carro da Natália. Dei um beijo na testa do meu irmão, que estava deitado no sofá vendo TV:
-Avisa pra mamãe que sai com a Nati. E não vou chegar para o almoço
- Ta bom - ele respondeu - Vê se volta cedo
Ri do desespero do Lucas. Ele era capaz de sair correndo atrás do carro da Natália caso eu não concordasse em chegar cedo em casa. Estávamos passando muito pouco tempo juntos.

- Oi Lis! - Ela disse, quando entrei no carro
- Oi Nati!
Natália era, sem dúvidas, a mulher mais bonita que já vi na minha vida. Seu cabelo era loiro natural, e tinha olhos verdes cor de menta. Era 5 centímetros mais alta que eu. Sim, ela era a loira mais linda do mundo. E a melhor amiga do mundo também.
Fomos todo o caminho até o cemitério falando sobre o internato e sobre o meu namoro. Ela ficou mais entusiasmada que eu.
Natália estava feliz. Tinha passado na UFMG em jornalismo, o curso no qual ela tanto sonhava.
Chegar no cemitério me trouxe muitas lembranças. Como quando o vovô foi enterrado, e Thiago disse: "parece que quando alguém que você ama morre, leva uma parte sua com ele". Parece não Thiago, a pessoa realmente leva uma parte sua. Você levou uma minha, uma da mamãe, uma do papai, e principalmente, uma parte da Natália.
Deixei Nati sozinha um pouco, e caminhei até o túmulo do meu avô. Fiquei um pouco lá, apenas revendo as lembranças, das brincadeiras, dos momentos e da casa da árvore.
Um tempo depois, não sei se foram poucos minutos ou muitas horas, Natália me deu espaço para conversar com meu irmão.
O túmulo do meu irmão era uma pedra, escrito "Thiago Belcar Fonseca". Uma foto do meu irmão com aquele sorriso maravilhoso, que foi tirada por mim no 17º aniversário dele. E uma frase escrita por ele "Quando a tristeza dominar no seu coração, sorria. Sorria pelos momentos bons, pois eles fazem parte da sua história. E sorria pela sua tristeza, pois um dia ela te levará a novos momentos bons."
- Oi Thiago - falei - Aconteceu tanta coisa... - respirei fundo e comecei a falar - Papai não dá mais notícia. Não que eu esteja interessada na vida dele. Lucas esta cem por cento. Continua sendo impossível de identifica - ló como seu irmão, ou como meu irmão. O ingrato continua loiro. Mamãe está namorando. O colégio interno não é tão ruim assim. - respirei fundo e lembrei dos ataques de ciúme do meu irmão - eu estou namorando. Pronto, falei! Ele é lá do colégio. Todo mundo fala para eu tomar cuidado com ele, mas ele é filho do diretor, não acho que ele possa fazer alguma maldade. - de repente, olhei para Natália. Ela estava bem lá na frente, olhando para o chão - Mas estou preocupada com a Nati. Sabe mano, você sempre foi para ela o irmão que o Otávio não foi. E quando ser amigo não foi suficiente, você virou o namorado dos sonhos. Thiago, qualquer um que olhava para vocês dois juntos era capaz de perceber que vocês foram feitos um para o outro. No começo, fiquei feliz porque a Natália não foi atrás de outro namorado. Ia ser estranho ver a alma gêmea do meu irmão com outra pessoa. Mas já se passaram dois anos, Thi... E até hoje ela não beijou ninguém. E com "ninguém", eu me refiro a ninguém literalmente, porque se ela tivesse pegado algum cara, como melhor amiga eu saberia. Ela já tá com 19 anos, e eu realmente estou preocupada... - respirei fundo. Hora de mudar de assunto. - Sabe Thiago, eu lembro de quando você dizia que eu vivia no país das Maravilhas... Você não sabia o tanto que isso me irritava, até porque eu odeio a Alice. Mas hoje eu entendo que você não se referia ao filme, e sim a minha vida como um todo. Eu realmente tinha um mundo maravilhoso. Tinha os melhores irmãos do mundo, e vivíamos em uma harmonia inexplicável. Papai e mamãe eram um casal de filme americano. Tinha a Natália, Cecília e Gustavo, que eram os melhores amigos do mundo... Não tinha do que reclamar, mas sempre fui uma idiota que vivia resmungando da própria vida. Depois que você morreu, papai e mamãe nunca mais foram os mesmos. Lucas adoeceu, e ai depois tudo desmoronou. As vezes eu penso que se o papai voltasse para casa, voltaríamos a ser uma família normal e feliz de novo. Mas ai eu lembro que você não vai voltar... - Senti as lágrimas começarem a brotar - Porque eu te perdi pra sempre, grandão...
