Capítulo 1.

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— Sina está comida está maravilhosa!— sorrio com o elogio — E o seu restaurante é simplesmente prefeito. Cada detalhe. Parabéns, você conseguiu.

— Obrigada. Muito obrigada. — agradeço a senhora sentada a minha frente, e olho em volta para apreciar tudo que conquistei.

Eu sempre sonhei em ter meu próprio restaurante. Fazer meus melhores pratos e ver as pessoas saboreando cada pedacinho como se fosse único. E agora eu consegui. Tenho meu próprio restaurante, e claro que não poderia ter chego ate aqui sem a ajuda de mamãe e da minha avó, que me apoiaram desde o começo.

Olho para as duas, que estão sorrindo para mim. Minha mãe sussurra dizendo que consegui e que está orgulhosa. Meu peito se enche de alegria, e não poderia querer mais nada.

— Sina! Sina! — alguém grita meu nome, mas não vejo ninguém. — Sina!

É a voz do meu pai, mas não o vejo. Olho para todos os lados, e não o encontro. Ouço sua voz mais nítida e mais alta. Sinto meu corpo inteiro se mexer e não entendo o que está acontecendo.

— Sina! Acorde!

Abro os olhos e vejo meu pai parado ao lado da minha cama. E claro, não parece nada feliz. Fecho os olhos com força e tento voltar para o meu sonho, mas sei que é impossível.  Respiro fundo, abrindo os olhos novamente, encarando meu pai.

— Me chamou, pai? — digo, não contendo meu sarcasmo.

Meu pai estreita os olhos para mim.

— Porque eu cheguei do trabalho, e não havia café da manhã posto a mesa para mim? — ele pergunta, cuspindo as palavras, para que eu sinta o quanto está zangado.

Meu pai trabalha a noite como vigia, e chega pela manhã, sempre esperando que tudo esteja pronto para ele quando entrar em casa. E eu sempre deixo, mas hoje foi um dos dias em que me perdi no meu sonho favorito e talvez não tenha escutado o alarme tocar. Queria que esse sonho tivesse valido a pena, mas não valeu. Não quando odeio ouvir meu pai gritar comigo.

Afasto as cobertas para o lado e me sento na cama. Papai ainda me olha com a mesma feição de antes.

— Me desculpe pai. Não ouvi o despertador tocar, e perdi a hora. — digo, receosa e torcendo para que ele entenda que não fiz por mal.

Ele da um passo a frente e esta com o rosto próximo ao meu agora, com os olhos furiosos. Pisco várias vezes, prevendo o que pode acontecer em seguida. Ele segura meu braço com força e me puxa para fora da cama, me deixando em pé, de frente para ele. Tento não mostrar o quanto está doendo seu dedos apertando o meu braço, pois posso deixá-lo mais irritado e não quero isso.

— Escuta aqui. Mas escuta bem, pois não irei repetir. Da próxima vez que eu chegar e não tiver nada pronto para comer, torça para eu não te encontrar dormindo, ou nessa casa, pois não responderei por mim. Estamos entendidos?

Assinto, pois não consigo falar nada, estou assustada demais para verbalizar qualquer coisa agora.

— Que bom. Agora vá para a cozinha e faça algo para eu comer. Não aguento mais esperar. E seja rápida, ou posso me irritar. — ele diz. Solta o meu braço, e sai do meu quarto batendo a porta.

Respiro fundo e tento controlar o nó na minha garganta. Não posso mais chorar por isso, deveria estar acostumada com o temperamento do meu pai. Ele sempre foi assim com a minha mãe. Descontava toda a raiva que sentia nela, tudo de errado que acontecia na vida dele, era culpa dela. E minha mãe nunca revidou, sempre aguentou calada as grosseirias, agressões verbais e psicológicas que ele a fazia passar. E eu via tudo isso desde pequena, e acho que mamãe nunca disse nada porque não queria que eu sentisse raiva do meu pai. Então na maioria das vezes, ela tentava mostrar para mim que, aquela situação não era algo tão ruim assim, e que papai só estava zangado mas não era um homem ruim. Mas cresci, e vi que o lado ruim dele existia sim, e que não só as situações passadas mas como todas que vieram depois, não era só porque ele estava zangado, era porque ele odiava a vida. Nada o deixava feliz, nem a mulher, nem a filha, o trabalho que tinha, nada. E mamãe não conseguiu mudar isso.

Love Again |Noart|Onde as histórias ganham vida. Descobre agora