Nazistas Atômicos

12 1 0
                                                  


Bastaram três bombas atômicas nazistas para mudar o rumo da História em 1944. Uma detonada sobre Londres usando-se uma V-2. Outra sobre Moscou, despejada por um bombardeiro convencional. Finalmente, outra levada a bordo pelo famoso submarino U-552 para o porto de Nova York.

Hitler blefou que possuía outras bombas, e os aliados pararam momentaneamente o avanço sobre a Alemanha. As bombas atômicas do Projeto Manhattan ainda não estavam prontas, de modo que os aliados precisavam ganhar tempo. Mal sabiam que as três bombas de Hitler eram únicas (embora o mesmo estivesse ativamente construindo outras). E ninguém sabia que as bombas e planos de engenharia vinham do século XXI, em que neonazistas usaram o sino para viajar no tempo. Ninguém soube também que tal desastre foi culpa minha.

Não entendo por que as pessoas chamam o Berço de Sino Nazista. Ele não tem o formato de um sino, é mais parecido com a Máquina do Tempo de H. G. Wells, mas com uma cúpula de vidro, maior por dentro do que por fora, para caber mais pessoas. Ou mesmo um Berço gigante vitoriano. Em todo caso, isso é um detalhe insignificante. O que realmente importa é que tudo realmente foi culpa minha, pois deixei neonazistas brasileiros capturarem o Berço, o que finalmente levou à criação de uma nova linha do tempo onde os Nazistas poderiam ganhar a Segunda Guerra mundial.

Como relatei em meu último livro, usei o Berço para viajar para Marte e, com ajuda de meus filhos e genros, destruí a base de discos-voadores e Zepellins, os charutões, que ali estava sendo construída. No entanto, nesse meio tempo, neonazistas localizaram minha mansão em Jardinópolis-SP e a atacaram com Panzerfausts (granadas-foguete), destruindo-a inteiramente.

Eu deveria ter fugido imediatamente, pois o local já não era seguro. Em vez disso, permaneci morando na caverna onde estava meu computador quântico e o estacionamento do Berço, imaginando que os neonazistas não haviam detectado aquele refúgio. Vã ilusão a minha. Não demorou três semanas para que comandos nazistas invadissem o complexo e roubassem o Berço. Meu mordomo Alfredo lutou bravamente com as modernas armas ali disponíveis, quase dando a vida para defender a caverna. Infelizmente, eu não estava presente para ajudá-lo: com arrependimento reconheço que ir a um banquete filantrópico em prol da defesa de morcegos em perigo de extinção não era prioridade naquele momento.

oooOOOooo

Os neonazistas aparentemente ainda não possuem as três bombas e os planos de construção, de modo a poder viajar para 1944 para ajudar Hitler a virar o rumo da guerra.

Isso eu deduzo porque, felizmente, eu coloquei um GPS localizador no Berço, que me revelou que a base nazista é em Santa Bárbara do Oeste-SP. O Berço ainda não viajou para o passado, mas isso precisa ficar claro: ao contrário de tantos filmes e livros de viagens do tempo, uma trilha temporal nunca muda devido à uma intervenção no passado. O que acontece é que as funções de onda se dividem e se cria uma outra trilha, que eu posso acessar com meu computador quântico. Então, o cenário que descrevi sobre a vitória nazista acontece em Terra-39b (eu habito Terra-39a). Mas isso não importa, eu me sinto culpado por condenar as pessoas de Terra-39b à uma tirania infindável.

Curiosamente, os neonazistas não viajaram para 1941, quando Hitler estava vencendo a guerra na Europa, mas sim 1944, quando a guerra estava praticamente perdida. Verifiquei que isso tinha a ver com uma transição de fase de primeira ordem, tipo uma cerveja super-resfriada que se congela por causa de uma perturbação. Sim, como todos sabemos, o espaço-tempo também vai ficando sólido, não permitindo modificações, a partir de uma frente de onda temporal, a fronteira do presente. Meu tempo, minha realidade, não é o presente, mas sim o futuro ainda fluído daquela fronteira.

Nazistas de MarteOnde as histórias ganham vida. Descobre agora