Levantei e andei até Natália. De repente, vi alguém se levantando do chão, em um túmulo próximo. A garota ruiva enxugou as lágrimas e olhos para os lados. Para tudo. Garota ruiva. RUIVA. AMANDA!
- Mandi - gritei
Amanda corou e olhou para trás
- Oi Ali - ela disse, quando chegou perto de mim, dando um sorriso amarelo e me abraçando
-Natália, essa é a Amanda, lá do colégio - apresentei
- Oi, prazer! - Nati falou, tímida como sempre
- O prazer é meu.
Olhei em volta. Aquele túmulo lá na frente era familiar. Sempre passava na frente dele com Thiago, e ele comentava : Tadinha dessa tal de Ayla, morreu com 6 anos. Arrepiei.
- An... Mandi - disse, meio tímida - Você veio visitar alguém em especial? - arrependi de ter feito essa pergunta quando vi Amanda corar
- Alguns familiares... E você?
- Também... - se ela não queria falar que veio visitar a irmã (sabia que eram irmãs por causa do sobrenome Falcone Russo no túmulo), também não iria contar que vim visitar o meu.
Eu e Nati chamamos Mandi para almoçar com a gente no shopping. Ela aceitou, e depois do almoço ela disse que iria para casa. Queria conversar com Amanda... Sabia que aquele túmulo era da irmã dela, não iria forçar a barra, só queria saber do que se tratava aquela morte... A convidei para ir para minha casa, passar o resto da tarde lá. Ela acabou aceitando o convite.
Natália nos deixou em casa e foi para a casa dela.
- Eu disse pra você voltar cedo! - disse a versão brava do Lucas, que estava na porta da sala assim que eu a abri
- E eu voltei cedo! São três da tarde, Lucas! - disse, rindo
- Você perdeu o almoço!
- Eu avisei que não chegaria para o almoço! - abracei meu irmãozinho
- Cadê a Natália? - ele perguntou, olhando para a Amanda
- Nos deixou aqui e foi pra casa. A propósito, essa aqui é a Amanda, minha amiga do colégio...
- Oi Amanda, sou o Lucas - ele se apresentou
Cumprimentei minha mãe, que estava de short e camiseta vendo TV. Eu e Mandi subimos para o meu quarto, ignorando o drama do Lucas, que queria companhia para nadar.
Amanda entrou no meu quarto e ficou analisando as fotos no meu mural. Viu que tinha fotos dela, mas ficou muito atenta as fotos minhas com Lucas e Thiago.
- Ali... - Ela disse, olhando para mim, que estava sentada na cama - Quem é esse menino com vocês em todas as fotos? Pensei que você só tivesse um irmão
- Vem cá - eu disse, a convidando para sentar do meu lado - Esse ai era o meu irmão mais velho, o Thiago. Éramos muito unidos. Eu, ele e a Natália brincávamos juntos desde pequenos. Ele era alto, e muito parecido comigo. Mas a personalidade dele era parecida com a do Lucas. Na verdade a do Lucas que parece com a dele. Era um cara sorridente, feliz e muito confiante. Ele e Nati tinham acabado de completar um ano de namoro quando o ele resolveu viajar com os amigos para a Serra. Ele foi dar um mergulho lá na cachoeira do Véu da Noiva, e bateu a cabeça e morreu. Foi há dois anos atrás...
- Poxa... Não quis te contar quem eu fui visitar no cemitério, mas agora acho que vou te contar... Promete que vai guardar segredo?
- Claro, Mandi!
Amanda me contou dos seus irmãos que morreram há seis anos atrás. Sobre seus pais terem a largado, e sobre sua irmã ter colocado o nome dos irmãos nos filhos. Era uma história muito triste, mas o incrível era que Amanda continuava sorrindo acima de tudo... Ela era, realmente, uma ótima pessoa. Ela me contou que ninguém sabia disso. Todo mundo do internato acha que Amanda é adotada. Mas na verdade, só o diretor sabe que na verdade os supostos "pais" são a irmã dela e o cunhado. E Ayla e André são sobrinhos. E eu, a primeira a saber a verdade.
No sábado, Lucas me acordou pulando na minha cama. Ele aprendeu com Thiago, os dois me acordavam assim todo fim de semana.
- Lis acordaaaaaaaa!
- Bom dia, pirralho - eu disse, olhando para ele que abriu aquele sorriso lindo
Depois de muita imploração da parte do Lucas, levei ele para tomar sorvete, fomos ao cinema e depois nadamos. Quando o sol já estava se pondo, fomos para a casa da árvore, como fazíamos todos os dias.
Ainda era estranho estar naquela casa sem o Thiago. Principalmente nos momentos em que ele gostava de se reunir lá. a essa hora, ele normalmente pegava o violão e tocava algumas musicas dos Beatles.
Tomei coragem e peguei o violão. E pelo meu passado, e pelo Thiago, toquei Yesterday, dos Beatles.

