Capítulo 27

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Dor fez com que Edward mantivesse os olhos fechados, mas ele estava desperto há minutos sem saber onde estava ou o que tinha acontecido. Um pouco desorientado, piscou algumas vezes e quis levantar o corpo mas foi impedido por mãos suaves. Ele tinha certeza que era Agatha que o amparava, até porque a voz lírica dela brincava em seus ouvidos.

— Calma. — O sussurro fez com que os pelos de sua nuca se arrepiassem. — Não se agite.

Agatha falava com suavidade. Não parecia a jovem irritante que cavalgara até a floresta, acompanhada de um criado qualquer, apenas para desafiá-lo. A delicadeza do seu toque o fez fechar os olhos novamente. Ela passava o pano úmido pelo peito dele, pela barriga, limpando-o e refrescando-o. Edward se sentia quente.

— Onde estamos? Na estalagem?

A voz dele saiu baixa, grave demais.

— Não. Quando te vi desacordado, trouxe você para Crystal Place. Esse é meu quarto, você está na minha cama. Não é um problema, afinal somos casados.

— Você me trouxe?

— Claro. Quem mais se importaria com sua saúde a ponto de cavalgar com um homem desacordado?

Ela sorriu e ele virou o pescoço para vê-la. Havia uma mancha roxa na testa de Agatha. Estava inchada e marcada com uma linha avermelhada que parecia ser sangue. Edward quis erguer o braço para tocá-la, mas ela o segurou.

— Também fui atingida. Isso não é nada, nem está doendo.

— Você podia ter morrido, Agatha! — Edward rosnou, a dor de cabeça insuportável. — Por isso eu a queria segura na estalagem. Ai.

A esposa estava limpando muito perto do ferimento que ele tinha na cabeça. A boca dela estava fechada em uma linha fina enquanto se concentrava no que fazia.

— Vou pegar láudano para você. O médico deve chegar daqui a pouco.

— Não quero me dopar. Quem vai cuidar de você? E não preciso de médico.

Agatha não ouviu, ou fingiu não ouvi-lo. Ela se levantou e voltou com uma garrafinha de vidro cheia de líquido marrom com cheiro alcoólico. A mão nos quadris indicava que ela não tinha a menor intenção de se importar com a vontade dele. Sua expressão dizia "beba".

Com cuidado, a esposa ajeitou alguns travesseiros nas costas dele. Edward foi erguido e acomodado por uma mulher que era a metade do seu tamanho, mas que demonstrava serenidade e força naquele momento. Ela entregou a garrafinha de láudano e o fez beber todo o conteúdo. Aos poucos seus músculos relaxaram e a dor ficou mais tolerável. Ele então ergueu a mão direita e tocou-a no ferimento da cabeça.

— Ai. — Agatha reclamou e segurou-o pelos dedos.

— Dói. Você mentiu, disse que não doía.

— É porque você tem a mão pesada. Parece um bruto. Vou pegar algo para você comer.

E ela saiu de perto dele outra vez, deixando-o confuso pelo ópio e solitário. Edward fechou os olhos e esperou até que ela retornasse, despertando novamente quando o ruído de metal em louça precedeu ao cheiro delicioso de uma sopa.

Ele quis olhar para Agatha e confirmar que a única mácula nela era aquela ferida na testa. Sua esposa usava um vestido simples de seda, verde esmeralda com renda, sem armações e sem espartilho. Ela tinha o cabelo castanho preso em um coque alto e alguns fios escapavam pelas laterais. Sua expressão era de exaustão.

— Você vai comer e descansar. Fui informada pelo criado que o médico não poderá vir hoje. Ele chegará amanhã, então precisa recuperar suas forças.

Um Conde para Curar meu CoraçãoWhere stories live. Discover now