Capítulo 26

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Esperar e obedecer nunca foram seu forte. Depois de comer, Agatha desceu, de calças, e solicitou que alguém a conduzisse até seu marido. Sua postura da realeza, conjugada com a prepotência de um metro e meio de altura, amedrontava os criados. O estalajadeiro explicou que eles não podiam fazer aquilo e ela ameaçou sair sozinha a cavalo atrás de Edward. Quando disseram que não selariam um cavalo, ela disse que não precisava de sela.

Claro que conseguiu o que queria. Em menos de vinte minutos, estava montada em um mestiço avermelhado, sendo guiada por um dos criados da estalagem. O proprietário achou mais prudente garantir a segurança da lady do que arriscar que ela se colocasse em perigo deliberadamente. E Agatha o faria, porque ela estava chateada com Edward. O marido não deveria tê-la deixado para trás. Não era porque tinha contado seu segredo obscuro e ele a tinha aceitado que poderia mandar nela. O conde não iria tratá-la como uma posse ou como uma criança. Ela queria tomar parte de tudo, não estava a fim de ser uma condessa fútil interessada apenas em eventos e vestidos.

Ela queria mais.

A visita à fábrica foi o marco. A partir de então, Agatha descobriu coisas novas para motivá-la. Seguindo o criado, ela continuava tendo ideias que pretendia compartilhar com Edward quando estivessem juntos, à noite. Depois de uma cavalgada de pouco mais de meia hora, eles chegaram à floresta onde o conde estava com o cigano Chal Wareham, que ela ainda não conhecia.

Ao vê-la chegar, Edward baixou a cabeça em desalento. Ele estava sobre o cavalo e conversava com o homem ao seu lado. Parou o que fazia e caminhou na direção da esposa.

— Eu não acredito. — Edward rosnou, olhando desconfiado para o criado. O homem arregalou os olhos e manteve-se em silêncio. Falar poderia ser pior do que calar. — Você não vai conseguir fazer nada do que eu peço, Agatha? Mesmo quando é para sua segurança?

— Sei que estou mais segura ao seu lado. — Ela sorriu, tentando desarmá-lo. Edward suspirou e dispensou o criado com um gesto de cabeça. — E eu não sou muito de obedecer, você sabe.

— Venha aqui, suba no meu cavalo e fique comigo.

— Não seja tolo, Edward. Sei cavalgar muito bem e posso te acompanhar.

O conde parecia que explodiria. Sua face estava tão vermelha e sua expressão era de tanta irritação que Agatha teve medo que ele a colocasse de castigo, trancada em uma torre escura. Mas ele não falou mais nada. Retornou para sua conversa com o Sr. Wareham enquanto Agatha observava. Ela conseguiu entender que discutiam sobre a necessidade de cortar algumas árvores, em períodos específicos, para garantir o crescimento ordenado da floresta. Também, sobre não exagerar na produção de madeira, para não comprometer o tempo de crescimento das árvores. O cigano projetou algumas estimativas de produção, números que ela não compreendeu mas que deixaram Edward animado.

— Agora, se tiver interesse, podemos ir até a madeireira que fica na propriedade do lado. — O Sr. Wareham convidou. — O proprietário é meu amigo, Lorde Westhouse.

— Ele tem interesse em vender? — Edward considerou.

— Talvez sim, talvez não. Acho interessante conversarem, até porque ele pode ser um prestador de serviço.

Agatha estava atenta, principalmente porque Edward a encarou com faíscas saindo do azul de seus olhos. Eles brilhavam mais que o céu claro do verão. O marido segurou as rédeas do cavalo dela com uma das mãos e se colocaram a cavalgar lado a lado, seguindo o Sr. Wareham. Já estavam vendo a serraria quando um barulho ensurdecedor a fez encolher sobre o cavalo. E tudo aconteceu muito rápido.