Yesterday
The Beatles

Yesterday
All my troubles seemed so far away
Now it looks as though they're here to stay
Oh, I believe in yesterday
Suddenly
I'm not half the woman I used to be
There's a shadow hanging over me
Oh, yesterday came suddenly
Why he had to go I don't know
He wouldn't say
I said something wrong now I long
For yesterday
Yesterday
Love was such an easy game to play
Now I need a place to hide away
Oh, I believe in yesterday
Why he had to go I don't know
He wouldn't say
I said something wrong now I long
For yesterday
Yesterday
Love was such an easy game to play
Now I need a place to hide away
Oh, I believe in yesterday

Tradução:
Ontem
Todos os meus problemas pareciam tão distantes
Agora parece que eles vieram pra ficar
Oh, acredito no ontem
De repente
Não sou metade da mulher que costumava ser
Existe uma sombra pairando sobre mim
Oh, ontem veio de repente
Porque ele teve que ir eu não sei
Ele não disse
Eu disse algo errado agora eu espero
Pelo ontem
Ontem
O amor era um jogo fácil de se jogar
Agora preciso de um lugar pra me esconder
Oh, acredito no ontem
Porque ele teve de partir eu não sei
Ele não disse
Eu disse algo errado agora eu espero
Pelo ontem
Ontem
O amor era um jogo fácil de se jogar
Agora preciso de um lugar pra me esconder
Oh, acredito no ontem
Composição: John Lennon / Paul McCartney

Lucas foi para casa assim que o sol terminou de desaparecer. Eu fiquei lá na casa da árvore, olhando pela janelinha, aquele fim de tarde.
As vezes eu realmente preciso do ontem para viver o hoje. Não gosto de falar sobre o Thiago, mas ele foi muito presente naquele feriado. Eu sei que hoje ele está em algum lugar mais bonito que aqui, e está feliz. Mas eu me arrependo de tudo de errado que eu fiz, de tudo que impulsionou algumas brigas. Não sei porque ele teve que ir embora, ele não disse. Mas hoje eu pertenço ao ontem, porque metade de mim pertence ao meu irmão... Espero um dia ter essa metade de volta, e aprender a sentir só saudade.

A força do sentirLeia esta história GRATUITAMENTE!