Capítulo 20

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Agatha manteve distância do marido por dois dias inteiros. Evitou-o como se ele estivesse com uma doença contagiosa. Foram dias tranquilos, principalmente porque ela dormiu bem, durante todas as noites. Teve sorte também porque Lorde Isaac não ficou muito tempo em casa e ela só precisou confraternizar com pessoas no jantar. Apesar de estar em segurança, ela estava absurdamente solitária quando chegou a noite do jantar oferecido pelo Sr. Riderhood.

Estava segura porque não corria o risco de cair nos encantos de sedução de Edward. E solitária porque ansiava por gente nova, por mulheres interessantes que pudessem conversar assuntos interessantes com ela. Ela ansiava pelo próprio marido de quem estivera fugindo.

Moira ajudou-a com um vestido que trouxera das Américas. Os que encomendara da modista ainda não estavam prontos e ela decidiu não apressá-la. Ninguém em Londres tinha visto aquele, então ela podia ir a um evento que não estava sendo organizado pela alta sociedade. Olhou-se no espelho e gostou do que viu. Os cabelos presos no alto da cabeça com uma tiara de pérolas, brincos de pérolas, um pouco de pó no cabelo, uma gargantilha de pérolas. Tudo combinava com o vestido amarelo e dourado que tinha três camadas, bordado, seda, tule e renda.

Ela não parecia uma garota inocente, e sentia-se bem assim.

Quando desceu as escadas, encontrou Edward esperando por ela. Ele usava roupa de noite completa, mas não estava de fraque. Calça cinza, colete preto com um bordado que parecia brilhar à luz, uma gravata branca impecável e presa com um único alfinete perolado. Claro que ele sabia a roupa que ela usaria, os criados devem ter contado para que ele se arrumasse de forma a combinar com ela.

Milady.

O conde segurou-a pela mão e beijou os nós dos dedos. Ele tinha a boca quente e macia e ela quis sorrir para aqueles olhos azuis que pareciam ser sempre verão.

— Seu irmão vai conosco? — Ela perguntou, sendo conduzida para a carruagem que os aguardava.

— Não, Isaac foi na frente. — Edward ajudou-a subir e sentou-se em frente a ela. Bateu no teto para indicar que o cocheiro poderia seguir. — Você está ciente de que esse evento não é como os que está acostumada? Que as pessoas lá não são as damas da sociedade, e os cavalheiros não são tão cavalheiros assim?

— Não estou. — Ela confessou, ajeitando as saias. O conde era muito grande e as pernas dele encostavam nela. — Mas estou preparada para me surpreender.

— Tente não sair de perto de mim.

O tom da voz dele era severo. Agatha quase podia acreditar que ele se importava realmente, que não agia daquela forma porque, entre os comuns, a infidelidade era algo muito ruim. Eles estariam entre os plebeus, e Edward certamente preferia agir como eles.

Não havia ninguém para recebê-los na porta. O clube de Elliot Riderhood era o mais exclusivo de Londres e contava com sócios muito ricos, mas a maioria era da burguesia britânica. A nobreza já tinha perdido muita riqueza e, como dizia Aiden, o mundo era dos investidores e negociantes. Mesmo assim, a fama do clube garantia muito dinheiro para seu proprietário e muita discrição para os sócios.

A fachada de mármore, composta por colunas imponentes, lembrava uma obra romana. Agatha se deslumbrou por um momento, enquanto o marido a conduzia com relativa indiferença. Ele já estivera ali tantas vezes que não se importava mais com a magnitude do lugar.

— Bem vindo, Lorde McFadden.

Um empregado do clube os recebeu já dentro do hall de entrada. Edward entregou a cartola a ele. Depois, ajudou a esposa a tirar a capa. Demorou dois segundos olhando para ela e suspirou.

Um Conde para Curar meu CoraçãoWhere stories live. Discover now