Capítulo 34

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 Já passava de meio dia. A casa estava em completo silêncio. Sentado em um sofá, Edward fitava o vazio. O menino Peter estava adormecido com a cabeça sobre suas pernas. Agatha estava em uma poltrona logo à sua frente, esfregando as mãos sem luvas. Na pressa de saírem de casa, ela deixou de vestir várias das indumentárias regulares de uma dama. Ele não se importava. Com a aparência exausta e preocupada, ela ainda era a mais linda das mulheres de Londres.

Aiden estava jogado no sofá em seu escritório. Ele bebera tanto que apagou. Um homem de quase um metro e noventa derrubado pelo medo. Edward acariciou os cabelos de Peter e observou o semblante do menino. Os filhos de Elizabeth eram crianças lindas. Os olhos do Conde se ergueram para Agatha. Ela fitava o chão, também estava nervosa. A tensão na Trowsdale House era tão densa que poderia ser tocada.

Dentro do conde, um misto de sentimentos o deixou confuso. Ao mesmo tempo que ele jamais desejaria que sua esposa passasse por aquele trauma do parto, o desejo de ter um filho o arrebatou. Poderia ser o instinto de sobrevivência sussurrando em seu ouvido. Mas ele sentiu algo em suas entranhas. Uma sensação que começou no estômago e percorreu toda a sua coluna.

Edward não se importaria em segurar um bebezinho em seus braços. Em chamá-lo de filho, em ensiná-lo as coisas que não aprendeu com seu próprio pai. Não tinha passado um dia desde a última vez em que ele teve certeza que não deveria ter filhos, e então ele estava imaginando uma criança em sua vida. Na vida deles.

Era culpa de Aiden e sua excessiva fertilidade. Ficar rodeado de crianças fofas e bebês nascendo não o ajudava a manter uma decisão racional.

— Está demorando muito. — Agatha disse, fazendo seus pensamentos dissolverem.

— Sim, está. Deve estar tudo bem.

— Como pode saber? — Ela se levantou e começou a girar.

— Por minha experiência, querida, quando as coisas tendem a dar errado elas não levam muito tempo para estragar. Se está difícil, é porque o doutor deve estar conseguindo contornar o problema.

O conde ajeitou Peter no sofá, colocando uma almofada sob a cabeça do pequeno. Levantou-se e foi até a esposa. Segurou-a nos braços, mesmo que ela se mostrasse rebelde. Acariciou os cabelos dela e a fez recostar em seu peito.

— Acalme-se. Vai ficar tudo bem, Elizabeth já enfrentou coisas piores.

Era provável que Edward não acreditasse em suas palavras. Também era possível que soasse insensível. Mas era a forma que ele encontrava de acalmar as pessoas, tentando fazê-las acreditar que nada ruim aconteceria.

Antes que Agatha pudesse protestar ou desafiá-lo, os olhos se encontraram. O semblante indignado da esposa murchou quando capturados pelo azul do olhar do conde e ele quis beijá-la. Ele a teria beijado se não fosse um barulho de passos descendo a escada.

Milady. — A criada pessoal de Elizabeth vinha com um bebê nos braços. — O doutor está chamando o duque.

— Como ela está, Anna?

— Agora, está descansando. O doutor conseguiu tirar a criança, é um menino.

Edward e Agatha se encararam.

— Ele está vivo? Está bem?

A criada estendeu a criança que estava em seus braços para que Agatha segurasse. Foi quando ela percebeu que aquele não era o mesmo bebê de antes, aquele era menor. O conde passou os dedos pela cabeça cheia de cabelos que eram visivelmente claros e o pequeno abriu os olhos.

Um Conde para Curar meu CoraçãoWhere stories live. Discover now