Capítulo 23

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Ela achava, claro. Agatha não queria nem mesmo imaginar que o marido dormiria na mesma cama que ela por uma noite inteira. Mas a expressão de Edward indicava que ela não tinha escolha, a não ser que decidisse dormir na recepção.

— Vou pedir que sirvam o jantar aqui e me lavar.

O conde saiu do quarto e voltou minutos depois, seguido de algumas criadas com baldes de água quente. A banheira foi esvaziada e enchida novamente e, depois que as mulheres saíram, ele começou a se despir.

Agatha se encolheu na cama. Ela nem mesmo tinha trazido um livro para fingir que lia. Edward tirou a blusa, exibindo suas costas musculosas, e deixou a calça cair ao chão logo em seguida. Ela sentiu a boca seca e seu coração disparou. Aquela era a primeira vez que via um homem nu. Mesmo com sua experiência horrível em Nova Iorque, quando foi deflorada por um aproveitador que a iludiu, tudo acontecera no escuro. Ela não o vira, e estava afetada pelo álcool.

Naquele momento, Agatha estava muito consciente da nudez do marido. Edward tinha pernas bem torneadas, cobertas por pelos, assim como seus braços eram. Ele tinha pelos pelo corpo todo, bem diferente dela. E sua bunda era perfeita. Por sorte ele estava de costas e não a percebeu admirando-o. Quando ele entrou na banheira e se cobriu, ela foi preenchida por frustração.

Agatha precisava se lembrar que ela não podia ter Edward.

— O que faremos em Hampshire? Você disse que precisa inspecionar uma propriedade.

Ela disse qualquer coisa, querendo distrair-se.

— Fica ao lado de Crystal Place. Preciso confirmar se a floresta pode ser utilizada para extrair madeira, se o corte das árvores pode ser feito de forma a atender nossa demanda. Há um especialista lá, esperando por mim. Enquanto isso, você pode passear pela vila.

— Ah, claro que não. — Ela se encolheu na cama, olhando fixamente enquanto Edward se lavava. A forma como ele passava as mãos ensaboadas pelo corpo. Os dedos entre os cabelos loiros, a espuma escorrendo para fora da banheira. — Eu vou com você, eu quero participar de tudo.

O conde abriu a boca para protestar no instante em que bateram à porta. Agatha pulou para atender as criadas que traziam o jantar. Olhando para o marido nu na banheira, ela mandou que deixassem as bandejas no corredor, sobre o carrinho do serviço. Ela mesma se encarregou que colocar a comida para dentro e dispor tudo em uma mesa redona, coberta por uma toalha ensebada.

A toalha não era tão ruim assim. O lugar era simples, mas adequado. Ela estava apenas nervosa pelo que estava por vir. Se ao menos pudesse conversar com Elizabeth. Se pudesse obter alguma orientação. Ela tinha certeza que, se passasse a noite ao lado do marido, ela não resistiria às investidas de Edward.

Quando decidiu virar para o lado dele novamente, o conde já tinha saído da banheira e enrolado uma toalha de banho ao redor da cintura. Ela estava com a boca seca e acabou bebendo um gole longo demais do vinho branco que tinha acabado de servir. Percebendo que ele a incomodava, Edward virou de costas e vestiu sua calça. Agatha foi preenchida com alívio, mesmo que a figura dele úmido, despenteado e sem camisa não fosse muito alentadora.

O jantar seguiu em silêncio. Ela não quis insistir sobre ir com ele inspecionar a propriedade. Ele não discutiu reafirmando que ela não ia. A comida era simples, composta por uma sopa consistente e pão, uma carne e batatas. Agatha brincou com a comida por mais tempo do que deveria. Ela tinha fome, mas também tinha angústia.

Era parte porque ela desejava Edward. Parte porque ela não entendia desse desejo. Parte porque ela tinha medo dele. Parte porque ela podia até lutar com o próprio desejo, mas ela tinha carinho demais pelo insuportável e arrogante conde que a impedia de simplesmente jogar tudo para o alto.

Um Conde para Curar meu CoraçãoWhere stories live. Discover now