03 - MEDOS E IMPREVISTOS

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Como eu havia dito anteriormente, aquela sensação agonizante estava tomando o lugar que o meu tédio ocupava momentos antes. O meu coração estava recheado de tensão, agonia, medo... era uma mistura que eu nem sei descrever. A sensação de morte que pairava no ar, o cheiro de sangue que tomava o meu nariz e a boca seca, tudo isso me deixou extremamente tenso.

Os passos atrás de mim, vocês devem querer saber, não é? Pois bem, vou contar.

Momentos antes de ouvir os passos, eu havia colocado a lente em meu olho. Nada aconteceu. Decidi ir até a rua, já que parecia não ter nada, além dos corpos jogados. Ao chegar lá e começar a admirar a cena por completo, eu ouvi os passos. Naquele instante, eu gelei. Virei com tudo e vi uma imagem chegando perto demais. Minha reação foi de andar para trás. Mas não deu muito certo não, tropecei num pedaço de alguém e caí. Mas isso foi a minha salvação. O indivíduo errou a martelada que tentou me dar e, espatifou a cabeça do corpo no qual havia tropeçado!

Eu reconheci a figura após uma rápida passada de olho. Era o Yago, o garoto problemático da rua. Lá estava o moleque, segurando aquele martelo gigantesco para ele. Para minha felicidade, ele era muito desengonçado, já que o martelo parecia ser consideravelmente pesado. E com toda certeza, tomar uma daquelas marteladas, estava completamente fora de cogitação.

O mais interessante, foi que no momento em que percebi que conhecia o meu agressor, a lente me mostrou seu nome. Achei que só iria funcionar se o próprio me falasse, mas, se eu já souber quem é, ele não pode esconder. Foi uma descoberta realmente interessante.

Ele puxou o martelo de volta e colocou sobre um dos ombros. Gritando e me perguntando por que eu tinha desviado do golpe dele. Dizendo que queria apenas esmagar meu crânio. Eu realmente não senti necessidade de responder aquele moleque, visto que, parecia muito mais que óbvia a reposta. Ele não perdeu tempo, e veio novamente enquanto eu me levantava. Devido ao martelo que carregava, ele era lento e seus golpes muito amplos, o que facilitava muito as coisas para mim. Pulei para o lado fazendo um rolamento para desviar do golpe e manter uma certa distância. Aquelas aulas que fiz serviram para algo, aparentemente. A agilidade do meu corpo certamente melhorou. Além do mais, jogar Blade Master é um exercício e tanto. Com o movimento que fiz, ele errou mais uma vez. Mas me surpreendeu com algo que fez a seguir. Ele largou o martelo e veio correndo para cima de mim. Puxou uma faca de cortar carne da cintura e tentou me acertar: uma, duas, três vezes. Felizmente, consegui me afastar para trás, mas com uma certa dificuldade.

Eu precisava dar um jeito naquele moleque. Mas eu sinceramente, não queria ter que usar minhas espadas. Matar não parecia uma opção muito boa. Olhando tudo a minha volta, imaginei se aquilo era mesmo real. Eu não conhecia aquelas pessoas no chão, então, talvez fosse apenas um cenário para nos colocar medo e quem sabe até pegar perigos em potencial na sociedade. Quem sabe até mesmo alguma pegadinha?! E além do mais, talvez as armas nem fossem de verdade. Talvez as espadas nem tivessem fio. Fossem apenas pedaços de ferro sem nenhum corte.

Nesse momento o Yago veio me acertar mais uma vez, agora com uma estocada. Por reflexo, acabei indo para o lado. Mas foi pouco. Ele conseguiu enfiar a faca no meu braço esquerdo. A dor foi aguda e incisiva. Senti meu braço ficando gelado e dormente quase que instantaneamente. Dei um grito contido, meio gutural. O sorrisinho sádico no rosto daquele desgraçado me deixou muito puto! Quando ele mostrou os dentes e começou o que seria uma gargalhada, não aguentei. Soquei aquele arrombado com toda força que eu tinha, bem no meio da cara. Ele desmontou para trás e a faca foi arrancada bruscamente, e após isso, tanto ele, quanto a faca caíram no chão. O fato de a faca ter sido retirada com tudo, deixou minha pele quase ao avesso no local do corte.

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