Capítulo 06.

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     Reviro meu guarda-roupa de cabeça para cima, procurando uma roupa social para uma entrevista de emprego que eu iria fazer

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     Reviro meu guarda-roupa de cabeça para cima, procurando uma roupa social para uma entrevista de emprego que eu iria fazer. Assim que Jhonn saiu eu recebi uma ligação de uma floricultura, eu nem me lembrava que havia entregado currículo em uma floricultura, eu estava realmente desesperada para encontrar um emprego.

— Caralho que furacão passou aqui? — saio do bolo de roupas em que encontrava-me e observo uma cabeleireira negra adentrar o meu quarto. — Gente, tô me sentindo em casa — sorrio para ela que segurava uma bolsinha, que logo foi atirada na cama juntamente com seu corpo esbelto. — O que você está aprontando?

— Preciso de uma roupa formal para uma entrevista formal, mas a única roupas que tenho são coloridas e esvoaçantes — explico gesticulando com a mão.

      A morena estirada sobre a cama, senta e me observa atentamente. Ayla Campbell é uma mulher jovem e muito linda, eu a conheci na faculdade enquanto cursava letras, a bela garota a minha frente estava fazendo direito, o que nós fez ficar bem próxima já que a sala dela era de frente para minha. Nossa amizade começou com o famoso "eu não gostava de você" mas nos tornamos amigas depois de um acaso do destino.

     Eu havia saído da sala para ir ao banheiro com o meu costumeiro moletom cinza, e acabei encontrando-a chorando em uma das pias do banheiro, a pobrezinha estava tão assutada que mesmo não indo muito com a cara dela, me aproximei e perguntei o que havia acontecido. E ela na base do desespero me contou que sua menstruação havia descido do nada, manchado sua calça jeans branca como nuvem e ela não tinha nada para esconder. Acabei que sugeri que trocássemos de blusa, pois eu sempre vestia meu moletom cinza com uma blusa de alcinha por baixo, caso esquente, enquanto ela andava só com roupa de grife e cintos da Gucci.

      Ela acabou amarrando meu moletom em sua cintura, que graças a Deus deu para tampar a mancha na sua calça branca. Apartir desse dia ficamos amigas inseparáveis, acabei descobrindo que ela não era tão horrenda como eu imaginava e que a julguei mal.

— Que tipo de emprego? — perguntou sentando na cama para tentar achar algo vestível não meu guarda-roupa.

— Floricultura — sorrio enquanto seus olhos verdes se reviram, logo volta a jogar-se na cama caindo por cima do meu ursinho, faço uma careta. Ela reclama que "caiu" em cima de algo e simplesmente pega meu urso e joga no chão. — Eii! Não faz isso com o Pooh! — levanto-me do chão e vou até ele pegando-o.

— Qualquer trapo que você colocar estará ótimo — reviro os olhos. Ayla levanta e vai até minhas roupas que estavam espalhadas pelo chão do quarto, abraço meu ursinho esperando ela escolher o que eu vou vestir. — Toma — ela joga em cima da cama minha calça jeans preta e uma camisa social feminina rosa clara de botões. — É a roupa mais social que você tem — faço uma careta. Precisava fazer compras.

— Amarra essa bucha que você chama de cabelo e voalá... piranha produzida — riu sentando na cama, cruzou as pernas uma em cima da outra e olhou-me de lado, aquela garota esbanjava beleza e estilo.

    Deixo meu ursinho em cima da cama e me olho no espelho, eu me achava tão comum. Eu estava um pouco acima do peso, alguns pneuzinhos já mostravam isso. Meus olhos não eram claros e sim um castanho escuro quase preto, não tinha bunda grande, mas em compensação meus seios eram bem fartos o que me dava certo incômodo e timidez com eles, pois isso era apenas uma genética de família mesmo. Minha cintura não era fininha, muito pelo contrário alguns dobrinhas já estavam amostra. A única coisa que eu tinha orgulho era meu cabelo cacheado, era grande e meus cachinhos eram bem definidos, devido ao tamanho cuidado que tenho com ele.

