⊱Capítulo I

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⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀Em meus sonhos, o casamento seria algo a ser apreciado, feito com paciência e sentimentos mútuos, mas fora daquele cenário utópico, a verdade me atingia como a neve em uma dia frio.


⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀Ela está usando um vestido simples, de um tom claro de rosa, seus cabelos loiros estão cobertos por um lenço de mesma cor, e vejo que está claramente desconfortável, só não sei ao certo se por minha presença ou pela presente situação.

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀Seu perfume me lembra melancias, e ela é como um dia quente de verão, com olhos de um tom escuro de castanho, me observa assinar o contrato de nosso casamento, que beneficiava mais a sua família que a minha.

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀Ela é repreendida por um homem de vestes escuras, e olhos atentos, possivelmente analisando cada cláusula lida e relida centenas de vezes, com certeza, estava mais feliz que a sua filha, Amelia.

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀Amelia Montesinos morava com o pai na cidade Castlehill, próximo ao que se pode chamar de centro da cidade, ao que comentavam, perdera a mãe quando era bem pequena, de quem herdou a aparência delicada. 

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀Acaricio meu anel do dedo médio da mão direita, uma herança da família Lourenço, uma das muitas coisas que foram passadas hereditariamente. Ela ainda me observa, sei porque posso sentir seus olhos sobre mim a todo minuto. Eu jamais faria mal a ela, nem nas piores hipóteses ou pesadelos mais horríveis que pudéssemos vir a ter.

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀Ninguém havia nos deixado ficar a sós, e logo imaginei que ela estivesse por trás disso, talvez quisesse me acusar de inúmeras coisas, sanar sua curiosidade acerca dos boatos que percorriam a pequena e mal informada Castlehill.

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀A família Lourenço era conhecida e possivelmente, até temida pelos habitantes, que insistiam em considerar nossa rara doença como um sinal de que fossemos feiticeiros ou até mesmo vampiros, mais uma das coisas transmitidas hereditariamente, uma alergia ao sol.

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀Desde criança, tive que me acostumar com a pouca luz, e me entreter com os lugares que moramos, posteriormente, com o palácio das colinas, visitando a parte externa apenas quando os raios solares não podiam atravessar as nuvens, e em meio a tudo isso, me preparar para continuar com o Império Lourenço.

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀O primeiro passo estava ali, bem à minha frente, com uma expressão odiosa e de tédio e os braços cruzados, que apesar da aparência delicada aparentava um temperamento embasado na irritação. Dentre tantas que poderia escolher ou simplesmente deixar que me escolhesse, justo aquela cujo melhor sonho que tivera comigo, fora eu sendo empalado.

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀O senhor Montesinos apertou minha mão, parecendo surpreso com a frieza da mesma, apesar do dia ameno, murmurou um ❝até semana que vem❞, e saiu, sendo rapidamente seguido por ela.

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀– Tchau, conde Lourenço. – diz, sem nem mesmo olhar para trás.

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀De volta ao palácio, aconchegado em minha biblioteca, degustava de um vinho tinto, enquanto pensava. Dizem que o amor costuma ser paciente, que ele sempre irá curar e complementar. Grandes verdades ou quem sabe, nem tanto.

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀O fogo na lareira crepitava, mais um costume do que uma necessidade. O calor me mantinha calmo, concentrado, às vezes até reflexivo, eu costumava precisar de momentos assim, quase sempre.

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