1. À MARGEM DO RIO

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Reed estava cansada de repetir a mesma história: era o seu primeiro dia de folga do emprego de cozinheira no restaurante da pequena cidade que seria o seu lar pelos próximos dias, quando decidiu sair para fazer trilha e conhecer a região; seu pass...

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Reed estava cansada de repetir a mesma história: era o seu primeiro dia de folga do emprego de cozinheira no restaurante da pequena cidade que seria o seu lar pelos próximos dias, quando decidiu sair para fazer trilha e conhecer a região; seu passeio foi interrompido ao passar por uma das muitas trilhas de caça que havia por ali e notar que, abaixo do desfiladeiro, à margem do rio, um casal travava uma discussão fervorosa.

De onde estava não conseguia ouvir nada do que eles diziam, mas com a ajuda do seu binóculo, observou que a garota era branca, possuía longos cabelos castanhos e aparentava ter cerca de vinte e poucos anos de idade em contrapartida do homem com quem discutia que parecia ser bem mais velho, era alto e tinha cabelos escuros, mas Reed não conseguiu ver o rosto dele sob o boné laranja que era distribuído durante a temporada de caça, além de não conseguir armazenar nem mais uma informação em seu cérebro depois que ele empurrou a mulher no chão como um saco de batatas e avançou sobre ela apertando as mãos em volta do pescoço até que perdesse as forças e desistisse de lutar.

Assustada, talvez traumatizada e irracionalmente temendo ser vista pelo assassino, Reed começou a correr ainda nutrindo a ilusão de conseguir encontrar ajuda e voltar a tempo de salvar a vida da desconhecida, mas percebeu que era tarde demais para ela quando finalmente encontrou alguém que também corria por aquela trilha.

Este fato havia acontecido há duas semanas e Reed havia sido chamada de volta à delegacia para reconhecer o corpo de uma mulher encontrada rio abaixo na cidade vizinha, cujas características físicas combinavam com a sua descrição da garota que tinha visto ser morta.

O delegado no entanto, perdeu o interesse pelo seu depoimento - o quinto em menos de quinze dias - quando ouviu-a afirmar veementemente que o corpo encontrado não era o da "sua garota" e nem se preocupou em fingir que prestava atenção aos seus argumentos, mas começou a fuçar todas as gavetas do escritório abrindo um enorme sorriso de satisfação quando finalmente encontrou o grampeador que tanto procurava, dando a Reed o total e triste entendimento de que talvez nunca houvesse justiça para aquela pobre moça, talvez o corpo dela nunca fosse encontrado e a família jamais tivesse a chance de descobrir o que aconteceu.

Insanidades de Uma Garota EstranhaOnde as histórias ganham vida. Descobre agora