Capítulo 7

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O soco não desferido, o beijo dado, e tudo que não foi dito. Izuku conseguiu a proeza de cometer três grandes erros seguidos em questão de minutos. Ele deveria ter finalizado aquela luta com um soco, ia doer, mas ela aguentaria. Ele não deveria ter beijado-na, foi bom, incrível... e errado. Mas o pior mesmo foi o que ele disse, ou melhor, não disse.

O rapaz deveria ter dito que não, não queria lutar com ela inicialmente, aceitou porque queria deixá-la contente, mas conforme o duelo se desenrolou, ele foi tomado por uma gana de vencê-la, de mostrar que é páreo pra ela em combate físico com ou sem individualidade, qualquer uma delas, ver naquele par de olhos castanhos magníficos o reconhecimento dela, a admiração... que ela o visse como ele a vê, porque a verdade é que Izuku... realmente ama a Uraraka, ama tanto que sente suas entranhas se contorcerem sempre que pensa naquele fatídico dia há três semanas quando ele foi do céu —  os lábios dela — ao inferno — a expressão de resoluta decepção de sua amiga em poucos minutos.

Izuku é trazido de volta com um chute do Kacchan em seu joelho, e se dá conta de que o All Might o olha com uma expressão consternada, ah não! Ele se distraiu de novo, tem sido assim nos últimos dias, o garoto sempre teve uma mente acelerada e inquieta, mas desde o infortunado beijo, ela parece sempre voltar a isso e não largar até que o desconforto se torne físico. Nas aulas ele até se concentra se não ficar imaginando que ela está lançando olhares furtivos na direção dele... aargh! Por que a Uraraka se senta lá atrás e ele na frente? Seria mais fácil se fosse o contrário, Izuku poderia olhá-la, checar se ela parece bem sem ter que encará-la —  pois isso tem sido meio difícil também. Mas fora das aulas, ele sempre se distrai pensando em todos os cenários diferentes que poderiam ter acontecido naquele dia, e se ela tivesse vencido? E se não tivesse beijo? E se ele tivesse se explicado direito? E se...? E se...?

—  Midoriya-shounen, você está bem?

—  S-sim, All Might, perdão! Você dizia? —  a situação é tão crítica que suas reuniões mensais com o All Might e o Kacchan para discutir seu progresso na liberação das individualidades, algo que Izuku sempre gosta e anseia por fazer, não consegue mantê-lo focado o bastante.

—  Estou preocupado com você, jovem. Aconteceu alguma coisa?

—  N-não! Tá tudo bem, eu... eu...

—  Mentiroso da porra. —   o Kacchan resmunga — Até as árvores da U.A. sabem que você tá igual cachorro abandonado por causa da Cara de Lua.

—  Quem é Cara de Lua? —  o All Might pergunta, confuso.

—  O nome dela é Uraraka, Kacchan, e você sabe.

—  Oh... a Uraraka-shoujo? Ela é uma jovem formidável! Tem um controle da técnica impressionante e é muito engenhosa.

—  É, e brigou com o idiota aí, por isso ele tá com essa cara de cu.

—  K-Kacchan!

—  Brigou ou não? —  o loiro o olha incisivamente.

—  S-sim, mas... —  ele murmura — Como você sabe disso?

—  Como eu não ia saber? Ficam os dois bobões de risadinha pra lá e pra cá, aí do nada nem se olham na cara, a Uraraka tá até almoçando na minha mesa com a Rosinha e os idiotas alguns dias, todo mundo percebeu, porra.

—  Oh... mas brigaram? O que aconteceu? —  Izuku se contorce todo em nervosismo, nunca na vida dele que poderia imaginar que estaria falando sobre ter brigado com a garota que gosta para seu maior ídolo, isso é tão surreal! —  Acho melhor você falar, é claramente algo que está te incomodando muito, se se abrir sobre isso, talvez se sinta melhor e consiga se concentrar. — o eterno Símbolo da Paz sugere com um sorriso paternal.

Na ponta dos dedosOnde histórias criam vida. Descubra agora