Capítulo 15

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A escuridão não era nem silenciosa nem fria. Fazia muito calor e Agatha conseguia ouvir todos os ruídos de uma cidade grande. Era como Londres, porém mais barulhenta. Ela estava de olhos abertos porém não via nada. De repente, uma dor excruciante fez com que ela caísse ao chão. Um líquido morno e viscoso saía do meio das pernas dela. Ela tentou se arrastar pelo lugar e seu corpo não se movia. O ruído ficou mais alto.

Ela então gritou. Chamou por ajuda, mas ninguém apareceu. Gritou mais alto, não conseguiu ouvir a própria voz. Estava desesperada, sentindo o sangue esvair de dentro de si quando foi resgatada. Continuava escuro demais, mas Agatha sabia que estava sendo carregada por alguém. Sentia as mãos fortes ao seu redor. Sua cabeça repousou na maciez firme de um peito masculino. Não temeu o estranho que a confortava, apenas aproveitou o alento que seus braços lhe causavam.

— Vai ficar tudo bem. Shhh.

A voz murmurava em seu ouvido, e ecoou suave até que ela adormeceu novamente.

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Agatha não passou bem a noite. Ela quase não dormiu, rolando pela cama e tendo pesadelos. Cenas do período em que esteve nas Américas a assombraram. A figura brilhante de Edward a assombrou. Ela teve medo do passado recente, teve medo do futuro. Quando a exaustão fez com que sucumbisse, ela apagou. Só foi despertar quando um barulho alto do lado de fora estremeceu o quarto.

Aquela era Londres. O "lado de fora" era sempre ruidoso demais, mesmo que eles estivessem em Mayfair. Sentindo o corpo ainda cansado e a cabeça dolorida, Agatha se levantou e chamou uma criada para ajudá-la a se banhar e se vestir. A McFadden Garden tinha uma casa de banho completa que atendia apenas ao conde e que, naquele momento, estava vazia.

A jovem dama se enfiou na água morna até o pescoço, temendo que o banheiro fosse invadido a qualquer tempo. Ela não fazia ainda ideia da hora.

Milady, aonde a senhora deseja tomar seu desjejum? — A criada perguntou, ajudando-a a lavar os cabelos.

— Aonde o conde constuma tomar o dele?

A pergunta não era incomum, principalmente porque eram recém casados. A criada compreenderia que ela queria ficar perto do marido quando, na verdade, era o contrário.

— Lorde McFadden costuma fazer as refeições no salão principal, milady. Mas ele não está em casa, ele já saiu.

Agatha fingiu surpresa.

— Ah. Mas eu também farei meu desjejum no salão.

— Mandarei servirem.

A criada levantou e pediu autorização para sair. A dama preferia mesmo terminar seu banho sozinha, mesmo que ela não conseguisse se vestir adequadamente sem ajuda. Para sua sorte, quando retornou ao quarto encontrou Moira esperando por ela.

Mesmo que tivesse solicitado a presença de sua camareira pessoal, Agatha imaginou que teria que esperar mais. Ficou sinceramente feliz ao ver um rosto conhecido e acabou demonstrando entusiasmo demais ao abraçar a criada. Aquele era um comportamento típico dos Trowsdale. Casar-se com um McFadden não faria com que ela mudasse sua atitude.

— Depois que eu comer alguma coisa, precisamos sair. — Agatha disse, sentada à frente de um espelho. Moira estava arrumando seus cabelos em um coque sobre a cabeça. — Preciso de vestidos novos. Desde que voltei não comprei nada ainda e não sei nem mesmo como está a moda em Londres. Não posso desfilar em trapos.

— Certamente que não, milady. A senhora é uma condessa, agora.

Ela sorriu, mesmo que isso não fosse planejado. Não queria se sentir feliz pelo ocorrido, não sentia nada além de confusão e dor de cabeça. Mas sorriu.

Um Conde para Curar meu CoraçãoWhere stories live. Discover now