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Sina e eu almoçamos juntos, pedimos um prato tailandês em um restaurante e o delivery chegou rapidamente na minha casa. Eu me sentia quente, Sina era quente, mas de um jeito bom. Apesar de gostar na minha solitude, a minha vida fria precisava de um calor.

Precisava dela.

- Noah?- pisquei várias vezes e balançei a cabeça- está aqui ainda?

- Aham- sorri fechado- continua contando.

- Eu...- ela afastou seu prato para o meio da mesa- sem jogos Jacob, por favor.

- Não estou jogando- limpei minha boca com o guardanapo- só estou admirando você, aqui, comigo- ela sorriu envergonhada- você é linda, por dentro e por fora. Seus olhos são as coisas mais bonitas que eu já vi, são a janela da sua alma. Si, sua alma é linda.

Sina levantou da sua cadeira e correu até mim, sentou no meu colo e me abraçou pelo pescoço. Ouvi suas risadinhas contra o meu ombro, aquela era a minha Sina. A garota. A pequena mulher.

- E agora? Não quero ir embora!- ela beijou meu pescoço até o carinho subir para a minha boca- vou me trocar.

- Eu só vou te soltar porquê você precisa encontrar com a sua mãe- beijei sua bochecha e nós levantamos.

Sina foi para o quarto, escutei o chuveiro ligado enquanto eu lavava a louça. Também ouvi a loira cantando, fazia anos que eu não a ouvia nem cantarolando. Me joguei no meu sofá e fiquei esperando que ela voltasse.

S I N A  D E I N E R T

Depois que saí do banho, vesti a blusa de Noah e coloquei a minha jardineira de novo. Fui para sala e vi ele dormindo no sofá, ajoelhei ao seu lado e beijei delicadamente a ponta do seu nariz. O Noah adolescente não dormia tanto assim, mas ele também não trabalhava o tanto que o Noah adulto trabalha hoje.

- Nos vemos depois- tirei seu cabelo do rosto dele e beijei sua testa antes de levantar para sair.

- Ei! Não, não, não!- Noah puxou meu braço para trás, ao mesmo tempo, precisei segurar o seu para que ele não caísse no chão.

- Noah!- ajudei ele a sentar de novo no sofá.

- Pressão caiu, levantei muito rápido- ele sorriu e abriu os olhos- ia embora sem falar comigo?

- Não, e acho que nem vou embora mais- coloquei minha bolsa de lado e Noah levantou- senta aqui, você quase caiu.

- Eu levantei muito rápido, só queria te dar um beijo- levantei também e Noah me abraçou rodeando minhas costas com suas mãos.

- Não sei se...

- Ei garota!- ele nos separou para olhar para mim- tô bem, queda de pressão, vinte e cinco anos na cara, normal.

Fiquei encarando ele, um homem de verdade. Noah é forte, leal, educado, justo, trabalhador.

E meu.

- Ok, vou lá ver a minha mãe. Mas você tem que me prometer que vai me ligar se passar mal- falei e ele balançou a cabeça negativamente.

- Menina teimosa- Noah me abraçou de novo e tirou meus pés do chão, precisei segurar seu pescoço para não cair- vou te levar no parque.

- Já chamei o Uber- ele me colocou no chão e eu beijei seu rosto- obrigada por tudo.

- Temos que fazer outra promessa, você precisa parar de me agradecer.

- Nunca- beijei sua bochecha e me virei para sair.

Fui de carro até o Ibirapuera, minha mãe estava sentada em um piquenique no cantinho do gramado. Me aproximei devagar, eu sou rancorosa, não vou negar. Mas depois de ter chorado no abraço dela no dia anterior, já tínhamos dado um bom primeiro passo.

- Boa tarde!- ela levantou e ficou na minha frente- posso...

- Talvez- ela abriu os braços e me envolveu devagar, senti parte de mim derreter, era a minha mãe.

Sentamos juntas, comemos os morangos que Alex tinha levado na sua cesta, mas tudo em silêncio. Eu não tinha nada para falar, ela que tinha que me falar porquê foi embora.

- Você namorou?- perguntei, não arranca pedaço mesmo.

- Não- ela riu olhando para frente- passei esse tempo todo pensando em como me resolver com o seu pai.

- Todos esses anos?- me surpreendi.

- Eu amo ele. Seu pai é o meu eterno.

- Então por quê você foi embora?- ela suspirou- se ele é o seu eterno, por quê o deixou?

- Por que você deixou o Noah?- golpe baixo.

- Porque... eu não sabia... que ele era o meu eterno.

- Somos tão parecidas Si- sorri fraco.

- Você e meu pai já...- ela arregalou os olhos e olhou para mim.

- Você e o Noah já???

Foi ali que eu ganhei minha melhor amiga de volta, contei sobre Noah, falei sobre Ryan, choramos juntas lamentando pelo tempo que passamos distante uma da outra. No final do dia fui com ela para a casa do meu pai, o sorriso no rosto dele era maior do que poderia caber. Fiquei feliz por fazer ele feliz, eu me sentia incrível ao fazer as pessoas que eu amo felizes.

[...]

- Mexeu!- apontei para a mesinha de centro onde jogávamos "pega vareta".

- Não mexeu não! Foi o vento- meu pai se defendeu.

- Você não sabe perder!- minha mãe empurrou o ombro dele.

Sorri olhando para eles, como se tivéssemos voltado no tempo. Eles dois lado a lado, eu na poltrona na frente... minha família. Saí do meu momento nostalgia quando meu celular tocou, fiquei preocupada com o Noah, mas me acalmei quando vi o Noah da Taís na tela.

- Não jogue!- alertei meu pai e ele riu- oi amiga.

- Amiga nada, advogada. Tenho más notícias.

- Ah não Taís.

- Ryan vai recorrer, ele quer a casa- bufei e abaixei minha cabeça- porém...

- Porém...

- Se ele ganhar nós vamos ter um problema, porquê você vai ficar com parte do dinheiro e sem a casa. Mas se ele perder, você ganha mais dinheiro!- ri pela animação da mulher.

- Vou ganhar dinheiro sem fazer nada?

- Vaca sortuda, pelo menos seu ex serve pra alguma coisa.

- Obrigada Taís, me liga se acontecer alguma coisa.

- De nada Si, beijo- desligamos e eu voltei para a sala pulando no colo do meu pai.

- O que foi?- ele riu.

- Vou ganhar dinheiro, mas não fiz nada!- sorri.

- Vai comprar um carro?

- Vou, quero pegar o seu para mim e deixar o novo com o senhor.

Meus pais se entreolharam, a boca do meu pai abriu mas ele não conseguiu falar nada. Era isso, era eu. Essa Sina que fazia de tudo para ver as pessoas sorrindo, que não se importa em se machucar por quem vale a pena.

- Você não existe coisinha- ele beijou minha bochecha.

Passei o resto do dia com eles e fui para a minha casa, realmente, independência é tudo. Coloquei um pijama confortável, fiz um pouco de café e sentei no meu sofá para assistir um filme. Pela primeira vez em dois anos, me senti uma mulher de verdade. Uma mulher que tem sua própria casa, tem um... namorado? É, um namorado maravilhoso que faz questão de me lembrar que eu posso ser uma mulher incrível, e... um ex babaca que serve para alguma coisa.

- Olá universo, essa sou eu- olhei para a minha janela e sorri.

Essa sou eu.

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Bjos, Mary🖤🎇

Behind the lights |HIATUS|Onde as histórias ganham vida. Descobre agora