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um ano depois

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um ano depois

Não me sentia bem.

Abri os meus olhos após um longo tempo pensando se deveria, eu necessitava, mas não queria. Respirei fundo e senti o cheiro de mofo invadir as minhas vias respiratórias. Neste momento, eu não sabia se esse cheiro era meu ou do quarto onde me encontrava. Não havia motivos para tentar descobrir, era apenas mais um dia. Me sentei na cama e tentei recuperar a minha postura, o que seria difícil. Isso acontecia todos os dias, e, todos os dias eu procurava por motivos para levantar da cama.

Nos últimos dias e meses, apenas vegetei pela terra. Em mim, nada queria ser autónomo e até respirar se tornou uma tortura. Não me sentia bem e o mundo não conseguia ver isso, aprendi a disfarçar a minha dor com sorrisos e ninguém notou a falsidade em mim. Será que ninguém saberia quando eu estaria no fim? Será que o meu fim chegaria sem telespectadores?

A minha mente tentava me pregar peças e o meu coração foi estúpido ao ponto de acreditar. Me sentia presa em um pesadelo e quanto mais tentasse acordar, mais sombrio tudo ficava. Os monstros não viviam em baixo da minha cama, eles dormiam ao meu lado, me abraçando junto com a solidão. Estes monstros, eram a minha única chance de sobrevivência. Eles me lembravam que eu poderia desistir quando quisesse.

A minha rotina mudou, não era como eu queria, mas sim o que as pessoas esperavam de mim. Acordava todos os dias e seguia trabalhando, cuidando de tudo para que nada desse errado. O mundo estava errado, mas eu não podia enfatizar isso, seria loucura. Ninguém acreditaria que alguém que sorri durante todo o dia, esteja sofrendo. O sofrimento só pode ser sentido em pessoas que demonstram isso, os que escondem, não possuem nenhum direito.

Eu queria mudar, queria recuperar a minha vontade de viver e seguir feliz. Mas isso não era possível, não podia voltar atrás e não podia esquecer tudo o que sentia dentro de mim. O meu vazio tinha nome e ele não estava completo, ele nunca ficaria completo. Outro suspiro aflito ecoou no quarto vazio e escuro, me tornei aquilo que tanto temia.

Uma alma vazia.

Kim Namjoon se foi e com ele, tudo. Acreditei que a sua viagem seria breve e que o teria em meus braços, mas isso não aconteceu. Após dias, senti que ele não voltaria mais e que eu, estava presa com suas memórias. Lembro de chorar incansavelmente, de sentir que o meu peito seria aberto pela dor e que não conseguiria viver. Como eu podia sentir isso por alguém que mal conhecia?

A verdade é, desde que ele se foi, eu o conheci melhor. Passei um bom tempo sentindo saudades daquilo que ele era, de todos os momentos que vivemos e de todos os sorrisos, que mesmo fracos, dei ao seu lado. Descobri que queria conhecer a sua história e que mal podia esperar para saber como tudo mudou e como mudou, mas ele não voltou para me contar. Apenas as suas memórias ficaram.

Kim Namjoon era apenas uma memória em minha mente, nem mesmo os seus funcionários pareciam se lembrar da sua presença. Ninguém parecia sentir a sua falta, apenas o meu coração sofria incansavelmente sem a sua presença. Isso era o que estava acabando comigo, não saber o quão estúpida eu fui por acreditar que ele voltaria para mim.

Purity | Kim NamjoonOnde as histórias ganham vida. Descobre agora