10. Realidade aumentada. (Jade)

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— Minhas cachinhos dourados. — Mamãe agarrou-me já na porta do meu apartamento em um abraço muito apertado e cheio de beijos ao redor do rosto, como se eu tivesse cinco anos de idade. — Você vai ou não pintar esse cabelo? — Fez a pergunta de um milhão de reais (sim, isso foi um trocadilho!) e a ela eu não poderia me esquivar, como evitei a toda a imprensa, durante uma semana, a pedido de Mike.

Ele foi o próximo a cumprimentá-la, saindo da cozinha e chegando à sala vestido com seu jeans escuro e camisa social branca dobrada nos cotovelos. Como sempre, estava apertada em seus músculos de ferro do braço.

Era lindo de molhar a calcinha e acho que mamãe percebeu isso pelo seu blush instantâneo nas bochechas. Até esqueceu a resposta sobre o cabelo e deu uma batidinha no braço poderoso de Mike:

— Você que é o famoso fada madrinha da nossa bebê?

Eu não tenho mais cachinhos, não sou bebê, mas, para meus pais e, talvez, para os seus, todos nós somos ainda.

Mike olhou-me e lhe devolvi um sorriso de "não contei que você é gay, fada madrinha é uma piada comum, rapaz!" Coitado, eu lhe passara uma lista na cozinha de proibições para esse fim de semana! Opinar sobre maquiagem, roupas ou sapatos nem pensar; falar de música ou filme cult demais de pernas cruzadas, nope; citar bordões de diva depressão, not, not mortinha da silva; dar dicas de produtos de beleza, nem sob tortura. Porque ele era tão in em qualquer assunto feminino, que podia jurar que passava o dia lendo todas as revistas e sites e assistindo todos os programas femininos da TV. Ninguém era mais up to date que my perfect agente! Você vê que eu o chamo de produtor, agente, assessor, gênio, tudo, porque cada hora está pronto para me salvar do mundo. Ok, podemos chamar isso também de fada madrinha.

— Eu tento, mas, ela não dá trabalho. — Mentiu com aquele sorriso branco, grande e devastador que encolhe seus olhos azuis divinos e me faz ficar com uma cara de boba.

— Mike está sendo pago para dizer que não dou trabalho, não acredite muito no que diz sobre mim, mamãe, porque ele pode te fazer acreditar que eu mereço o próximo Oscar! Essa criatura é o maior manipulador da imprensa!

— E da sua vida também! — Papai riu e estendeu a mão para Mike, de forma mais tímida e reservada, observando a sala. — Vejo que isso aqui ficou mais habitável — comentou.

Sim, Mike tinha contratado uma empregada pra manter tudo limpíssimo, comprado mobílias novas, objetos de arte e quadros. Junto com uma arquiteta que contratou, redecoraram tudo com meu livre aval. Eu nem me lembrava como era minha vida desorganizada naquela sala branquela e sem estilo antiga.

— Isso porque não viu meu guarda-roupa. — Abri minha boca e Mike franziu a testa com a dica "ops, primeira gafe foi sua". — Ele contratou uma personal style pra mim, que faz todas as compras e, agora, ando bem "arrumadinha" — falei a língua da mamãe, que me olhou de cima abaixo só de saia e camiseta florida, super à vontade em casa. Não viu diferença.

Mas, hei, hei, ok, eu não preciso estar vestida para uma premiação. A ideia do fim de semana era ficar de chinelo e comer com meus pais em casa da forma mais normal possível.

Só que o normal aos padrões do Mike é desconsertante. Avisei que mamãe ia reparar que todas aquelas comidinhas perfeitas de minijantar em pequenos potinhos decorados e os sanduichinhos sofisticados não tinham cara de serem feitos por nós. Havia tudo: doces delicados, bebidas, salgadinhos de forno, como se fôssemos receber uma tropa. Ele mandou jogar tudo na minha conta e dizer que eu mesma encomendei. Sendo que mal sei em que lugares pediu toda aquela orgia gourmet. Estava fora de cogitação explicar como ele tinha gosto refinado.

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