O ruído de algo se rompendo, seguido de uma explosão, assustou os cavalos. Agatha tomou as rédeas e controlou o mestiço em que estava montada, mas jogou-se ao chão ao ouvir o barulho sequencial que lembrava o som de vários estampidos. Mas não havia nada que produzisse disparos tão próximos, em velocidade tão acelerada. Gritos de homens se misturaram ao som, que durou segundos. O cavalo de Edward disparou na direção oposta em que eles estavam, mas sem o conde em seu lombo.

Quando Agatha conseguiu sentar sobre as pernas e olhar ao redor, havia peças de metal cravadas em partes das árvores que circulavam a estrada em que estavam. O Sr. Wareham estava desmontando e correndo na direção dela. Foi quando percebeu que não ouvia nada. Ele gritava alguma coisa e apontava, mas ela não conseguiu compreendê-lo. Até que viu seu marido caído ao chão, desacordado.

Ela se arrastou até ele. Havia um ferimento em sua cabeça, não dava para saber se ele estava vivo ou morto. Agatha quis vomitar, ela sentiu a bile em sua língua. Mas já tinha enfrentado coisas piores do que aquilo. Deitou a cabeça sobre o peito de Edward e sentiu um soluço lhe rasgar a garganta ao perceber que o coração dele batia.

— Edward. — Ela colocou a cabeça dele em seu colo. — Edward, acorde.

O cigano ajoelhou-se ao lado dela e a sacudiu pelos ombros. Ele falava, mas ela não ouvia nada. Sua cabeça estava doendo e ela percebeu que sangue vertia da testa. Passou a mão e os dedos tingiram de vermelho.

— Não estou ouvindo. — Ela gritou para o rom. — Ajude-me a tirá-lo daqui.

Balançando a cabeça, o homem não entendeu o que ela pretendia. Agatha levantou-se, ágil por causa das calças de montaria, e agarrou as rédeas do seu cavalo, que estava ali, ainda.

— Coloque-o sobre o cavalo. — Mais gritos. Os sons eram zumbidos insuportáveis que lhe causavam dor de cabeça, mas ela precisava levar Edward para algum lugar seguro. Ajoelhou-se novamente sobre ele, enquanto o cigano considerava se fazer o que ela pedia era razoável.

— A senhora não aguentará conduzi-lo. — O Sr. Wareham disse, tentando dissuadi-la de suas intenções. Agatha não conseguia ouvi-lo ainda, portanto nada iria impedi-la de fazer o que decidira em segundos. Com uma calma que não lhe era comum, encarou o rom e pronunciou as palavras bem devagar.

— Eu vou montar. O senhor vai colocá-lo montado na minha frente. Ele vai tomar sobre o cavalo e eu vou segurá-lo da melhor forma. Venha atrás de mim, nós o recompensaremos pela ajuda. Estamos indo para Crystal Place, fica a poucos quilômetros daqui.

E ela fez o que disse, montando com destreza no mestiço que estava ainda um pouco agitado pelos barulhos. O rom balançou a cabeça mais uma vez, porém ergueu Edward e, com muito esforço, conseguiu colocá-lo sobre o cavalo. O conde era um homem grande demais, a sorte era que o Sr. Wareham o ultrapassava em força bruta.

Batendo as botas nos flancos do cavalo, Agatha fez com que ele iniciasse um trote leve. Demorariam bastante para chegar, mas evitariam uma correria que faria com que Edward caísse. O rom foi atrás dela, também trotando. Enquanto Crystal Place ficava mais próxima cada pisada das ferraduras na terra úmida, o coração dela retumbava no peito.

— Não morra, Edward McFadden. — A jovem rosnou, dobrando o corpo sobre o marido. — Faça o favor de ficar vivo, eu não aguento mais perder pessoas. 

Eita! O que será que vai acontecer com nosso querido Edward? 

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Eita! O que será que vai acontecer com nosso querido Edward? 

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Um Conde para Curar meu CoraçãoWhere stories live. Discover now