Prólogo

44 0 0
                                    

A tarde aparentava uma calma sombria naquele dia fresco de primavera na grande cidade do povo NaderYul. Os ventos que vinham do leste traziam o cheiro de uma guerra prestes a eclodir.

Um grande Comandante de roupas militares azul e verde fazia sua vigília do ponto mais alto da Torre de Observação. Olhava os limites da cidade com cautela e atenção, tentando não perder nenhum movimento suspeito. Seu instinto lhe dizia que algo não estava certo. Desde os tempos da Grande Batalha pelo Portal aprendera a entender qualquer sentimento que o incomodava, especialmente um tão forte como aquele. Suas ações levaram seu povo para a vitória, com sacrifícios muito grandes, mas uma vitória.

Haviam cinco mil homens em seu comando, armados desde espadas até arco e flechas incandescentes, mas não sabia se seria suficiente caso uma guerra realmente acontecesse e qual povo estaria lutando contra.

Franziu o cenho.

Eram tempos de paz e harmonia, haviam muitos tratados de amizade. Será mesmo que seu instinto estaria lhe dizendo a verdade?

Enquanto pensava e vigiava a floresta, percebeu que um bando de pássaros saiu voando depressa de uma grande árvore de cascalho perto de onde estava. Estavam voando para longe como se soubessem que algo estava se aproximando. Os tigres dentes de sabre que faziam parte da patrulha pararam feito estátuas em seus postos e começaram a rugir alto, não sabendo para qual direção olhar primeiro. Cada um olhava para um lado da cidade.

Antes que pudesse dar ordens a seus soldados, um gigante de pedra eclodiu de debaixo da Torre com força, derrubando-a nesse movimento. O Comandante tentou se segurar, mas viu que era inútil permanecer naquele lugar, se não pensasse algo logo, estaria morto. Subiu no muro e pulou para longe da construção que era um marco de sua civilização e agora estava em frangalhos caída na terra. Aterrissou meio cambaleante da surpresa do ataque, mas sua expressão continuava firme.

– Soldados, creio que já sabem quem está nos atacando... – disse em alto e bom som para que todos o ouvissem apesar do barulho da terra se abrindo.

Tirou uma espada moldada pelos elfos de sua cintura. A arma reluzia com o Sol e era tão afiada que poderia cortar um fino fio de cabelo ao meio; o cabo era incrustado de esmeraldas, vermelho e com uma inscrição em sua língua que era impossível de ler. Um elmo prateado se materializou em volta de sua cabeça e metade de seu cabelo longo, liso e

branco ficou aparecendo sob o elmo. Os outros o seguiram em seu ato e logo todos estavam com suas armaduras prateadas resplandecendo com suas espadas.

Os inimigos eram os Destructo, um povo metade pedra e metade gigante com chifres de carneiro; carregam consigo gigantes martelos em suas costas. Eram hostis e dificilmente deixam sobreviventes em seus ataques. O que ele não entendia era porque, depois de tanto tempo, as criaturas rochosas queriam sair de seu habitat para atacar uma cidade muito fora de seu território.

Com a voz cheia de confiança, o Comandante Lery deu suas ordens para que atacassem. Não importava o quão desesperançosa sua tropa estava, alguma coisa na voz dele – mágica talvez – fazia o espírito de todos se renovar para enfrentar qualquer inimigo.

Os Destructo começaram a brotar da terra por todos os lados, destruindo tudo o que estivesse ao seu alcance. Com seus longos martelos, destelhavam casas e cortavam grandes edifícios ao meio. Flechas incandescentes eram lançadas pelos atiradores e iluminavam o céu com cores vivas, na tentativa de parar os gigantes de rocha de entrar ainda mais na cidade, onde o povo estava.

Comandante Lery murmurou algumas palavras e sua arma foi ganhando um tom amarelado, mirou para um de seus inimigos e um raio de luz saiu e o cortou em duas partes iguais. Os dois pedaços de rocha caíram no chão com um barulho ensurdecedor, virando apenas pó. Tentava fazer isso com os demais, mas viu que estava em uma tremenda desvantagem.

Observou ao redor e notou que seu exército estava sendo massacrado pelos Destructo. A terra onde tinha visto várias celebrações alegres agora parecia uma carnificina: corpos de soldados e tigres espalhados pelas ruas, grandes poças de sangue encardiam o chão feito de cerâmica. Já tinha participado de uma guerra antes, mas sempre se saíra vencedor, nunca viu tantas mortes pelo seu lado. As foices afiadas dos gigantes cortava vários soldados valentes ao meio, pingando sangue dos inocentes.

– Chamem alguém que possa nos ajudar! Os elfos, qualquer um! – gritou para um dos seus companheiros que ainda estava vivo.

– Não há tempo, senhor! Eles estão nos massacrando! – um jovem rapaz disse, se desvencilhando de um golpe fatal que o teria cortado em pedaços.

– Então junte todos os soldados e civis e os tirem daqui pelo Caminho de Lannar! Pelo amor de Deus! – ordenou, enquanto lançava uma magia de maior alcance, transformando três gigantes em pó, de uma vez.

– Mas e o...

– Eu vou ficar aqui e aguentar o tempo que for necessário! Não se preocupe, ficarei bem! – disse com um sorriso maroto e depois praguejou por quase ser soterrado por uma casa.

E com isso o rapaz deu o toque de retirada, juntando o maior número possível de pessoas, o mais rápido que podia e os guiou noite adentro para a segurança do caminho escondido que levava aos elfos.

– Não adianta lutar. Logo, meu povo vai estar em seus tempos de glória. – gritou um gigante de pedra, enquanto os outros davam gritos de aprovação.

Ranno, o Destructo líder deu um golpe com sua foice para matar de vez seu inimigo.

Um grande clarão apareceu e o Comandante Lery não viu mais nada.

A Última ChamaWhere stories live. Discover now