11. Punição

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Na enfermaria clamei ao Livro Sagrado para que ainda estivesse ferida, dessa forma não precisaria cumprir o castigo. Mesmo assim ao tirar as bandagens estava curada, com poucos vestígios roxos dos furos.

Principalmente após ter sido mordida por aquelas fadas, só consigo imaginar o pior acontecendo.

Já Elizabeth nem precisou esperar, num toque da varinha de condão o corte cicatrizou sem tardar. O veneno presente nos espinhos tinha vestígios de maldição que dificultaram a melhora.

Saímos de braços dados do castelo, pela colina verdejante, o céu azul com nuvens de diversos formatos e brisa refrescante combinando nesse dia ensolarado, ajuda a esquecer do acontecido na noite passada. Brincamos de andar em conjunto, não podíamos errar os passos. Esquerda e direita, esquerda e direita.

— Como acha que será a punição? — pergunto me divertindo quando ela errava a marcha, fazendo caretas esquisitas.

— Não deve ser algo de outro mundo, nós salvamos a escola.

— Depois de quase termos destruído.

— De qualquer jeito — continua rindo — Nada que outros alunos já não tenham feito pior. — as madeixas platinadas dançavam a cada passada dela — Pelo menos teremos aula de Equitação antes.

Avisto ao longe os alunos esperando no gramado e alguns cavalos alados pastando em pequenos grupos. Ao chegarmos, Ravena, a única que também está nessa turma, se levanta da roda com outros prováveis vilões e vem até nós.

— Estão melhores? — ela soa mais animada do que deveria antes de saber a resposta.

— Sim, nós... — Eliza começa sendo logo interrompida.

— Ótimo, todos sabem sobre o nosso evento e não param de comentar do quão incrível fomos. — diz sorridente dando palminhas ao terminar.

— Como assim todos sabem? — indago exasperada, deveria ser um segredo de seis chaves. Sete, apenas contando com Pilipiplin.

— As paredes têm ouvidos. — fala James se aproximando — Ficamos impressionados por vocês terem conjurado um demônio.

— E derrotado! — completa Eliza levantando o dedo indicador — Estão impressionados só por que somos garotas?

— Não. Foi um ato inacreditável que ninguém jamais fez, deveriam se sentir orgulhosas. — concluí com um sorriso entre o vaidoso e o perverso.

A princesa ficou encantada pelo elogio, consegui perceber seus neurônios planejando algo e não gostei nada disso.

— Olá crianças. — diz o professor vindo ao centro do espaço — Para quem ainda não me conhece, sou o mestre Goldform, dou aulas de Coragem e Bravura para os meninos. Estou responsável hoje também por ensiná-los sobre os Pégasos e Unicórnios.

— Com licença Goldform. — atrapalha um ogro com orelhas pontudas e nariz de batata guiando Vivian e Wanda, enquanto segurava Ivy que se contorcia angustiada — Três alunas precisão me acompanhar para a punição.

— Certo — ele tira uma prancheta do casaco e começa a analisar — Elizabeth, Ravena e Venus estão dispensadas.

— Agora? — soltam as duas deprimidas.

— Me sigam. — brada o ogro.

Fomos atrás dele, cercadas pelos murmúrios dos outros adolescentes e consigo imaginar como essa fofoca se espalhou tão rápido.

Chegamos no estábulo, um lugar grande feito de madeira, o teto sendo segurado por vigas. Várias baias cheias de palha estavam sujas e consigo sentir o cheiro antes da entrada.

Escola dos Felizes para SempreOnde as histórias ganham vida. Descobre agora