Nazistas de Marte

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Como o leitor deve bem saber, se leu alguma das minhas tetralogias, o Berço é uma nave espacial-temporal-transdimensional que se parece com... um berço vitoriano. Foi usado inicialmente pelo querido Major para acompanhar a vida do Profeta Maomé, e depois sua localização me foi revelada quando o mesmo estava às portas da morte.

Como relatado em algum dos meus livros, eu finalmente consegui acesso ao Berço usando um loop temporal dentro de um templo hindu em uma das sete cidades perdidas de Agartha encravada em um túnel na cordilheira andina. Essa cidade era, ou ainda é, uma base nazista. Desde então, esses nazistas estão no meu encalço para recuperar o Berço (que eles chamam de Sino Nazista), visando viajar no tempo, entregar armas atômicas para Hitler e dominar o mundo.

Esses nazistas remanescentes são bastante poderosos. Eles são os donos dos famosos discos voadores, construídos no final da II Guerra Mundial, e não qualquer ET longe de casa. Segundo informações fidedignas, possuem uma base no lado oculto da Lua e outra no portal para a Terra Oca, na Antártida. Mas o que eu não poderia imaginar é que eles tinham um plano muito mais ambicioso de confrontação e dominação: construir uma enorme base no planeta Marte e a partir dali atacar a Terra.

Quem me revelou esse plano foi Jacob, um espião judeu infiltrado no movimento nazista. Vou contar com mais detalhes, inclusive turísticos, como foi que isso aconteceu. Eu estava coletando dados em Granada, Espanha, para finalizar um de meus últimos livros, Segredos Esotéricos de Alhambra. Para quem conhece a cidade, eu estava hospedado no Hotel Museo Palacio de Mariana Pineda, perto da Ponte Cabrera sobre o rio Darro. Em frente à ponte existe o bar cafeteria La Fontana, um lugarzinho com ótima comida espanhola. A região fica a uns quinhentos metros das muralhas de Alhambra. Jacob havia combinado por e-mail se encontrar comigo ali, e chegou na hora.

— Olá, Jacob, como foi de viagem?

— Até agora bem, mas desconfio que estou sendo seguido.

— Então me conte tudo o que sabe.

Pedi dois cafés e uma tortilla para Jacob, que parecia faminto.

— A coisa toda já está bem adiantada. Eles já têm uma base em uma caverna perto do polo norte marciano. Estão construindo seus discos voadores e suas naves-mães tipo charutões.

— Mas por que não fazem isso aqui na Terra ou na Lua?

— Acreditam que a guerra pode ser longa e esses lugares são vulneráveis aos mísseis aliados. Por outro lado, as naves terrestres ainda são lentas para chegar em Marte.

— OK, OK — meditei bebericando meu café.

Jacob me estendeu um pendrive enquanto se concentrava em sua tortilla.

— Todas as informações estão aqui: localização da base, armamentos, naves etc.

— Como você conseguiu tudo isso?

— Não me pergunte — finalizou Jacob — Eu me arrisquei muito.

oooOOOooo

Na manhã seguinte, o corpo de Jacob foi encontrado no rio Darro, debaixo da ponte Espinosa, a cem metros do meu hotel. Ao saber disso, imediatamente fiz o check-out no hotel e segui para a Alhambra. Estava nervoso e caminhava rápido, pois o assassino de Jacob poderia estar me seguindo. E, com efeito, quando estava na altura do El Bañuelo, um brutamontes com uma faca e uma tatuagem de suástica no punho me empurrou para uma daquelas ruazinhas tão estreitas:

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