Parte 4

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Giovanna

Ele parecia tão feliz. Nem parecia que esteve caído no chão, de olhos virados e cheio de espasmos. Seus olhos brilhavam de uma forma diferente e até o seu beijo me fez sentir de outra forma. E o mais importante de tudo: ele me amava. Estranhamente, eu sei. Nunca iria pensar que meu oculto sentimento (oculto até mesmo pra mim) fosse ser retribuído.

─ Eu também comprei uma coisa pra você.

─ Comprou? Como você conseguiu? – eu sorri abobalhada, ainda envolta por seus braços.

─ Eu tenho meus contatos – ele ri, procurando por alguma coisa pelo chão. – Ah, ali está.

Ele pega um pacote no chão, um pouco de distante de nós. Deve ter ido parar lá com toda a confusão. Até agora eu não entendia...

─ O que é? – eu indago ansiosa.

─ Os homens de poucas palavras são os melhores – ele ri, me entregando o pacote.

─ Você se lembrou disso? – eu digo rindo também.

─ E eu ia esquecer porquê?

─ Vá saber – eu arranco o papel todo de uma vez só.

Sonho de uma noite de verão em todo seu esplendor me encara de volta. Meus lábios giram pra cima num sorriso doce e bobo. Eu o abro para uma folheada rápida, quando ele coloca o dedo e prende na primeira página. Numa caligrafia grossa e forte, havia um texto.

“‘Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância.
O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado.’

Você é meu sonho de verão.
Feliz Natal, Gio!
Beijos, Miguel.”

Meus olhos estão cheios de água quando eu levanto-os do livro. Ele soube exatamente que parte do livro transferir e que frase acrescentar. Exatamente por isso que meu peito começou a doer.

─ Não gostou? – ele me agarra preocupado.

─ Eu gostei, mas... – eu suspiro. – Miguel...

─ O que foi? – ele cola sua testa na minha.

─ Você ainda não me explicou porque você não gosta do Natal – eu mudo o assunto, sem coragem pra dizer o que quero.

─ Prometo que eu te explico amanhã – ele responde. – Você está com sono.

─ Não estou não! – mas um bocejo maldito me entrega.

─ Eu também estou. – ele me segura minha cintura, e nós dois nos encaminhamos para cima.

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Miguel

Já passava de uma hora quando nós finalmente nos deitamos. Foi Giovanna cair na cama que ela apagou em cinco minutos. Eu não consigo pregar o olho.

O que aconteceu lá embaixo? – é a pergunta que ressoa na minha mente a noite inteira. Crio mil possibilidades, todas descartadas. - E onde foi parar meu pânico de Natal?

Giovanna ressona, se arrumando melhor nos travesseiros. Eu a cubro um pouco mais, com medo do vento gelado que entra pela janela. Dormindo ela parece ainda mais delicada, como uma boneca de porcelana. Quando passo a mão por seu rosto, ela se treme e segura minha mão com a sua, levando-a para perto de seu coração.

Por mais que eu procure tirar, ela puxa de volta, ainda ressonando. Me dou por vencido e tento dormir um pouco. Já passa das duas quando eu prego o olho por um tempo.

25 de Dezembro: sonho de uma noite de verãoLeia esta história GRATUITAMENTE!