N O A H  U R R E A

Saí para trabalhar deixando Sina na minha casa, ela conseguiu parar de chorar, mas ainda estava triste. Eu queria tirar aquela tristeza de dentro dela, talvez eu conseguisse, mas eu precisava terminar meu trabalho primeiro.

Any era a modelo de uma campanha de Kystian e Hina, era bom trabalhar com amigos, eles não me massacraram por estar com a cabeça em outro lugar.

- Ei, você tá aqui?- Krys deu um peteleco na minha orelha, nem todos eram compreensivos.

- Tô- forcei um sorriso.

- Sabe da Si?- Any perguntou ainda fazendo poses em frente a câmera- ela saiu cedo, nem a vi.

- Ãnn... ela está... lá em casa.

Todos me encararam, Any sorriu e bateu palmas enquanto pulava. Hina me abraçou e Krystian gritou.

- Deus é pai, não é padrasto!

- Ela não está bem- não consegui esconder minha preocupação- sei lá, quero ajudar, mas acho que o buraco é mais em baixo.

- Um psicólogo, talvez?- Hina sugeriu.

- Talvez ela só precise ocupar a cabeça, assim ela esquecerá o que passou com o Ryan- Any disse.

- É, trabalho e um boy gato, não existe remédio melhor!- Krystian falou e nós rimos.

- Pode ser- suspirei- ok, vamos lá.

[...]

Quando voltei para casa depois de comprar o almoço, Sina estava encolhida no sofá mexendo em seu celular. Assim que me viu ali, ficou em pé ainda no estofado e me abraçou. Ela estava silenciosa, e ainda estava triste.

- Você ainda gosta de sushi?- depositei um beijo em sua bochecha- hum? Gosta?

- Sim- ela respondeu baixo.

- Vem cá Si- ela sentou no sofá e eu ajoelhei na sua frente- o que você... você não...- respirei fundo- não acha que seria uma boa ideia procurarmos um psicólogo?

Ela abaixou a cabeça e segurou minha mão, eu estava de novo tocando na ferida, mas era necessário para que ela fechasse.

- Não precisa dizer nada agora ok?- coloquei uma mecha do seu cabelo atrás da sua orelha- só pense na possibilidade. Eu não sei o que Ryan fez com você, o que ele te falou, só você sabe o peso que carrega.

- Me desculpa por te encher com os meus problemas- ela apertou minha mão.

- Eu tenho força de sobra- sorri.

- E se for muito pesado?

- Bom, aí nós carregamos juntos- ela riu fraco e me abraçou- eu estou aqui por você, pode contar comigo agora.

- E você comigo- ela segurou meu rosto e sorriu.

Era bom ouvir aquilo, não que eu estivesse ajudando ela e esperando algo em troca, mas era muito bom saber que eu também podia contar com ela. Nos levantamos e fomos almoçar na mesa, Sina se animou quando viu o box de sushi que eu havia comprado.

- Quer ver a Sina feliz? Dá comida pra ela!- cantei a musiquinha que eu cantava antigamente, Sina riu.

- Nada mudou- ela disse comendo- como foi no trabalho?

- Foi bom- é, mal prestei atenção no que eu fiz, mas foi ótimo- bom.

- Não senti firmeza nessa resposta- ela cerrou os olhos.

- Sério, foi ótimo. Eu amo o que eu faço, não tem como ser ruim.

- Que bom- ela suspirou- estou pensando em comprar um carro, andei conversando com meu pai e ele disse que me ajudaria.

Behind the lights |HIATUS|Onde as histórias ganham vida. Descobre agora