18. História do Mundo Encantado

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— "Era uma vez...

O nosso mundo em plena escuridão e sombras, sem qualquer ser vivente, apenas terras inférteis vagando na imensidão do universo. Até aquele dia, quando uma pobre mãe desalentada balançava seu filho recém-nascido chorando nos braços.

Sem imaginar os poderes naquele ato, a mulher começou a contar sua lenda imaginada de uma criatura mística vagando sozinha e essa tinha poderes para realizar qualquer desejo.

O pai da criança, escutando sua esposa, pegou pena com tinta e pedaços de papel escrevendo essa estória. Assim as palavras foram tomando forma, o nosso lar ficou colorido conforme as descrições nas páginas antigas.

Vales verdejantes onde unicórnios e pégasos pastam, colinas onduladas esconderijos de elfos e gnomos, riachos azuis com peixes e pequenas ondinas brincando nas correntezas, montanhas pedregosas lar dos gigantes e pântanos enlameados para os tenebrosos ogros.

O garoto cresceu, se tornando um homem prestigiado, e quis vivenciar as aventuras dos contos que sua família lhe desvendou na infância. Assim que a escrita para ele se tornou um dom, o teletransporte ocorreu e ao chegar aqui houve o encontro de almas.

Bem e Mal se conectaram, a criatura mágica protagonista dos seus ideais era uma bela fada extraordinária, enquanto ele ganancioso queria dominar para virar uma grande autoridade.

O amor verdadeiro nasceu onde ninguém poderia imaginar e um castelo de puro equilíbrio foi formado. A partir desse momento, crianças humanas com sonhos maiores do que caberiam na realidade mundana, foram surgindo nesse reino.

Os seres encantados se revoltaram, pois sentiam que estavam perdendo postos importantes, enquanto os humanos tomaram conta dos destinos de todos.

Então, o rei e a rainha abriram os portões da sua residência para os jovens de qualquer espécie controlarem as distintas almas, na bondade ou maldade, assim se tornando heróis e vilões. Os próprios teriam assim responsabilidade em narrar as vidas de seus alunos dentro do Livro Sagrado, mantendo nosso mundo na mais complexa paz.

Fim."

A professora Cassandra que está lecionando sobre a História da Bondade fecha o livro e nós aplaudimos, ela sorri agradecida dando reverências, balançando suas asas de borboleta. Vivian, atrás de mim, está soluçando pela sua sensibilidade a finais felizes.

— Dessa forma os contos de fadas nasceram e a E.F.P.S. foi criada. Alguma dúvida?

A sala onde estamos é uma clareira com flores e frutas radiantes, iluminada pela luz solar vinda do teto que por magia imita o céu, ficamos sentados na grama úmida. Diversos animais pequenos andam por aqui, estou acariciando o coelhinho com penas nas orelhas que se deitou em meu colo relaxado.

— O que seria esse "puro equilíbrio" e o que acontece se não for mantido? — pergunta Rosália anotando todos os detalhes da aula, até um esquilo púrpura subir no seu caderno.

— Quer dizer que o bem e o mal precisam estar em constante harmonia. Nas estórias normalmente têm sempre o momento de um dos lados estar mais perto da vitória, para depois ser derrotado. Além disso, nem todas as obras de uma geração podem ter só os heróis, por exemplo, como vencedores. Caso o narrador quebre essa regra o nosso mundo entraria em colapso e haveria a destruição eminentemente. Por esse motivo, o Livro costuma escolher dois narradores dos extremos a cada nova geração para acompanhar as mudanças, mas não é um mandamento absoluto.

— Caso algum de nós for assassinado, morreremos de verdade? — indaga um garoto preocupado, não parece ser descendente.

— Acho que ninguém lhes explicou direito sobre o funcionamento. Não, ninguém morre de verdade. Interpretem as lendas como peças de teatro sangrentas e dramáticas, vocês serão apenas personagens, lamento que as feridas irão acompanhá-los pelo resto da vida, porém nada de mortes eternas. Ficou decidido desse jeito, pois seria difícil convencer jovens com tantas aventuras pela frente a jogaram tudo fora por um destino incerto.

Graças as fadas, pelo menos não temos que nos preocupar ainda com nossos enterros.

— Quanto tempo dura os contos de fadas? — minha vez de questionar, quem sabe ainda tenho chances de reaver a loja.

— O tempo move-se de forma diferente nessas condições, principalmente depois de numa das versões a Bela Adormecida ter dormido por cem anos quando o escritor esqueceu da sua existência. Enfim, pode se passar décadas e ninguém envelhecerá.

— Nós podemos escolher qual lenda vamos participar?

— E precisamos nos separar?

Perguntam duas meninas quase idênticas de braços dados, pelo contato emanando energia positiva, não consigo imaginá-las longe uma da outra.

— Não e depende. Apenas o Livro tem o poder para definir os seus futuros. Sobre separações, nem precisam se preocupar, quando forem mandados para a Floresta Sem Fim todo o passado será apagado, sendo substituído pelas personalidades completas e o que for escrito daí em diante...

O sinal do término das aulas soa alto atrapalhando o resto do raciocínio e os pássaros alados cantam no mesmo timbre, assustando os bichinhos que se escondem nos arbustos e em cima das árvores.

— Bom, foi melhor do que imaginei, na próxima podemos conversar mais, até depois.

Olá, tudo bem? Esse capítulo foi apenas para explicações de como imagino o funcionamento desse mundo. Se estiver confuso, ou tiverem dúvidas por favor me avisem que tentarei dar alguma explicação / melhorada.

Espero que tenham gostado, votem, comentem e compartilhem.

Ps: Quero fazer um agradecimento especial a @Mine_Uniter por ter dedicado uma música para o livro, e a @ImEmillyCristine que fez essa capa belíssima. Aliás, eu reconheço todos que estão acompanhando a história, gostaria de marcar cada um, mas deixo a minha gratidão.

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