Capítulo 33

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Edward tomou o copo de conhaque da mão de Aiden ao notar que a garrafa estava pela metade.

— Precisa parar, meu amigo, ou vai receber seu filho bêbado demais para segurá-lo.

— Não consigo. — Aiden perambulava pelo são, desgrenhado e agitado. — Caramba, Edward, você entenderá quando tiver o seu. Eu estou morrendo de medo.

O conde cruzou os braços sem saber o que dizer.

— Não seja bobo, vai dar tudo certo. Elizabeth já teve dois meninos saudáveis.

Claro que a experiência de Aiden com nascimentos era muito ruim. Ele vira cada um dos bebês natimortos de sua mãe, e presenciara os abortos, também. Para ele, partos eram situações altamente perigosas. Edward não queria passar por nada daquilo, mesmo sabendo que seria inevitável. No final das contas, ele precisava de um herdeiro.

— Distraia-me. Diga se você e Agatha conseguiram se acertar.

— Defina "se acertar". — O conde pressionou os lábios em uma linha fina enquanto observava o duque girar pelo salão. — E por favor, sente-se. Estou ficando tonto só de te ver girar.

Aiden sentou. Acendeu outro charuto e serviu-se de mais conhaque. Edward desistiu, ele não era capaz de impedir o amigo de fazer bobagens.

— Você sabe, Edward, que eu deveria tê-lo desafiado para um duelo. Você rompeu um importante pacto silencioso que há entre homens - nunca cobiçar a irmã do outro. Mas eu preferia vê-la casada com alguém honrado. E não há ninguém mais honrado que você, afinal.

O duque, sempre falante demais, bebeu um gole do líquido âmbar em suas mãos. Edward o fitava, aguardando que concluísse.

— Sempre houve uma enorme tensão entre você e Agatha. Vocês sempre demonstraram prazer em se desafiar. Toda vez que estavam no mesmo recinto, eu sentia que poderiam colocar fogo nas paredes só por se encararem. Mesmo depois de casados, essa tensão permaneceu. Hoje... vocês chegaram mais leves. Ela está leve. Você descobriu o que aconteceu em Nova Iorque?

O conde se sentou e bebeu do copo que tomara do amigo. Olhou para o fundo de vidro e tomou decisões rápidas que representavam a quebra da confiança de um dos irmãos Trowsdale. Se contasse a verdade a Aiden, quebraria a promessa feita a Agatha. Se não contasse, quebraria a promessa feita ao duque. Ergueu o olhar e fitou o semblante desesperado de Aiden. Ele tinha sua família para cuidar. Agatha agora era responsabilidade de Edward. Ele resolveria aquele problema. Sozinho.

— Ainda não descobri. Mas creio que não tenha sido nada grave. Sua irmã é muito livre e rebelde.

— Certo. Você tem razão, estou me preocupando à toa. E o restante? O casamento? Vocês estão bem?

— Não sei o que você quer saber, Aiden. — Edward estava ficando impaciente.

— Sabe que eu só concordei com sua proposta para reparar a reputação dela porque eu acreditava que vocês teriam um bom casamento, não sabe? — O duque disse, mas Edward continuou confuso. — Eu sei que vocês, no fundo, se gostam de uma forma estranha.

— Meu Deus. — Edward passou as mãos pelos cabelos. — Você parece Isaac falando.

— Bem, se há dois irmãos percebendo a mesma coisa, talvez você devesse prestar mais atenção, meu amigo.

O conde queria responder ou mandar Aiden à merda. Não teve essa oportunidade, pois do andar de cima descia Agatha segurando um bebê embrulhado em lã.

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A provação do parto foi difícil. Mas, quando o choro do bebê ecoou pelo quarto, Agatha se sentiu transportada para outra dimensão. A parteira ergueu o pequeno ser e o enrolou em uma manta.

Um Conde para Curar meu CoraçãoWhere stories live. Discover now