Introdução

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Há muito tempo.

Uma chuva torrencial descia sobre a terra, feita de traição, de erros e de glória.

Oito heróis lutavam pelo futuro. Oito heróis de cada um dos clãs, lutam contra uma divindade, um pecado irreversível e necessário. Oito heróis enfrentava Ashura, o semideus da fúria e da guerra.

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“- Ashura, renda-se!” - Disse o herói do Deserto. Portando o bastão Ilusão do Entardecer, atingiu o meio da testa do deus que caiu no chão por causa do encanto. Uma cratera se abriu no impacto.

Só era possível um dos semideuses cair nesse golpe por estar enfraquecido.

Era um momento místico, único nos últimos dois mil anos. O dia da criação.

- Agora, Lago, Céu e Floresta! - O samurai do clã do Deserto era o estrategista que planejou cada passo da ação. Aquela seria a maior ação que os mortais já tentaram, mesmo para aqueles homens reunidos ali, que já eram lendas, seria algo único. Matar um ser divino.

Uma floresta cresceu na gigantesca mão direita do semideus do Caos, quando foi atingido pelo potente golpe do shaman do clã da Floresta, que portava o boken Mata Eterna, feito da seiva da árvore mais antiga do mundo e usando a essência - carne e sangue - do seu portador, era a arma perfeita para aquele guerreiro que negava o aço.

Na mão esquerda um lodo pegajoso surgia cobrindo até o cotovelo, era expelido de uma pedra mística que estava na mão do shugenja do clã do Lago. A joia era feita da pressão da água sobre ossos de animais pouco vistos por aqueles que não nadavam até as profundezas do lago Ryushou, a pedra Glória Submersa.

Como um pássaro de luz, o guerreiro do Céu desceu do seu voo, disparando flechas elétricas do poderoso Relâmpago da Alvorada.

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Aquela era uma batalha incrível, que seria narrada para sempre, porém o vencedor seria óbvio em um dia normal.

Por causa de certos alinhamentos planares, atividade marítima, estação da lua, ano do animal correto e tantos outros fatores que aconteciam naquele momento, os deuses estavam mais fracos, sem sua imortalidade se escondiam nos lares divinos. Porém aquele deus não se esconderia jamais.

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Montanha não esperou o comando, era o mais velho e queria provar que não devia nada aos jovens kensais. Sua armadura, Couraça Divina não só protegia seu corpo, como aumentava sua força interior. Canalizou seu ki atingindo a base do despenhadeiro, provocando um desmoronamento em cima de Ashura.

O local escolhido não era acaso.  Uma esfera tinha caído do céu, aberto um buraco e aquela área se tornou um vale impregnado de uma energia mística. Com muito esforço eles tinham conseguido levar a divindade até aquele lugar, seu futuro túmulo.

Luz e Sombra tinham criado os selos. Assim que as rochas cobriram o alvo, eles desenharam diagramas usando as armas irmãs, a naginata Crepúsculo Púrpura e a kusarigama Luz da Aurora. Feitas no mesmo dia, pelo mesmo artesão e dos mesmos materiais, tinham a sincronia perfeita quando usadas juntas, ainda mais com aqueles dois, o casal que unia dois clãs tão diferentes.

A cada ataque o ki deles penetrava e montava um complexo sistema de ideogramas e sinais mágicos.

Um terremoto. O próprio firmamento parecia se abalar com a força daquele semideus. Ashura estava livre da ilusão. A cada força que ele fazia, os símbolos brilhavam, sua voz estava abafada e mesmo assim parecia vir da noite estrelada.

- Mortais, como ousam? Como souberam que hoje era o dia?

- Não importa. Hoje acaba seu reinado caótico e sem esperança. - O representante do clã do Mar se concentrou no tridente em suas mãos, o Desbravador Submerso.

Ele girou o tridente sobre a cabeça inúmeras vezes. Os poucos animais que estavam na redondeza fugiram em desespero. Os heróis que estavam próximos foram para pontos específicos para aguardar o momento da última ação.

Mais alto que as montanhas uma onda surgiu, um tsunami sem precedentes encheu rapidamente o vale que a esfera vinda do céu tinha criado. O semideus que já estava preso de várias formas, agora estava submerso.

Na derradeira ação conjunta, os oito heróis usaram todo seu poder para derrotar o semideus e salvar o mundo da sua loucura.

Tirado do Tomo Milenar - As oitos luzes da esperança.

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