Capítulo 4 - O substituto

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As três garotas invadiram a sala do diretor e não foram impedidas pela secretária. Esta, ao ver a Branca, apenas volta a seus afazeres. O diretor alisava seu bigode branco enquanto lia alguns documentos. O mesmo estava sentado atrás de uma escrivaninha grande de madeira e se assusta ao ver a invasão:

– O que é isto?! – Branca se aproxima do homem enquanto Antônia fecha a porta. – O que aconteceu?

– O professor de física... – Branca olha para Camila, apreensiva. – Ele teve um ataque cardíaco!

A garota mal terminara de falar quando escutou gritos vindos do corredor. O diretor olhou para as garotas e apontou para o sofá, ambas se sentaram. Branca começa a arrumar o cabelo e as roupas de Camila. Logo a sala é invadida por uma das faxineiras da escola:

– Senhor... O seu Roberto... Está morto! – A faxineira está sem ar. A mesma quase não consegue completar a frase, tamanho é o susto.

O professor Roberto havia sofrido um ataque do coração. O mesmo fora levado pela ambulância, mas era tarde demais. Camila ainda estava em choque e era consolada por Antônia enquanto Branca e o Diretor conversavam:

– Não se preocupe querida. – O diretor alisava a bochecha de Branca, a trazendo mais perto de si. – Logo arranjaremos outro professor para sua amiga.

Branca sorri, de um modo safado e beija o homem, deixando tanto os lábios dele quanto seus bigodes sujos de batom.

O motorista deixa Camila em sua casa antes de partir com Branca e Antônia. A mesma adentra a casa escura e vazia e se dirige para o quarto. Ela trata de tirar toda a maquiagem antes de seu pai chegar e de esconder as lingeries e o uniforme emprestado no fundo do armário. Ao se deitar na cama, ela se abraça e começa a chorar. A menina se sentia muito mal pelo o que acontecera. Ela nunca imaginou que aquilo poderia acontecer. A garota ainda sentia o corpo trêmulo do professor encostando-se a seu corpo seminu. Camila então se decidiu que colocaria um ponto final em tudo aquilo no dia seguinte.

§

Assim que o pai de Camila a deixou na porta da escola, a menina avistara Branca, Antônia e Frederico sentados no jardim. Assim que se aproximou do grupo, ela despejou a decisão:

– Eu não quero mais fazer parte disso! – Branca arregalou os olhos e puxou a garota para mais perto, pelo braço.

– Está louca, Camila?! – Ela parecia furiosa. – Você não pode sair assim! – Branca respira fundo e fala no ouvido da garota. – Se você sair está expulsa da escola... É isso que você quer?

– N-não... – Camila choraminga pensando na reação do pai.

– E pelo o que parece você tirou a sorte grande, Mila... – Disse Frederico observando uma figura que adentrava o colégio.

Branca e Camila se viraram e observaram o homem  que atravessava o jardim. Era o novo professor de física. Ele era acompanhado pelo diretor que fazia questão de mostrar cada centímetro do ambiente. Alto, másculo, com cabelos cacheados cor castanhos, olhos castanhos quase pretos, lábios carnudos, com uma leve barba que cobria o maxilar e marcava ainda mais o rosto quadrado. Parecia ter uns 30 e poucos anos. O diretor se aproxima do grupo, piscando para Branca. A mesma se distancia de Camila e se aproxima dos dois homens.

– Olá diretor... – A voz dela era um misto de delicadeza e safadeza.

– Olá Branca. – O diretor sorri para a garota. – Quero lhe apresentar o novo professor de física, Benjamim.

A garota estica uma das mãos para o professor, que a segura com firmeza e diz:

– Prazer em conhecê-la, Branca.

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