Capítulo 28

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A manhã clareou o quarto e Agatha despertou cedo demais. Era noite ainda quando os pesadelos a acordaram. Edward dormia profundamente, arrebatado pelo láudano, e ela se sentiu solitária outra vez. Vê-lo não a acalmava. A escuridão fazia com que ela respirasse com dificuldade e seu coração disparasse. Sentou à janela e ficou observando o céu se tingir de rosado até o sol nascer.

Desistindo de não fazer nada, ela se levantou e se lavou. O rosto, o pescoço, examinou o ferimento na testa. Parecia mais feio do que era. Não doía muito, ela não sentira nada demais. A lesão de Edward era mais grave, a marca roxa na cabeça dele estava muito intensa. Agatha se aproximou dele na cama e tocou os cabelos dourados como os raios de sol. A infinidade de matizes naquelas mechas fazia com que fossem ainda mais belas.

E então ele acordou.

— Ainda aqui. — Edward provocou ao vê-la sentada sobre os joelhos, olhando para ele.

— Parece que não tenho muita coisa para fazer. Como se sente? Muita dor?

— Estou bem. — Ele se ajeitou na cama e apalpou a cabeça. — Você dormiu, Agatha?

Seus olhos provavelmente estavam rodeados por marcas escuras que denotavam a privação de sono adequado. Ele percebera por ser muito perspicaz. Edward sempre prestou muita atenção em tudo ao seu redor.

— O suficiente.

— Pesadelos? — Ele perguntou, ela respondeu com um gesto de cabeça. — Podemos aproveitar que estamos os dois sem nada para fazer no momento e conversar sobre o que você me contou.

Os olhos azuis eram dois globos que continham o verão inteiro dentro deles. E eles a encaravam querendo respostas. Ele tinha o direito de saber. Mais, tudo, a história toda. Talvez ela nunca contasse, mas ele insistiria em chafurdar até descobrir o máximo de informação. Ela precisava tentar satisfazê-lo com respostas, ou convencê-lo a devolvê-la ao irmão. Como Edward era um cavalheiro e melhor amigo de Aiden, ele não faria escândalo. O casamento acabaria por motivos que ele jamais esclareceria.

E então Agatha o viu ali, na cama, pouco vestido, ferido e vulnerável. Tão lindo como um anjo caído. Era quase possível ver as labaredas que o acompanhavam. Ela estava no inferno com ele e não queria sair dali.

— Não é um assunto que me agrade, Edward. — Agatha tentou desviar o foco. — E eu já te contei as partes importantes. O que mais quer saber?

O marido levou a mão até o rosto dela. Afastou algumas mechas de cabelo e acariciou sua bochecha.

— Eu quero tanto matar o maldito que fez isso com você que sou capaz de pegar um navio para as Américas só para poder desafiá-lo. Depois, eu penduraria as partes dele pela cidade para que todo mundo soubesse que ninguém deverá nunca mais chegar perto de você. — Edward disse, sério. — Mas não farei isso. Eu só preciso... entender.

— Não há muito o que entender. Eu estava alcoolizada. Ele me violou, depois me deixou lá, como se eu fosse uma das prostitutas que eles estavam acostumados a ter.

Edward puxou-a para mais perto e Agatha recostou em seu peito nu. Deitou a cabeça nos músculos firmes e fechou os olhos ouvindo o coração dele bater. O conde acariciou seus cabelos por alguns minutos, em total silêncio.

— Isso nunca deveria ter te acontecido, Agatha. — Ele levou a boca até o topo da cabeça dela e beijou. — Eu não vou deixar que nenhum outro mal te aflija. Vou proteger você de agora em diante.

**********

O médico chegou por volta das dez da manhã. Edward já tinha levantado, se lavado e vestido. Estava entediado e descera para o salão principal. Não queria ser examinado e reclamou quando Agatha insistiu que ele precisava. Fez um trato, o médico também deveria examiná-la. Encararam-se por um minuto inteiro até que ela cedeu. Era melhor submeter-se às bobagens dele do que deixá-lo sem tratamento.

Um Conde para Curar meu CoraçãoWhere stories live. Discover now