— Vocês estão acumuladas na porta por motivo de quê? — perguntei franzindo a testa, e Nathy me puxou pelo braço para me mostrar o Tal Menino Novo sentado ao lado da janela um pouco mais pro fundo da sala. Franzi a testa tentando entender o motivo do reboliço. Quer dizer, era só outro menino padrãozinho, não é que fosse novidade. — O ponto?

— Qual é, Nessa! — Nathy protestou. — A gente não tinha combinado de pegar os lugares da janela?

As turmas do ensino médio ficavam no 4° e 5° andar da escola, e a vista da janela era a melhor, por isso queríamos aqueles lugares. Na verdade eu nem fazia tanta questão de sentar à janela, porque ninguém se distrai com bobagem mais do que eu, me conheço, então eu meio que nem tava ligando pra essa parada dos lugares. Além do mais, se sentasse as quatro em fileira, ficaria mais difícil de conversar, era tudo uma questão de geografia.

— To vendo um monte de lugar vago.

Atrás de mim, Milena suspirou frustrada.

— Mas se a gente entrar e pegar esses lugares, — Mili disse em tom explicativo. — Vamos ter que conversar com ele logo de cara.

Me virei para olhar pra ela com a testa franzida.

— Não é exatamente isso que você quer? — Perguntei. Milena era a predadora da turma, falar com macho nunca tinha sido problema pra ela. Não fazia nenhum sentido ela estar tímida logo agora.

— Ele é tão bonitinho, eu to com vergonha. — Ela se explicou e eu levantei as sobrancelhas. Mili fez bico. — Você não entenderia.

Olhei de novo pro Menino Novo. Ele tinha cabelo preto e liso, meio comprido cobrindo parte do rosto. Estava de cabeça baixa, concentrado em mexer no celular. Devia ser algum joguinho pela agilidade dos seus dedos, eu bem sabia que de vez em quando dava alcance no ginásio da pichação do outro lado da rua.

Mas no que se tratava da aparência dele, continuei não entendendo, Milena tinha razão. Entender homem não fazia parte do meu vocabulário de qualquer forma. Enfim. Como eu não tinha nada a ver com isso, entrei na sala e fui diretamente para o lugar que eu queria, terceira carteira da segunda fileira da janela pra cá, que calhava de ser a carteira ao lado da dele. Bisbilhotei o que ele jogava e confirmei minha suspeita do Pokémon GO. Parecia que ele era time Instinto, então de cara ele já ganhou uns pontinhos comigo.

Inabalável, deixei minhas coisas na carteira que eu queria e me direcionei a carteira em frente à dele, sentando de lado para cumprimentá-lo. Parte de mim processou os protestos das minhas amigas, mas não liguei. Elas estavam sendo tontas, então não deveriam ser levadas em consideração.

Só então que o Menino Novo olhou pra mim e pude reavaliá-lo. Acho que eu podia dizer que ele era bonitinho. Definitivamente tinha as bochechas mais fofas que eu já tinha visto, tenho que admitir. Ele com certeza tinha algo asiático no sangue, como eu, o que — considerando o quão próximos estávamos do show do KARD — fazia o rebuliço por causa dele ser um pouco mais compreensível; seus olhos eram castanho escuro e seu sorriso era tímido. Ele parecia ser bem alto, mesmo sentado, e suas mãos eram enormes. Por um momento, ele pareceu confuso ao me ver, talvez estivesse me analisando como eu o analisava, mas também não hesitou em retribuir meu sorriso.

— Oi. — Cumprimentei. — Meu nome é Wanessa, vou sentar ali.

Ele deu uma olhada pra carteira que apontei e fez que sim com a cabeça.

— Daniel. Vamos ser vizinhos, então.

— Yep. Preciso que você me responda algo honestamente. — Solicitei na seriedade já indo direto ao assunto e ele pareceu igualar minha vibe. — Você morde?

As coisas que nos escolhemOnde as histórias ganham vida. Descobre agora