Era madrugada, as ruas calmas avisavam que a maioria dos habitantes dormia o sono do descanso. De repente, alguma coisa quebrou o silêncio e passos acelerados nervosos podiam ser ouvidos pelas almas acordadas. Um jovem suado com o coração na boca olhava para trás, enquanto fugia de seus perseguidores. Foi quando um homem alto surgiu à sua frente. O garoto parecia ter colidido com uma muralha quando alguém o segurou:

— Calma rapaz! Não precisa fugir. Não vamos lhe fazer mal. Viemos para lhe proteger.

Os outros também o alcançaram e ficaram estáticos quando perceberam a presença do chefe em pleno domínio da situação.

— Quem são vocês? O que querem de mim? – perguntou com os cabelos aglutinados à testa molhada.

Sentiu medo, puxou uma golfada de ar profunda para tentar manter-se são:

— Você é um jovem curioso e quer conhecer o espaço. Acho que podemos ajudá-lo. Em troca queremos que nos conte o segredo que você guarda. Teremos muito tempo juntos para ouvi-lo. Mas tome cuidado! Há muitos perigos lá fora... Agora precisamos ir porque o relógio corre contra nós e temos apenas algumas semanas para preparar a sua viagem.

 — Não sei a que você se refere! Não tenho nenhum segredo.

Desconfiado, fitou o sujeito de calça jeans, casaco de couro preto, barba serrada grisalha que parecia ser de meia idade. Depois mirou os outros que se vestiam de modo parecido, um de aparência asiática também alto, outro negro de cabelos raspados rente ao couro e um último que parecia ter um dos olhos, vermelho. Ficou espantado quando percebeu que o homem tinha a mão metálica. O sujeito sorriu parecendo ler sua mente.

O chefe deles olhou para o alto como se procurasse algo.

O garoto fitou o céu e viu um objeto brilhar de modo insólito. Prestou mais atenção e sentiu um calafrio. O corpo do rapaz enrijeceu da planta dos pés aos fios de cabelo da cabeça e parecia estar catatônico quando foi interrompido por um som.

Enquanto Nícolas dormia com o rosto enterrado no travesseiro, o alarme do seu celular tocou um rock pauleira, no último volume, fazendo com que ele pulasse da cama assustado. Olhou as horas:

– Que droga! Essa mania de ir dormir tarde só me atrapalha. Estou atrasado de novo!

Tomou um banho rápido, escovou os dentes e vestiu uma roupa qualquer sem conferir se combinava. Tentou lembrar-se do sonho ou seria um pesadelo? Mas a hora não permitia. Passou que nem um tiro pela cozinha, dando tempo somente para tomar um copo de leite e morder duas vezes o sanduíche preparado pela sua mãe. Mandou um beijo para ela e saiu correndo, como sempre, para pegar o ônibus no horário certo e chegar à aula.

– Filho, espere! Preciso conversar com você – gritou sua mãe, mas ele não podia falar naquela hora. Não se quisesse entrar no ônibus. À noite, se não esquecesse, perguntaria o que ela queria.

Já em direção à universidade, em meio à algazarra do pessoal, o garoto pensava que seria uma segunda-feira chata, com as aulas de sempre. Achava que nada diferente iria acontecer. Mas, Nícolas nem imaginava como sua vida ia mudar...

Sem ligar para a barulheira, ele começou a ler um livro sobre astros e supernovas. Apaixonado pelas estrelas, física e astronomia, tinha um ideal quase romântico, pensando no céu como um lugar de infinitas histórias e possibilidades. Na faculdade era zoado direto pelos outros alunos, chamado de "Garoto da Lua" por ser magrelo, muito branco e de olhos claros.

 Na faculdade era zoado direto pelos outros alunos, chamado de "Garoto da Lua" por ser magrelo, muito branco e de olhos claros

Oops! This image does not follow our content guidelines. To continue publishing, please remove it or upload a different image.
Os Filhos do Tempo - Vencedor do Prêmio #WattysLeia esta história GRATUITAMENTE!