No dia seguinte, ele foi ao quarto da irmãzinha e deu-lhe um beijo no rosto, enquanto ela dormia. Arrumou-se no horário e tomou café da manhã  com sua mãe. Aproveitou para conversar com ela sobre amenidades. Depois, deu um  abraço apertado nela e saiu. Lorena ficou surpresa com a mudança de comportamento do seu filho, observando o sorriso bobo que não saía mais do rosto dele. Sabia o que estava acontecendo e sorria, lembrando-se de como era bom ser jovem, e ter as alegrias do primeiro amor.

Quando sentou no ônibus, Nícolas pensou em como seria encontrar-se com Zara na sala de aula, depois dos acontecimentos do dia anterior:

"Será que ela realmente sente algo por mim? Ou aquele foi apenas um encontro passageiro? Zara corresponderá  ao que eu sinto por ela? ", ele suspirava, lembrando-se das feições dela, sua inteligência, a voz macia...

O jovem chegou  mais cedo na faculdade e foi para a sala de aula. Sanches chegou e, assim que viu o amigo, notou que ele estava diferente. Começou a indagá-lo sobre o que estava acontecendo, mas Nícolas nada disse, se  manteve distante o tempo todo.

 Começou a indagá-lo sobre o que estava acontecendo, mas Nícolas nada disse, se  manteve distante o tempo todo

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O garoto preferiu não contar nada do que aconteceu para Sanches. Certamente, o amigo iria querer saber detalhes que ele não estava disposto a falar, talvez nem acreditaria e ainda, de quebra, iria tirar sarro dele o dia todo.

– Chegou cedo, amigo. Sempre me espera no pátio até todos entrarem. O que houve?

– Nada demais. Estou aqui sentado, refletindo sobre a vida.

Ficaram conversando até que o doutor Glein entrou na sala de aula. Ele cumprimentou a todos e começou a aula daquela manhã, sobre a Teoria da Relatividade. Os alunos observavam suas explanações atentamente, no entanto Nícolas olhava para a carteira vazia ao seu lado. Onde ela estaria? Será que estaria fugindo dele?

Mas, para seu alívio, depois de algum tempo Zara chegou, atrasada, com um jeito aéreo. Sorriu para o garoto e se sentou quieta. Nícolas também ficou sem palavras e sorriu de volta.

Na hora do intervalo, ele correu pelo pátio da faculdade atrás de Zara, até encontrá-la.

Ela estava tomando um suco de laranja sentada à uma mesa sozinha, enquanto em uma mesa próxima, os outros alunos a observavam fazendo comentários sobre a possível origem dela. Coisas de jovens que não tinham o que fazer. Pois se quisessem saber mais sobre ela, era só perguntarem. Como Nícolas fez. Demorou, é claro, mas o fez.

– Você sabe de onde veio a novata? – perguntou Sam, um dos alunos.

– Dizem que ela é da Flórida. Mas ninguém sabe ao certo.

– Parece que ela já morou no norte da Europa, na Noruega – comentou George, outro amigo deles.

– Não sei o que vocês, rapazes, veem nessa garota. Ela é comum e não é isso tudo que vocês falam – acrescentou Beth, uma moça que se achava a mais bela do curso, antes de Zara aparecer.

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