04 - CONVITE E CAMINHOS

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Após todos aqueles eventos, minha consciência começou a voltar. Ainda não conseguia me mexer, e sentia minha cabeça formigar, enquanto pulsava e doía horrores. Quando finalmente abri meus olhos, quase não via nada, pois estavam meio embaçados. Meu corpo um pouco pesado. Cocei meus olhos com o antebraço, para tentar ver melhor. Fiquei cogitando mais uma vez sobre a veracidade de tudo aquilo que vivi. Após minha visão finalmente começar a clarear, fui vislumbrando a cena que se passou no momento em que tudo escureceu. Ao lembrar do que tinha acontecido, tomei um susto e, num espasmo acertei a testa em algo logo acima de mim. Após um novo latejo na cabeça, observei e vi que era o machado do cara que tentou me acertar, ou ao menos o cabo dele. Ao vê-lo ali, pude vislumbrar a cena que ocorreu na hora. Ele tropeçando no desnível do piso. Desequilibrou e veio direto para minha espada. O machado dele passou um pouco de mim, devido ao susto do tropeço, mas o cabo acertou com tudo na minha cabeça, foi o que me fez apagar. Ele acabou me deixando todo emporcalhado de sangue. Virei um pouco a cabeça para o lado e pude ver, pela janela, que o Sol já estava se pondo. Já era mais noite do que dia, na verdade. Pensei por uns instantes sobre o que fazer, enquanto esperava minha cabeça voltar para o lugar. Minha espada estava até o talo no maldito. A empunhadura dela está ao meu lado, quando fui segurar, me dei conta que minha mão estava quebrada. A dor só veio quando vi a situação. "Puta merda", vamos dizer que pensei isso, só para não ter que falar outras coisas. Era tudo que eu precisava num belo início de final de semana. Eu acordei querendo ter mais algumas batalhas em meu jogo favorito e acabei com uma facada no braço, uma adaga na panturrilha, uma mão quebrada e um maluco sobre de mim, com uma espada atravessada e me banhando com seu sangue. Era perfeito! Só que nem a pau. Merda de dia que estava acontecendo. Gritei muito puto, enquanto empurrava o corpo dele com minha mão esquerda, que ainda prestava para algo e virava meu corpo junto, para facilitar tira-lo de mim. O corpo do desgraçado foi removido de cima do meu, tudo certo. Só que não, de novo. Tudo doía horrores! Parecia que eu tinha sido esmagado por um rolo compressor, e pisado por uma manada de elefantes fazendo sapateado sobre mim. Ele não era nenhuma pluma. Era um pouco gordinho, até. Virei devagar e levantei com muita dificuldade. Observei a cruz preta próximo ao seu corpo. Tapei o olho da lente e mais uma vez pude perceber que apenas ele podia ver aquilo. Novamente, uma pedrinha brilhando na boca. "Acho que é mesmo um contador de morte", pensei quando vi que era mais uma gema da vida. Tirei da boca dele e coloquei em meu bolso, junto com a do Yago.

Quando tentei andar até o sofá, percebi o estrago em minha panturrilha. Na queda, o maldito fez a faca entrar um pouco mais, fazendo ela ficar atravessada na lateral do músculo. Puta dor desgraçada.

Fui até o banheiro, quase que arrastando a perna e o meu corpo, que parecia ter umas 2 toneladas. Tirei a faca com muito cuidado e meti uma toalha de rosto bem rápido, para não voar sangue por aí. Peguei um frasco de medicamento para estancar sangramento e derramei com vontade em cima da ferida. Aquilo queimava absurdamente! Contive o grito, mas não as lágrimas que teimaram em descer pelo canto dos olhos. Chegou a dar moleza na hora, por pouco não desmaiei de novo. Feito isso, cobri com mais gaze e aquela fita elástica, imobilizei minha mão fraturada e fui para o banho. Devo ter passado cerca de 40 minutos lá dentro, apenas sentindo a água escorrer pelo corpo. Ensaboei com vontade, pra não ficar com cheiro de sangue. Minha vontade era pular numa banheira de água sanitária. Saí do banheiro, coloquei um roupão e fui no quarto de meus pais. Ao abrir a porta, lá estavam eles. Dormindo, exatamente como Verner falou. Fui até eles e os balancei, chamei, gritei, estapeei. Fiz o que deu. Mas, tudo foi em vão. Eles nem deram o mínimo sinal de que acordariam. Fui até a cozinha e comi da maldita torta de frango o pouco que restava. Peguei o suco e antes de colocá-lo no copo, atirei aquela merda na parede. Obviamente, tudo foi derramado. Fiquei apenas com a água de acompanhamento. Sentei na cadeira do meu quarto e comi bem devagar e em silêncio. Apenas refletindo sobre tudo outra vez. Depois da comida, o cansaço daquele dia bateu e decidi deitar. Olhando para o teto, sentindo a brisa da noite, agora já sem sinais do sol, o vento entrando e fazendo a cortina andar levemente para frente. A trilha das formigas no canto da parede e quando menos percebi, peguei no sono.

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