Delicuente

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NA: Oi gente, venho aqui agradecer novamente pelo carinho por minhas histórias e por sempre embarcarem nas minhas loucuras sem pensar, um abração a cada um de vocês pelos doces incentivos e toda a animação que esboçam comigo lá no twitter!

Novamente quero expressar que, se você não está pronto para ler algo um pouquinho fora do habitual, não leia, sabe? Eu fiz fic fofa já, ela se chama crosswords, eu juro que vai te agradar muito se é isso que procura! Mas se não procura isso, se gosta de um pouco de desafio e apimentar as coisas, por que não? Não é? Vamos lá?

Agradável leitura!

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A torpeza de seu corpo era imensurável, os analgésicos que havia tomado por instrução da mocinha da igreja a havia derrubado brutalmente, sentindo que a dor no tornozelo não estava assim tão mais evidente como antes, piscou lentamente, cerrando o olhar, fingindo dormir quando notou a porta de seu quarto ser aberta e a suspeita dos céus deixar um copo de água repleto para si na cabeceira da espaçosa cama que ela agora ocupava.

Não demorou-se, apenas deixou a água e saiu com o maior cuidado possível para não acordá-la, mesmo que fosse em vão, visto que a mexicana já estava acordada e observando minuciosamente cada detalhe que a envolvida.

Olhou para o quarto ao sentar na cama, as colchas eram feitas a mão, com retalhos de panos pesados, aquecia e muito, a moveu de seu corpo e se levantou, os pés descalços tocando no chão gelado de madeira, mancando o suficiente para não impor sacrifício em seu tornozelo ela capturou a água, bebendo com uma sede devastadora. A mocinha da igreja então adivinhou que sentiria sede?

O que temos aqui?

Seu olhar castanho perscrutador viajou por cada detalhe do quarto, um armarinho de madeira estava vazio diante de si, abriu analisando o espaço minúsculo para se colocar roupas, cabides de madeira, vazios. O que se podia imaginar? Uma freira não vai precisar mesmo de um closet completo, Camila...

Cerrou o olhar ao se inclinar e focar em sua volta, nada demais, uma mesinha de madeira ao canto com um cadeira tão desconfortável quanto e a lamparina acesa dando uma tonalidade alaranjada a sua volta, mesmo que a luz do dia ali fora escapasse um pouco pela janela coberta na cortininha de retalhos.

Era o que havia de básico, uma cama média, estantes de suporte, mesinha para ler sua bíblia e ir ao céus, armário para colocar suas roupas de freira e somente. Voltou a pegar da água, pensativa sobre a necessidade de se olhar no espelho, não havia nada seu ali... nenhum celular, ou roupa, ou qualquer coisa...

Era uma miserável na América.

Notou que havia sandálias baixas perto de sua cama, e obviamente atribuiu aquilo a alguma ação que a santinha da igreja venha a ter feito, era perfeita não era? Sem defeitos, provável mentirosa de primeira, era o que ela era. Os pensamentos de Camila sempre iam à sentidos incontidos, sempre havia uma opinião bem traçada sobre o que a envolvia.

Calçou as sandálias e saiu do quarto envolvendo seu corpo ao sentir a brisa fria lhe atingir em cheio, levando um pouco de seu vestidinho curto as ondulações perigosas, deslizando a alcinha fina do vestido por seu ombro, era uma figura irresistivelmente tentadora, mas expositivamente pura, enganava com a facilidade de seu portar latino y puro mentiroso.

Entrou no banheiro, sentindo a presença de outros colegas de missão louca de mudança de país.

— Buenos días, hay cepillos de dientes para todos aquí, y jabones nuevos, además hay cepillos para el cabello y todas estas cosas, son muy generosos, ¡también nos dieron instrucciones de ir a Consuela, hace frío esta mañana, para obtener ropa más cálida! (Bom dia, há escovas de dentes para todos aqui, e sabonetes novos, além disso tem escovas de cabelos e todas estas coisas, eles são muito generosos, também instruíram que fossemos até Consuela, está frio esta manhã, para pegar roupas mais quentes!) - A jovem falou sorridente a mexicana que olhou intrigada a toda fala.

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