Parte 5

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Giovanna

LOUCURA! Isso é total e completa loucura!

Então por que então os olhos petróleo dele estão brilhando tão loucamente, passando uma segurança tão enorme?

─ Eu te curei? – eu murmuro, mais pra mim do que pra ele.

─ Você me curou quando disse que me amava! – ele me deu um beijo na testa. – E quando eu disse que também te amava, a coisa toda deve ter ido embora!

─ Mas, mas, mas... 

─ Eu nunca mais vi a Laura, então eu nunca soube como quebrar a porcaria da maldição – ele puxa meu rosto pra cima. – Mas você conseguiu.

─ Miguel, eu ainda acho isso loucura – eu gaguejo. – É impossível, pare de brincar com a minha cara.

─ Eu não estou brincando com a sua cara – ele diz, ríspido pela primeira vez.

─ Como eu posso acreditar nisso? 

─ Eu já te dei todas as provas, já te expliquei toda a história – ele suspira, afrouxando seus braços em meus ombros. – Você confia em mim?

Minha voz fica presa na garganta.

─ Confia ou não confia, Giovanna? – os olhos dele quase perdem o brilho.

─ Confio.

─ Ótimo – ele me agarra de novo, e me beija.

Dessa vez tão longa e calorosamente que acho que sou capaz de desmaiar em seus braços me esquecendo dessa maluquice toda.

─ O que eu disse ontem... - ele diz dando um beijinho no meu nariz. – Sobre amar você, é verdade.

Eu gaguejo algumas coisas sem sentido enquanto eu levanto.

─ E, agora que eu não preciso correr para água antes que eu derreta, porque você me salvou, eu posso ficar o tempo todo com você – ele me gira numa espécie de dança. – Até você se enjoar de mim.

─ Minha estadia aqui termina dia 2, Miguel – eu nem presto atenção nas minhas palavras.

─ E o que tem isso? – ele se senta na cama, e num puxão estou em seu colo.

─ O que vai ser de nós dois quando eu for embora? – eu passo meus braços por sua nuca e junto coragem pra dizer o que queria ter dito na noite anterior, lá no varandão. – Nossa história precisa terminar como um sonho de uma noite de verão?

─ Tudo não passando de um sonho? – ele passa a mão por meu rosto. – Isso depende se você me ama.

─ Eu já disse que sim – eu respondo rápido e baixinho. – E segundo você foi meu amor que quebrou a suposta maldição.

─ Então, Giovanna, eu acho que estou mudando.

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Miguel

O cd foi a ultima coisa que eu pus na minha mochila. Minha mãe mandou fecharem o caminhão, enquanto seu noivo novo, Paulo, parava o carro em frente a nossa antiga casa. Colina da sombra, até nunca mais.

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Giovanna

Desde o dia que eu fui embora do hotel, eu não tenho mais noticias de verdade dele. Tudo bem, só se passaram duas semanas e ele ligou umas três vezes dizendo ter saudades. Saudades eu também tenho, toda o dia e especialmente toda a noite! E o que isso muda? Nada.

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Miguel

Eu não sabia que demorava tanto pra chegar até Vale das palmeiras. Meu pé bate furiosamente no chão enquanto Paulo segue o caminhão. Eu olho pro meu cd novecentas vezes e cogito apertar o botão verde do celular em cima do nome dela outras novecentas vezes. Não! Eu me repreendo. Tem que ser uma surpresa.

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Giovanna

Eu sento na beirada da janela do meu quarto para reler Sonho de uma noite de verão. A dedicatória dele capta minha atenção mais uma vez: “Você é meu sonho de verão”. Um aviso senhor Miguel, caso você não saiba: ainda é verão. Você desistiu do sonho?

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Miguel

Uma palmeira passa correndo pela janela. Mais uma. E outra.
─ Estamos chegando? – eu me sinto como um pré-escolar.
─ Só mais uns cinco minutinhos – minha mãe me informa.
E meu coração começa a bater de uma forma que não se parece nem um pouco com um pré-escolar.

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Giovanna

Lindos dias no hotel, repletos palavras e juras de amor. Como eu supunha, ao fim da temporada, chega o fim de tudo. Mesmo o fato deu ter tirado a maldição de cima dele - porque agora, revendo os fatos, eu acredito no que ele diz, nada mais pode explicar aquele comportamento enfadonho dele – não parece ser suficiente para ele querer saber de mim.

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Miguel

A noite de ano novo com os fogos explodindo atrás do sorriso colgate de Giovanna não conseguia sair da minha mente. Eu olho o cd mais uma vez. "A paixão aumenta em função dos obstáculos que se opõe". Nada se opõe agora. Nada. E nem vai ser opor.

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Giovanna

Um caminhão enorme para na casa da frente, fazendo um barulho ensurdecedor. Eu levanto meus olhos das falas de Puck só pra ver o que está acontecendo. A casa da frente finalmente havia sido vendida e seus novos donos chegavam. Das portas da frente do carro sai um casal e nada mais acontece. Meus olhos descem para as linhas do livro novamente.

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Miguel

Minha casa nova é interessante. Bem maior que a antiga e tem, adivinha?, umas palmeiras na frente. Está um sol fraquinho do lado de fora. Demoro um pouco até achar o endereço de Giovanna na minha mochila desorganizada.
─ Filho, vem ajudar com a mudança! – minha mãe grita, enquanto os caras tiram umas caixas do caminhão e eu saio do carro.
─ Em um minuto.

Rua Principal, número 713.

É o que eu leio no meu papel. Num olhar rápido para a placa na rua, não acredito em minha sorte. É a mesma rua! Num olhar mais rápido ainda para o numero da minha casa, comemoro interiormente. 
7 1 3! Quem diria? Bendita combinação de números!
É o que penso enquanto atravesso a rua.

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Giovanna

─ Filhaaa, tem um garoto aqui querendo te veeer – minha mãe grita lá debaixo.

─ Se for o Vitor diz pra ele que estou muito indisposta – eu grito de volta, revirando os olhos. Tudo que eu menos preciso é daquele mané querendo uma chance de namorar comigo novamente. Depois de tudo que ele fez.

─ Não é o Vitor – ela grita de volta, rindo.

Sem saber quem mais pode ser, coloco o livro em baixo do braço, enfio um chinelo qualquer no pé e arrumo meu cabelo bem mais ou menos enquanto desço a escada...

E quase caio ao chegar nos últimos degraus e ver a figura parada a poucos metros.

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Oi gente!

O conto tá no finalzinho, amanhã eu posto a última página! Espero que vocês estejam gostando! Espero também que tenham dito um Natal maravilhoso, com muita comida boa, amor e maldições quebradas!

25 de Dezembro: sonho de uma noite de verãoLeia esta história GRATUITAMENTE!