1 - Vidro

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Olá! Aqui é a Byzinha, escritora desta história. Agora, "As coisas que nos escolhem" está em pré-venda e será publicada oficialmente em abril, então os capítulos foram removidos, exceto por este, que está em degustação para você sentir mais ou menos como será a história.

Este é o primeiro rascunho, então a versão oficial provavelmente estará diferente. Mas já dá pra ter uma ideia de quem são nossos protagonistas pelo capítulo 1.

Caso tenha interesse em comprar o livro oficial, a primeira pré-venda é via catarse ou diretamente comigo com direito a recompensas digitais e físicas. O link está no meu perfil, e estará disponível até dia 20 de março. Depois disso, só será possível comprar pela Amazon.

Boa leitura e espero que goste!


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Wanessa

Começou com um vidro. Quer dizer, mais ou menos. Mas se for pra resumir, começou com um vidro.

Eu explico.

Meu pai, Luciano Coimbra, tinha 23 anos, estava no último ano da faculdade e era coprodutor da banda MARCHA quando o vocalista e o baixista se envolveram num acidente de carro na zona sul (eles não causaram o acidente, só foram vítimas dele) e é por isso que ele foi parar num hospital de Santo Amaro na madrugada em que agosto virava setembro.

Enquanto esperava por notícias dos seus artistas — o baixista precisou de cirurgia —, meu pai resolveu "explorar o hospital", como ele costuma dizer. Na época, ele ainda não era meu pai, mas estava perto de ser porque ele foi parar no andar da maternidade e o tempo que levou para ler uns cartazes do mural foi suficiente para uma enfermeira o parar e fazer um monte de perguntas.

Inclusive perguntar se ele teria interesse em ser voluntário na sala dos recém-nascidos.

Foi aí que entrou o vidro.

O vidro da maternidade através do qual meu pai olhou para os bebês que tinham acabado de chegar e me viu sozinha num berço duplo.

— Essa pequena precisa de amor extra. — Ele disse que a enfermeira disse. — A mãe deixou pra adoção.

E pra falar a verdade, meu pai disse que na época não queria adotar nada, nem planta. Ele estava no começo da carreira e dois quintos da sua banda estavam internados, não havia espaço pra cuidar de uma criança. Mas ele topou ajudar com aquela parada de ficar com o bebê no peito pra ele aprender a respirar e tal, enquanto tivesse que ficar no hospital.

Ele falou, "Eu fico com a pequena hoje, então", mas acabou que ficou comigo pra sempre. Me ensinou a respirar através do contato, me alimentou, me deu nome. Wanessa. E virou meu pai, tudo isso no tempo do tio Yarlei ser operado e sair do hospital.

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Chega de flashback.

Chega, porque a vida com meu pai e com os meus tios da MARCHA era bem básica para os nossos padrões. Nossa família de sangue era pequena — papai, vovó e eu — mas podíamos contar uns com os outros, e agora os tios também estavam começando a ter suas famílias, então sempre tínhamos algo diferente a fazer.

As coisas que nos escolhem [DEGUSTAÇÃO]Onde as histórias ganham vida. Descobre agora