A vila dos ciganos

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Sentado na beirada da cama, o forte homem passava suavemente um pano molhado no rosto de Djiu, que nada via, desacordada que estava. Mergulhou novamente o pano na vasilha de ferro sobre um banco ao lado da cama e torceu, chacoalhando a mão três vezes antes de abrir o pano e passar pelo pescoço delicado da jovem, deslizando pelo peito que subia e descia vagarosamente com sua respiração tranqüila.

Olhou para Djiu, seu rosto delicado com traços suaves parecia ser do oriente, suas longas e negras pestanas fechadas, seus lábios rosados entreabertos, levemente proeminentes na parte inferior, seu nariz pequeno e empinado, suavemente afilado abrindo e fechando quase imperceptivelmente.

Iluminado por velas, apesar de ainda estar claro lá fora, o quarto era espaçoso e aquecido pela lareira de tijolos aparentes que ficava de frente para a cama. Sobre a lareira um quadro exibia a imagem de uma bela mulher pintada a carvão e ao lado um vaso verde de cerâmica com flores amarelas recém-colhidas. Alguns tapetes vermelhos espalhados ajudavam a deixar o ambiente confortável e numa temperatura muito agradável.

Descendo o pano um pouquinho mais entre a curva dos seios, demorando-se enquanto observava as marcas ritualísticas que tomavam todo seu peito, espalhando pelos ombros e braços, quando sua mão foi violentamente retirada por uma Djiu completamente desperta e zangada.

– Nem nos seus mais absurdos sonhos. – Djiu grunhiu levantando da cama num salto e olhando ao redor procurando algo com que pudesse se defender, mas dobrou-se sentindo a perna reclamar o ferimento que sofreu.

– Ela está ali no canto, junto com sua calça. – disse se referindo à faca que ela procurava.

Djiu olhou para baixo e se viu apenas de roupa íntima e uma grande faixa em sua coxa sobre o ferimento da véspera. Puxando o lençol para si, sentou-se envergonhada.

– O que fez comigo, seu canalha? – rapidamente suas bochechas ficaram vermelhas.

– Não precisa me agradecer boneca. – e apontando em direção à perna dela. – Quando te encontrei pela manhã, desacordada e ardendo em febre, tinha perdido bastante sangue e achei que teria que amputar sua perna.

Djiu gelou e puxou o lençol para olhar melhor sua perna. A faixa estava com uma pequena marca escurecida no centro, significando que sangrara, mas tinha parado. Iria tirar a faixa, mas o homem a deteve.

– Não faria isso. O aspecto não está muito bom e... – interrompeu-se para fazer uma expressão em que dava periculosidade ao caso – As ervas estão fazendo o processo de cicatrização. Em dois dias estará bem, se ficar de repouso é claro.

– Repouso? Não posso ficar, tenho que encontrar minhas amigas e... – Djiu então se lembrou da cabeça da bruxa vampiro. – Onde está? – perguntou olhando em volta.

– A cabeça? Nossa, mas o que você faz garota? Você faz parte de algum ritual? – Doru a olhou cismado.

– Onde está a porcaria da cabeça? – Djiu gritou olhando severamente para ele, que desfez o sorrido debochado.

– Ou, ou, ou. Calma ai minha querida. – Ele disse levantando-se da cadeira e apontando para um canto onde a bolsa com a cabeça da velha estava... – Estão ali, tudo bem? Vi o que tinha dentro e deixei como estava. Não gosto de mexer nos pertences alheios, mas queria saber o que você trazia cuidadosamente embrulhado em trapos tão sujos. Mas se você matou aquela bruxa está tudo bem pra mim só não... Só não quero isso aqui, certo? Você pode ficar, mas não quero atrair a raiva dessas coisas para cá.

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