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N O A H  U R R E A

Ela estava ali, de verdade. Não era um sonho, ou alguma miragem, era ela. Sina realmente estava deitada em cima de mim, com seus longos fios loiros espalhados pelo meu peito e o meu lençol branco cobrindo suas costas. Eu com certeza estava sorrindo, Sina sempre pareceu um anjo dormindo, mas agora parecia mais.

Ela levantou a cabeça devagar e olhou ao redor, depois de se localizar, ela sorriu para mim. Juntei rapidamente nossos lábios antes que ela deitasse de novo no meu peito, mas dessa vez não tirou os olhos dos meus. Agradeci mentalmente, porquê só com um olhar eu poderia descobrir o que ela estava pensando.

- Eu não me arrependo- falei e ela fechou os olhos- nada, nem um pouco.

- Que bom- respondeu aliviada.

Ela rolou para o meu lado e agarrou meu braço, passando o dedo na tatuagem localizada na parte de dentro do meu antebraço. Sina fez círculos em volta do desenho, provavelmente confusa pelo que ele significava.

- Trinta e um, dez e sete?- ela olhou para mim.

- Aniversário do Josh, a idade que eu tinha quando a minha vida mudou e o dia em que a Alicia nasceu- ela ainda estava confusa- eu tinha dez anos quando te conheci.

- Mudei sua vida?- seus olhos brilharam.

- Meu coração pulou quando você segurou minha mão e me levou pra fora da sala, pulou daquele jeito de levantar a camiseta- ela arrastou o corpo para cima e deixou seu rosto na frente com o meu.

- Eu sempre quis te proteger de tudo desde que te conheci- ela disse sorrindo- queria tirar do seu caminho todas aquelas pessoas que te faziam mau, mas no final...

- Shiii- coloquei o indicador em seus lábios- você prometeu- ela sorriu e mordeu meu dedo- ai Sina!

- Também fiz algumas tatuagens- ela mudou de assunto- fiz um desenho que a Alicia fez pra mim- ela mostrou a pele branca de dentro do braço rabiscada, literalmente.

- É totalmente sem sentido- falei forçando os olhos- mas é legal.

- Se você usar o lúdico, dá pra ver um coelho- nós rimos, principalmente por saber que nem com lupa dava pra ver algo ali.

- Nem prestei atenção nisso, eu acho que me concentrei demais em outra coisa- agarrei sua cintura até seu corpo se chocar com o meu- nunca olhei para ninguém como olho para você.

- Por que você é tão bom comigo?- ela colocou a mão na minha bochecha.

- Porque você é a pessoa mais estranha e linda que eu já encontrei em toda a minha vida.

Sina me beijou de novo, subiu em cima de mim e nós fizemos amor pela segunda vez, tentando recuperar o tempo que sempre perdemos.

[...]

Nota mental: colocar uma cortina na janela do meu quarto. Assim que o sol saiu, o quarto ficou claro me forçando a abrir os olhos. Sina resmungou antes de cobrir o rosto com o lençol e beijar meu peito.

- Vou preparar alguma coisa para comermos- beijei sua cabeça e ela me apertou mais forte.

- Não- ela gemeu- nunca me senti tão bem, não quero que acabe.

- Ficar pelada é realmente libertador- Sina me encarou com cara de tédio e eu ri.

- Babaca- beijei a ponta do seu nariz e ela sorriu- posso pegar uma camisa sua?

- Outras?- levantei da cama e peguei minha cueca no chão, quando levantei o olhar, Sina estava sentada na cama me encarando- está me deixando com vergonha Deinert.

- Para Noah!- ela riu e jogou o travesseiro em mim.

- Você sempre pega minhas roupas, sabia que eu tenho uma pilha aqui só para você?- me virei para o meu guarda roupa, abri uma gaveta e tirei uma camisa preta e longa dali.

- Sério?- Sina me abraçou por trás, com o lençol da cama cobrindo seu corpo.

- Sério- coloquei minha roupa nela, coloquei seu cabelo para trás e beijei sua testa- fofa.

- Ich bring dich um!- ela me empurrou e eu saí correndo do quarto.

Ela falava alemão quando queria ou me xingar, ou dizer que me amava. Mas em uma das nossas conversas recentes, ela disse que estava perdendo a prática, pois a muito tempo não se sentia à vontade para se expressar na sua língua materna.

- Você...- me encostei no batente da porta- falou alemão.

- Sabe o que eu disse né?- ela cruzou os braços.

- Sei, você vai me matar, ok. Mas significa que você está bem, não é?

Ela correu até mim e segurou meu rosto dando um beijo bem longo na minha bochecha. Coloquei minha mão na sua coxa e fiz impulso para que ela pulasse no meu colo, assim que ela o fez, fui para a cozinha e liguei a máquina de café, minha pequena mulher adora café. Deixei ela em cima da mesa, colocando um braço meu em cada lado do seu corpo.

- Tenho vontade de falar toda hora que eu te amo- eu falei e encostei a ponta do meu nariz no seu.

- As palavras perdem o poder quando são ditas várias vezes- ela arrumou meu cabelo o jogando para trás- quero que isso seja de arrepiar toda vez que eu escutar.

- Vai ser- sorri- eu prometo- ela riu envergonhada.

- Café!- Sina exclamou arregalando os olhos depois que a máquina fez barulho- café, café, café!

- Isso mata sabia?- voltei para a cozinha e peguei a maior caneca que encontrei, Sina era movida a base de cafeína.

- Não mata não, eu pesquisei. Faz bem para a memória e ajuda a evitar depressão feminina- entreguei a bebida para ela, parece que dei um pirulito para uma criança.

O celular dela tocou da sala, eu fui pegar e o tirei de sua bolsa, o número não estava salvo, mas reconheci.

- Sua mãe- voltei para a cozinha e entreguei o celular para ela.

- Não- ela me encarou nervosa- não quero falar com ela.

- Vocês brigaram de novo?- Sina negou balançando a cabeça- então atende, vê o que ela quer.

Atendi a ligação e coloquei no ouvido de Sina, Alex parecia falar muito, mas a loira na minha frente só concordava ou ouvia calada.

- Depois do almoço, ok- ela desligou e respirou fundo- vou encontrar com ela no parque.

- Maravilha!- sorri- dar uma chance a ela não tira pedaço.

- Ela quer voltar com o meu pai, não tenho estômago para ver eles brincando com seus sentimentos- Sina pulou da mesa e apoiou as mãos no meu peito- esse amor vai e vem, não quero isso. Quero ser madura e corajosa o suficiente para pedir perdão, pedir para ficar. Sem joguinhos, sem orgulho para ver quem pede desculpas primeiro- ela jogou a cabeça pra trás para olhar para mim- você também quer isso?

- Quero- sussurrei sorrindo.

- Eu não quero brincar com você, quero ser o melhor de mim porquê sei que você está sendo o melhor de você. Sem rodeios, sem jogos, eu sou sua.

- E eu sou seu.

Ela mordeu seu lábio inferior e contendo um sorriso, coloquei a mão em sua nuca e juntei nossos lábios. Ela era minha e eu dela.

Eterno.

(Eu espero...)

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Oi
O que acharam?
Amo vcs!
Bjos, Mary🖤🎇

Behind the lights |HIATUS|Onde as histórias ganham vida. Descobre agora