Conto 7 - Salvos pelo Amor: em noite de Natal - Juliane Rodrigues

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Salvos pelo Amor: em noite de Natal.

Juliane Rodrigues

Uma sala de espera com capacidade de acomodação para 32 pessoas e apenas três homens em extremidades distintas. Dois deles se ocupavam com jornais, o mais velho lia um jornal tabloide, provavelmente trazido de Nova Iorque, de onde acabavam de chegar. O terceiro homem era Nic, que devia estar feliz com o início de sua carreira internacional como cantor, ao invés disso estava jogado numa poltrona, aparentando frustração.

A frente de Nic, uma árvore decorada não lhe permitia esquecer: "Era véspera de Natal". Os pisca-piscas eram como contadores do tempo, fazendo aumentar ainda mais a sua agonia.

— Leia isso. Tem a sua cara — disse Rezende estendendo o jornal para o amigo. Nic nada disse, apenas apanhou o jornal, passando os olhos na manchete que dizia: "escada em forma de piano entretém passageiros em aeroporto do México, a ideia também inspirou a direção do aeroporto Santos Dumont, que disponibiliza um piano de caldas durante todo este mês para o uso dos passageiros". Mas o jornal foi para um bolso lateral da bolsa de viagem.

— Devia ler para matar o tempo.

— Não quero que o tempo passe. Quero que alguém me diga que vai resolver isso a tempo de eu estar com a minha família. Se eu soubesse que algo assim iria acontecer, não teria aceitado o convite. — Nic levou as mãos ao rosto para em seguida retirá-las e bater contra os joelhos antes de se pôr de pé. — É meu primeiro Natal depois de casado, quero estar ao lado dela, ao lado da minha família.

— Ainda temos tempo. Só precisamos esperar o tempo melhorar um pouco, só até ser seguro para voar.

— Não estou pedindo para ninguém se arriscar, só estou inconformado. Não posso aceitar que em minutos o tempo tenha mudado assim. A previsão do tempo para hoje era de um clima quente, não entendo como pode chover tanto.

— Vou dizer algo que a sua esposa diria se estivesse aqui: "às vezes Deus tem planos diferentes dos nossos e os Deles são sempre melhores". Vou me informar, saber se eles já têm alguma previsão para o nosso voo — disse Rezende ao se levantar. Ele bateu no ombro de Nic em gestos de compreensão.

Nic se movimentava pela sala de espera de um lado para o outro, sempre observado por um olhar de reprovação. Na poltrona à esquerda estava Afonso, um homem bem apessoado, de termo alinhado e quase escondido pelas folhas do tabloide. Nada que Nic tenha percebido.

— É um absurdo isso, o senhor não acha? Se o avião em que estávamos atrasou por várias complicações, esse voo para o Rio tinha que ter esperado. Afinal, é véspera de Natal. O senhor não acha?

— E os passageiros de um voo inteiro se atrasariam para esperar três? Ainda sendo por companhias aéreas diferentes? Acho que não.

Nic não tinha certeza, mas aquele homem não estava em um bom dia e para ele tanto fazia passar a sua noite de Natal em uma sala de espera ou com a família. Nic lembrou que aquele homem também esteve bem próximo dele no voo anterior, e que por vezes se portou de forma rude perante as comissárias de bordo.

Rezende voltou para sala com boas notícias: — Nic, eles conseguiram três vagas no mesmo voo. Será o próximo a levantar voo, assim que o tempo permitir. Um daqueles caras que nos trouxe para cá, virá explicar.

— Explicar o quê? — Quis saber Nic.

— Boa noite, senhores — saudou um funcionário da companhia área —, tenho boas notícias. Conseguimos fazer umas junções. Poderão voar ainda hoje, no próximo voo a sair daqui para o Rio de Janeiro. Lógico que isso não acontecerá nesse momento, mas tão logo o tempo tenha se normalizado. Estamos otimistas, pois a ponte aérea Congonhas e Santos Dumont é de aproximadamente 50 minutos. Faremos todo o possível para que cheguem ao Rio e estejam em família até a meia noite de hoje.

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