— Que dia é sua entrevista? — saio da frente do espelho e me viro para a morena de olhos verdes deitada na minha cama.

— Amanhã — ela da de ombros e me ajuda a guarda as roupas espalhadas no chão, deixo separado a que ela escolheu em um cabide e me sento na cama, logo ela senta-se ao meu lado. — E o Jhonny? — sinto minhas bochechas esquentarem. Merda.

— O que tem o Jhonn? — abaixo a cabeça sentindo o meu lado tímido ser ativado. Lembro do cheiro marcante do seu perfume juntamente com o aroma suave de café e das sensações estranhas que senti.

— O que foi isso? O que está escondendo de mim, dona Anna? — um sorriso involuntário escapa de meus lábios, repreendo-me mentalmente. — Shippo, hein.

— Não diga bobagens eu e Jhonn  somos apenas amigos, nada mais — sua gargalhada alta me chama a atenção.

— Quero ver até quando vai durar essa "amizade" — fez aspas com as mãos. — Eu já te falei que o bonitão tá apaixona.....

— Não enche, você sabe que não estou aberta a rel.......

— "Não estou aberta a relacionamentos" e blá blá blá — interrompeu-me. — Já pode parar com esse teu papinho de vovó, né? Se tá precisando de uma rola, isso sim! — sinto minhas bochechas esquentarem novamente. Ayla é o tipo de amiga grossa, anti-rômantica, destruidora de corações.

— Não estou precisando de uma rola, Aylaine — sua careta me faz rir. Ela detesta seu nome, desde que a conheci ela só pede que a chamem de Ayla. — E além do mais eu e Jhonn somos apenas amigos, só isso. Não sei de onde você inventa que ele gosta de mim, por favor né? E também somos tão diferentes, não combinam....

— Anna, um quebra-cabeça não se completa com pesas iguais! — abaixo a cabeça. Eu já conhecia esse discurso. — Estou cansada de te ver andar como uma mula e bancar a sonsa! Acorda! — sinto ela aproximar-se e sentar ao meu lado. — Eu não invento coisas, Anna. Eu enxergo é diferente, meus olhos não estão fechados como os seus!

— Chega Ayla! — levanto-me de uma só vez, eu já estava cansada desse discurso. — Jhonny e eu somos apenas amigos, e isso não vai mudar!

Anna......

— Não! Eu não quero saber de relacionamentos, já sofri demais por conta de homem e não estou afim de sofrer de novo. Só eu sei o quanto doeu ver o meu namorado transando com aquela mulher! Só eu sei o quanto aquilo doeu e ainda dói! Por favor, compreenda! — soluço, eu nem percebi que já estava chorando. Elevo as duas mãos até o rosto o limpando, eu não vou chorar eu prometi a mim mesma que não choraria por ele de novo.

      Sinto Ayla levantar da cama e vim até mim, seu abraço me acalma por alguns segundos. Ela afasta-se e segura em meus ombros, encaro seus olhos verdes preocupados.

— Quando vai perceber que você é mais do que isso, Anna? Espero que quando abrir os olhos, não seja tarde demais — com essas palavras ela respira fundo e sai do quarto. Me deixando sozinha. Limpo minhas bochechas e sento na cama.

    Respiro fundo, tentando me acalmar aos poucos mesmo que no momento isso seja difícil, meu coração ainda estava muito bagunçado. Eu tinha total certeza que não sentia absolutamente nada por aquele cara.... ou talvez eu sentisse um pouco? Não, não eu não sinto. Ele me humilhou! Zombou de mim e me tratou como se eu fosse uma qualquer, e eu não posso nutrir sentimentos por uma pessoa assim. Seria o cúmulo da burrice.  

  

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