CAPÍTULO 2

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Quando chegamos à Avenida Vieira Souto, a orla de Ipanema está totalmente tomada por um dos blocos mais tradicionais do Rio de Janeiro. Dou uma mão para Yara e outra para Diego que vai na frente, guiado por Bruno, até encontrar um espaço no meio da multidão.

Ainda que estejamos longe do trio elétrico no meio do bloco, a música alta não permite que ninguém fique parado. Yara, Cauã e Diego tratam de comprar cervejas enquanto eu e Bruno bebemos a água que Pedro trouxe. O calor recorde do carnaval desse ano fica ainda mais intenso com aquela gente toda junta.

Danço com Yara cantando alto cada música. Um menino que aparenta ter uns seis anos, vestido de homem-aranha, passa por nós tacando confete pro ar. Brincamos com ele, pedindo mais confete e ele joga antes de uma odalisca passar caminhando, dançando e guiando a criança pela nunca. Me pergunto que tipo de doido leva o filho pequeno para um bloco tão grande com tantas festas infantis acontecendo pela cidade...

Viro para trás e encontro Diego me encarando e sorrindo.

— Que foi? — Pergunto ao pé do ouvido.

— Você. — Ele fala com a mão no meu pescoço e o polegar na minha bochecha. — Você é muito linda.

Sorrio e trago ele mais pra perto pelo cós da jardineira. Diego entende o movimento e me segura pela cintura enquanto apoio um braço sobre seu pescoço. Inclino a cabeça para cima e ele apoia minha nuca antes que nossos lábios se encontrem. Me lembro de nosso primeiro beijo, naquela mesma orla, me fazendo esquecer de toda a festa em volta. Beijo devagar e aquele continua sendo o beijo mais mágico do mundo.

Diego parece ler meus pensamentos e sorri enquanto mordo seu lábio de leve. Me aperta ainda mais no abraço quando termino o beijo num selinho. Abro o olho e ele ainda tem os dele fechados. Dou um beijo leve nos lábios dele e outro no nariz. Ele sorri, e abre o olho enquanto faz carinho no meu rosto.

— Duas crianças! – Ouvimos Cauã dizer e imediatamente saímos do transe. Quando nos viramos, entendemos que não éramos nós as crianças. A cena a nossa frente era digna de Ensino Médio.

Yara aos beijos com um Fred Flinston, enquanto Bruno beijava uma unicórnia. O patético, entretanto, era que um fazia questão de esbarrar no outro e espiar o casal vizinho a cada brecha possível. O objetivo ali era claro: provocar ciúmes.

— Quem começou? — Pergunto e Pedro aponta para Yara.

— Na verdade ela começou a beijar. Quem catou outra do nada foi o Bruno. — Cauã explica e eu reviro os olhos.

— O clima tá esquisito desde lá de cima... — Diego fala e depois me pergunta: — Ela tava de boa ontem?

— Tava ótima!

— Sabe que eu nunca entendi por que eles terminaram? — Pedro diz e eu respondo sem tirar os olhos da cena.

— Eles não terminaram.

Era esse o problema. Yara e Bruno se conheceram e começaram a se envolver na mesma época que eu e Diego. E, quando eu comecei a namorar, os dois estavam se encontrando com muita frequência. Eles basicamente tinham um relacionamento. Entretanto, um relacionamento que não era assumido por nenhuma das partes, já que ambos não queriam nada sério no momento.

Tanto Yara quanto Bruno sempre foram adeptos de que a solteirice é incrível porque você pode ficar com quem quiser e não precisa se apegar a ninguém. O que eles não souberam foi lidar com essa ideologia quando se viram gostando de verdade de um do outro. E o que aconteceu foi que eles simplesmente se afastaram, sem nenhuma explicação ou conversa. Os encontros foram rareando, seguidos pelas mensagens que em pouco mais de um mês já eram inexistentes.

De Volta ao CarnavalWhere stories live. Discover now