Capítulo 01.

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   Encaro meu reflexo no espelho, meus olhos estavam inchados e avermelhados, com algumas olheiras por baixo dos mesmo

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   Encaro meu reflexo no espelho, meus olhos estavam inchados e avermelhados, com algumas olheiras por baixo dos mesmo. Levanto os olhos para o reflexo do meu cabelo cacheado, que no momento mais parecia um ninho de passarinho. Faço uma careta. Eu estava péssima, ganharia fácil, fácil de um mendigo.

     Suspiro, vou até o box e ligo o chuveiro, deixando a água morna cair sobre meu corpo. Meus fios castanhos caem sobre meu rosto, penteio os mesmo levemente com os dedos, passando suavemente por cada nó até desembaraça-lo totalmente. Termino de tomar banho e saio do chuveiro, enrolo uma toalha ao redor do meu corpo e coloco uma de cetim no meu cabelo, saio do banheiro e ando vagamente pelo quarto.

     Uma bandeja com café da manhã atrai minha atenção, aproximo-me confusa. Havia torradas, suco de maracujá, salada de frutas e pão de queijo, um sorriso toma conta do meu rosto ao ver uma rosa branca no centro da bandeja, junto dela um bilhete, pego os dois, elevo a rosa até o nariz e cheiro seu perfume tão único e especial. Abro o pequeno bilhete e leio:

Bom dia, desculpe não ficar para o café da manhã, tive que sair. Espero que esteja melhor, podemos nos encontrar no Dennis para almoçar, se quiser.

    Volto meu olhar para a bandeja com o café da manhã. Se tem uma coisa que me orgulho do meu melhor amigo é que ele cozinha super bem, ter amigo cozinheiro é a melhor virtude da vida, sério.

    Pego uma torrada e como, vou até o closet e opto por um vestido azul royal soltinho e confortável. Ontem eu havia entregado currículo em todos os lugares que eu tinha conhecimento. Tinha andado tanto que sentia meus músculos da perna doloridos. Melhor que academia.

    Vou para frente do espelho e encaro meus fios castanhos úmidos, pego um creme e separo o topo da cabeça, para fazer uma fitagem. Meu cabelo batia no meio da bunda, mas os cachinhos os levavam até a cintura. O que era triste, mas lindo. Já com o braço também dolorido, termino a fitagem e saio do quarto, indo até meu quartinho de pintura.

    Observo os quadros em branco pela sala toda manchada de tinta, vou até um quadro que estava desenhado e outro perto dele que estava com a pintura incompleta. Admiro as cores alegres que eu havia usado.

    Admiro o desenho todo detalhado que eu havia feito, uma cachoeira despenca de um rochedo caindo em um um lago com águas cristalinas, as árvores ao redor com folhas amareladas indicavam a chegada do outono, junto com algumas folhas que estavam espalhadas pela grama verdinha. Um alce, que ainda não estava completo, aproximava-se do lago para poder saborear a água fresca. O céu estava com poucas nuvens, raios solares cruzavam a floresta dando um ar de mistério.

     Elevo a mão até a boca, faltava desenhar algumas flores, algumas pedras, o alce, e da uns toques finais na grama. Eu estava tão sem tempo para terminar esse desenho. Suspiro, vou até a pequena janela do meu apartamento e olho a vista lá fora.

    Havia pouco tempo que eu tinha terminado minha faculdade de letras, estava procurando emprego em alguma editora de livros, pois ler e escrever é minha paixão. Eu trabalhava em uma cafeteria a duas quadras de onde fica meu apartamento, deu tempo de conseguir juntar um dinheiro, eu conseguiria pagar dois meses de aluguel e não passar fome, mas o dinheiro estava acabando e eu precisava urgentemente de outro emprego.

    Eu morava sozinha já tinha quase um ano, sai de casa aos meus vinte anos e aluguei um apartamento, estava tudo certo, eu tinha um bom emprego, uma casa mobiliada, uma faculdade e um namorado, se é que posso chamar aquele estrume disso.

    Quando tudo de repente começou a desabar na minha vida. Primeiramente, perdi meu emprego, por causa de um babaca que passou a mão na minha bunda com uma cantada barata, não aguentei e dei um maravilhoso tapa naquela carinha de talco dele. Até parece que um cara vai me chamar de "gostosa, me dá um tapa na bunda e eu vou sorrir para ele, coitado! Apanhou e apanhou bonito, não me arrependo de nada.

    Deu um tremendo barraco na Cafetaria do senhor Will, acabei que fui despedida por agressão ao cliente. Só de lembrar disto, eu fico indignada. Que injustiça! Eu nem deixei o olho daquele panaca roxo. Cruzo os braços inconformada, idiota!

    Depois de todo esse acontecimento catastrófico, eu acabei descobrindo que era corna durante cinco meses, de uma garota meia boca, pior que um dragão. O cafajeste que eu chamava de namorado levava aquela rameira para todos os lugares que um dia eu cheguei a chamar de nosso, e eu não quero nem me lembrar de como descobri essa traição.

Não vou negar que chorei, pois chorei muito. Chorei demais, fiquei depresiva durante dias, poxa estávamos a dois anos juntos, confiava naquele idiota de olhos fechados. Estávamos fazendo planos de casamento! Sinto meus olhos marejados. Ele ainda teve a audácia de me culpar da traição, me chamou de fria, disse que eu não tinha capacidades de da prazer a ele e nem a ninguém! Que tipo de cara faz isso? Meu sonho era casar virgem! Custava respeitar, poxa! Não só de sexo vive o homem.

     A única coisa que tem me salvado e me colocado em pé a cada tombo, foi meu melhor amigo, eu não sei o que faria sem ele. Um sorriso escapa de meu rosto ao lembrar da noite incrível que passamos juntos. Quando terminei o meu namoro-quase-noivado fiquei super triste e por não ter muitas amigas, na verdade quase nenhuma. Meu incrível, super melhor amigo fez uma noite de garotas comigo.

     Ele comprou tudo que temos direito e assistimos diversos filmes, nunca ri tanto como naquele dia. Ele deixou que eu testasse inúmeras receitinhas de máscara de hidratação nele, tanto capilar quanto facial. Lembro de ficarmos a noite toda lembrando as inúmeras cagadas que fizemos na vida quando éramos mais novos, gente ele era um vândalo terrorista, sério. Nunca vi fazer tanta merda, e sempre me levando junto. Saudades dessa época.

    Me afasto da janela sorrindo atoa, ando calmamente pela sala toda manchada de tinta, tanto no chão quanto nas paredes. Diversos baldes e pincéis estavam espalhados pelo lugar, realmente uma bagunça, minha bagunça, meu cantinho. Ele representava significativamente como eu estava bagunçada por dentro, como sempre estou. Mas eu precisava me arrumar, como arrumar esse cômodo, precisava me reajustar e colocar tudo em ordem, como os baldes de tintas e as paredes rabiscadas.

Era essa minha mania, eu só arrumava esse lugar quando precisava também arrumar meu coração, quando precisava organizar meus pensamentos e deixar tudo em ordem novamente, antes de vir uma ventania e os bagunçar, como uma pilha de papéis empilhados que são espalhados pelo lugar, apenas com o leve sopro da brisa que passa pela janela e os atinge.

Eu precisava arrumar, mesmo que um furacão passa-se por ele depois, bagunçando e desorganizando meus sentimentos. Eu precisava reajustá-los de novo, como sempre faço, como sempre farei. Suspiro, eu precisava arrumar.

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