S I N A  D E I N E R T

Meu coração apertou quando acordei sozinha, peguei meu celular e vi que já estava de madrugada. Li o bilhete de Noah na mesa de centro, o coração doeu de novo. E quando eu vi uma caixa na mesa da cozinha, meu coração não sabia se batia mais forte ou parava de bater. Panelas, copos, travessas, pratos, talheres, tudo o que eu precisava para finalmente poder morar sozinha.

Se aquele homem não fosse a melhor coisa da minha vida, nada mais podia ocupar esse cargo.

Passei o resto da semana trabalhando, chorando ao ver o bilhete do Noah no mesmo lugar, vendo Josh postar vídeos engraçados do irmão brincando com a Alicia, nem Alicia eu tive tempo pra encontrar. Tive muito tempo para pensar, enquanto finalizava meus desenhos, pensei em vários jeitos de conversar com Noah e esclarecer meus sentimentos.

Foi o que eu fiz na sexta feira, depois de outra reunião com o meu "chefe", comprei um pequeno combo de sushi e parei na porta da casa do Noah. A alça da minha jardineira jeans não parava de escorregar pelo meu braço enquanto eu esperava, aquilo estava me dando nos nervos, como se não bastasse minha ansiedade.

- Só um minuto- escutei a voz de Noah, ele estava com alguém, meus pés deram meia volta e eu me afastei- Sina? Sina!

Apressei o passo, mas Noah sem camisa, o telefone na mão e o olhar confuso segurou meu braço e me parou no lugar. Por que esse cara não coloca uma camisa? Não consigo raciocinar direito quando ele está semi-nu na minha frente.

- Tchau Pepe, depois conversamos- não consegui conter um suspiro de alívio, Noah colocou o celular no bolso da bermuda e segurou meu outro braço com a sua outra mão.

- Olá- meus olhos fugiam dos olhos dele a todo custo.

- Olá- ele sorriu- entra, não é seguro ficar aqui fora.

Suas mãos me soltaram, passei na sua frente e entrei em sua casa. Coloquei minha bolsa no sofá depois de tirar minha folha de papel dali, Noah sentou na minha frente e ficou me encarando com as sobrancelhas unidas.

- Você pode fechar os olhos?- perguntei nervosa- por favor.

- Ok- Noah arrumou sua postura e fechou os olhos, lembrei de quando fui ler uma das minhas primeiras poesias para ele.

"Vou ler uma coisa, não abra os olhos e me diga se você gosta.", pedi e Noah concordou.

"No encontro do olhar, nossos olhos conversavam entre si, eu só não sei se eles falavam a mesma língua. Tomara que sim."

"Você fez isso.", ele afirmou escondendo um sorriso.

"Eu não...", engoli seco. "Como sabe?"

"Eu conheço você pequena Deinert, e eu sei reconhecer uma arte bonita de uma alma mais bonita ainda."

- Eu queria te pedir perdão, por todas às vezes que... neguei para mim mesma que- amassei o papel e Noah deu um pulinho pelo susto- isso é ridículo.

- Eu estou adorando- ele conteve um sorriso, assim como fazia quando éramos só adolescentes.

- Ok, me desculpe, sinto muito, perdão- joguei a bolinha de papel no chão- não sei amar, amei demais e agora não sou capaz de dar metade do que você entrega para mim. Me sinto insuficiente pra você, e mesmo querendo me afastar por achar que é o melhor, essa semana foi péssima. Por favor, você precisa parar com essa mania de dormir comigo e me deixar sozinha! Fiquei com o seu cheiro na minha cabeça durante setenta e duas horas e foi péssimo, porquê eu estava com medo de te procurar. Já citei que eu tenho medo de tudo? Pois é, só não tive medo de me mudar com o Ryan, sou uma idiota.

Behind the lights |HIATUS|Onde as histórias ganham vida. Descobre agora