2. Bem-vindos à E.F.P.S.

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As fadas não me ouviram.

Precisei arrumar as coisas na pressa, tendo o espanto de que mamãe havia reunido parte dos meus vestidos numa mala com a certeza de que seria chamada.

Os livros e caderno de desenho pesavam dentro da bagagem. Não precisávamos levar tantas vestes, pois na maior parte do tempo estaríamos com uniformes e em qualquer ocasião especial eles se responsabilizariam pelas nossas roupas. Só que os livros seriam imprescindíveis para manter minha sanidade mental.

No outro quarto, Drizella e Alanis faziam questão de guardar as maquiagens e cremes caríssimos de beleza com cuidado, sem esquecer nenhum.

Foi complicado levar e, principalmente, fazer caber tudo dentro do carro. Quando conseguimos o sol estava prestes a nascer, um galo desnecessário começou a cacarejar longe, papai acelerou em direção a floresta. Precisei colocar o cinto de segurança, querendo me manter viva.

No caminho, comecei a ler o meu convite, ainda desacreditada de que estava realmente acontecendo. Poderia ser um engano, até a magia comete erros e só faltava passarmos essa vergonha no meio dos outros.

Escola dos Felizes para Sempre

Diretora: Fada Madrinha

Prezada srta. Tremaine

Temos a satisfação de informar que a jovem Venus Tremaine tem uma vaga na escola dos Felizes para Sempre. Deixando evidenciado que o rendimento da aluna acarretará em sua atribuição numa futura história.

O ano letivo começa no vigésimo quarto dia de janeiro. Aguardamos o seu comparecimento no portal da floresta encantada, assim que os raios de sol afastarem a lua.

Atenciosamente

Tinker Bell

Diretora Substituta

Era mesmo o meu nome. No pepel holográfico que refletia as cores do arco-íris enquanto foi movimentado, as letras douradas se juntavam dando sentido ao comunicado incontestável. Não tinha como fugir.

O carro parou na orla da floresta, onde muitos outros se encontram, além das carruagens. Assim que pisamos no chão, um belo moço esguio de pele azulada pediu as nossas bagagens, ele as levaria até os quartos destinados. Meu estômago revirou, por estar me aproximando desse lugar, não ter tomado o café da manhã ainda e ficar com um pouco de receio desse homem estar furtando nossas coisas.

Nunca se sabe, principalmente quando temos tantas criaturas por aí com as mãos leves.

Fomos andando na trilha de pedras, quando chegamos perto do portal havia muita gente, quase duzentas famílias pelo que pude contar. Muitas delas ficaram nos encarando, primeiro pensei que estivessem reconhecendo a Drizella. Depois que uma menina pela qual passamos puxou o meu laço, percebi que eram os vestido chamando atenção.

O meu é verde claro, com saia bailarina feita de tule até os joelhos. A parte de cima grudada ao busto, mesmo o espartilho estando extremamente apertado, não teria como mostrar os dotes que não possuo. As mangas são bufantes a baixo dos ombros com brilhos.

Já o da Alanis, cor rosa choque é longo arrastando no chão, cheio de camadas rendadas. A parte de cima fica aparente pelo decote coração e decorada com pequenas joias. Está usando até mesmo a tiara que poderia enganar para parecer uma coroa.

— Deveria ter posto mais blush. — falou mamãe beliscando minhas bochechas para que ficassem vermelhas, depois me abraçou emocionada — Estou tão feliz com essa conquista filha.

Escola dos Felizes para SempreOnde as histórias ganham vida. Descobre agora