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N O A H  U R R E A

- Muito obrigado por hoje, foi incrível- me curvei um pouco em respeito ao sol, agradecendo por mais um espetáculo.

Podiam dizer o que fosse, São Paulo era um lugar lindo. Por trás de toda a violência, todos os problemas, por trás das luzes tinha uma beleza maravilhosa. O céu era lindo, os prédios eram lindos, as pessoas eram bonitas... Eu amava aquela cidade, e meu trabalho me permitia ver toda aquela beleza escondida.

Tirar fotos das paisagens eram meu forte, elas não precisavam de maquiagem, nem de ângulo certo, eram perfeitas naturalmente. Assim como uma pessoa que conheci.

Sina Deinert.

Amigos desde o colegial, vários amigos em comum e uma amizade maravilhosa. Amizade que nunca passou de amizade, não foi falta de vontade, foi falta de coragem. Nunca tive coragem de me declarar para ela, por isso a perdi, faz parte...

Meu segundo lugar preferido do mundo era o terraço do prédio onde Any morava, me dava a visão perfeita de muitas coisas da cidade. Saí de lá e voltei para o a festa no apartamento da minha amiga, festa essa que eu fui obrigado a ir. Voltei para a casa e peguei meu copo de cerveja, com a câmera pendurada no pescoço, observo discretamente aquele povo dançando no meio da sala.

- Terminou o show por hoje?- Josh Beauchamp, vulgo meu irmão, passou o braço pelo meu pescoço.

- Por hoje sim- sorri.

Sou adotado, Josh é filho dos meus pais adotivos. Apesar da minha gratidão eterna por eles, decidi sair de casa quando completei vinte anos, independência é tudo.

Josh tem a mesma idade que eu, e quando fui adotado tínhamos sete anos. Sempre fomos melhores amigos, um pelo outro sempre. Sou padrinho da sua filha com a Any, amo a pequena Alicia, e tento dar atenção redobrada já que sua madrinha morava fora do país.

- Posso subir?- segurei o braço de Any.

- Já te falei que tem gente no quarto de hóspedes, e você precisa de uma festa!- ela balançou meus ombros- Alicia está dormindo no meu quarto, fica aqui.

Sorri forçado e me afastei do casal, sentei no chão me escorando na parede e continuei bebendo. Quando levantei meu olhar para a escada, vi um brilho diferente no meio do escuro no corredor do andar de cima.

Encarei aquilo, e percebi que era um par de olhos verdes, o brilho que só uma pessoa tinha. Quando levantei ela correu de mim, olhei para os lados e como não tinha ninguém me olhando, subi as escadas. A parte de cima era escura, segui a fraca luz que vinha de uma porta aberta e entrei no quarto. E ela estava ali.

Sina estava encolhida na cama, com um capuz preto e as mãos no bolso do casaco. Os lençóis da grande cama branca quase engoliam seu pequeno corpo, aquele corpo...

Fiquei sem reação por alguns segundos, mas meu corpo voltou a funcionar quando ela me olhou e eu me arrepiei. Dei alguns passos largos para me aproximar e sentei na ponta da cama.

- Co-como? Quando você voltou?- perguntei olhando para o chão.

- Faz um tempinho- ela disse baixo.

Tirei coragem do além para encará-la, Sina conseguiu ficar ainda mais bonita. Seus fios loiros que estavam para fora do capuz estavam maiores e mais loiros, diferentes do cabelo platinado e curto que eu havia visto pela última vez. Ela parecia ainda mais mulher do que dois anos atrás.

- Cadê ele?

Sina suspirou olhando para qualquer lugar, menos para mim.

- Espero que bem longe.

Behind the lights |HIATUS|Onde as histórias ganham vida. Descobre agora