6. Trio Infernal

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As aulas finalmente vão começar!

Quando acordamos, os livros da escola estavam amontoados na escrivaninha. A minha primeira matéria é de História da Maldade e havia o adendo para levarmos todos os materiais do malefício. Não sabia o que isso significava, até um pequeno caldeirão de ferro com caveira, cristais e velas cair do teto.

Pela primeira vez vejo Ivy, que está na mesma classe, ficar tão animada. Quando notou que também teria aulas de bondade, ela mudou para rabugenta. Então pude perceber o seu desejo em se tornar uma bruxa reconhecida, igual a mãe.

Depois de comer fomos juntas para as masmorras. A maioria dos professores vilões tem cômodos especiais na área mais profunda, e dizem que dificilmente eles vêem o sol.

Fiquei cansada de carregar aqueles objetos enquanto descíamos ao subsolo. A sala tinha as cadeiras dispostas num semi-círculo. O assustador eram as paredes sombrias com teias de aranha, nenhuma janela para tirar o cheiro de enxofre, um círculo de pedras no meio do chão, além do teto com estalactites pontudos que poderiam machucar algum descuidado.

Sentamos na carteira do lado oposto à saída, aos poucos a sala foi enchendo com adolescentes de todos os tipos. Uns pareciam estar animados, enquanto os mais vaidosos só sabiam falar de como esse lugar é nojento.

Três rapazes entraram e ficaram na porta zoando cada aluno que passava.

— Eles não são gatos? — Ivy quase babava os olhando — Já se tornaram as lendas da maldade em menos de dois dias. Ouvi falar que colocaram fogo no colega de quarto exibidinho, queria fazer o mesmo.

A encarei espantada, eles são loucos se fizeram algo tão cruel.

— Você os conhece?

— Ethan Wolf, filho do Lobo Mal, dizem que se transforma em lobisomem. — fala apontando para o pardo, vejo os caninos alongados enquanto ele ri dos outros — Aquele é Derick Suvillan, sobrinho da Rainha Má, vi ele andando com a filha dela ontem. — o de cabelos carmim fogo parece o menos provocador — E o último é James Maléficus. Nem precisa de explicações, né. — esse tem a pele esverdeada, com chifres negros e orelhas pontudas cheias de piercing.

Sabia que nunca deveria mexer com eles.

Um garoto magrelo de óculos entra carregando o monte de livros e cadernos, ainda não entendi direito para que tudo isso. Os machões da porta começaram a caçoar dele e o fizeram tropeçar, colocando o pé no meio do caminho.

Fico indignada por ninguém fazer nada, em principal os tais "cavalheiros" que deveriam ser do bem e também pareciam indiferentes. Como alguns caíram perto de onde estava, comecei a recolhe-los, levando de volta para ele que, ainda constrangido, tentava se amparar.

— Está tudo bem? — pergunto mesmo sabendo que não.

— Si-sim. — gagueja — Obrigada.

O moreno alto se aproxima batendo nos livros que eu segurei, eles voltaram ao chão e meus braços ficaram doloridos.

— Ficou maluco? — grito o empurrando.

— Você é descendente de uma vilã, aja como tal. — fala segurando meu pulso.

Me desvencilho desse aperto, a fúria fez meu sangue esquentar. Então acerto um tapa em seu rosto, já havíamos chamado a atenção dos outros que soltam exclamações espantadas.

— Ninguém manda em mim, muito menos um brutamontes cabeça oca.

— O que está acontecendo? — esbraveja um anão carrancudo surgido do nada, o reconheço das boas-vindas.

Escola dos Felizes para SempreOnde as histórias ganham vida. Descobre agora