Capítulo 07

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Fechada no salão de chá com a cunhada, Agatha rodava em círculos pelo lugar. Talvez ficasse tonta, mas qualquer coisa era melhor do que a sensação de não ter saída. De estar em uma posição de não poder escolher.

— Espero que essa conversa não seja para me convencer a aceitar a absurda proposta de me casar com Edward.

— Não pretendo convencê-la. — Elizabeth serviu uma xícara de chá. O bule ainda estava quente, as demas tinham acabado de sair. O jantar seria servido em quinze minutos e elas precisavam se apressar. — Sei que fará a coisa certa. Pretendo apresentar a você as opções.

— Eu tenho opções? Meu irmão deu a entender que não.

— Seu irmão é... seu irmão. Um duque. Ele acredita que tem uma autoridade infinita. Mas ele tem muita sabedoria, Agatha. — Elizabeth sentou-se no sofá e indicou que a jovem dama deveria sentar ao lado dela. — Você e Edward... quer me explicar?

— Não. Eu não sei o que houve.

— Até uma virgem como você sabe o que é um beijo.

Agatha engoliu e sentiu a boca seca. Aceitou o chá que lhe fora oferecido e sentou. Claro que ela sabia o que era um beijo. Sobre a virgindade... era melhor que ninguém soubesse dos segredos sobre o que acontecera nas Américas.

— Sei que nos beijamos. Não entendo como. Nem por quê.

— Tenho uma teoria, mas prefiro esperar para falar sobre ela. De qualquer forma, minha querida, você foi comprometida. Lady Madeline é uma jovem cheia de rancor que arruinou sua reputação. Ela não vai parar enquanto não fizer o mesmo com você. Casar-se com o conde é a melhor solução, ou você nunca mais se casará com nenhum homem respeitável.

— Não queria mesmo casar.

— Claro que queria. — Elizabeth passou as mãos pelos cabelos da lady, ajeitando alguns cachos caídos. — E tenho certeza que o conde será um marido muito bom. Ele é atencioso, zeloso, respeitável, rico e tem uma aparência ótima.

O estômago de Agatha doeu e ela ficou sem saber se era fome ou a simples menção aos dotes físicos de Edward.

— Nada disso importa. De todas as pessoas, você e Aiden deveriam entender que...

— Eu entendo. — Elizabeth não a deixou continuar. — Por isso disse que você tem escolha. Se disser que não se casará com Edward, eu convencerei seu irmão. Mas você arcará com as consequências disso. Entende quais são?

Reputação arruinada. Jamais conseguir um marido decente. Ser excluída dos círculos sociais aos quais estava acostumada. Agatha tinha uma vaga noção do quanto sofria uma dama da sociedade que fora comprometida por um homem. Já Edward não sofreria qualquer censura. Aquilo era injusto.

Ao mesmo tempo que ela tinha plena certeza que não queria se casar com o conde, considerou se a oportunidade não fosse uma interferência do destino para lhe oferecer algum conforto. Ela poderia colocar regras rígidas de contato físico com o marido e acabaria com uma posição confortável. Edward teria as amantes que quisesse, ela teria paz e manteria sua vida social. Ele conseguiria uma esposa de estirpe, ela conseguiria um marido de conveniência.

Tudo dependeria dele não descobrir que ela já fora violada. E Edward certamente descobriria quando ela não sangrasse na noite de núpcias. O que Agatha poderia fazer para evitar uma anulação e uma vergonha ainda maior, ela não sabia. Ainda. Mas uma ideia lhe ocorreria. Naquele momento, aceitar uma proposta de casamento seria vantajoso. Ela enrolaria com um noivado longo e talvez eles até rompessem, quando o conde entendesse que tinha feito bobagem em fazer aquela proposta.

— Tudo bem. Eu aceitarei. Vamos avisar aos homens que nosso noivado será anunciado essa noite e que o beijo fora apenas um episódio de excessiva demonstração de carinho. Edward estava com muitas saudades e, em razão do meu retorno, não se conteve.

Elizabeth sorriu e se levantou, com alguma dificuldade. A barriga pesando e dificultando-a a encontrar seu centro. Quando abriram a porta, Edward McFadden estava ali, esperando. Ele deu o braço para que a duquesa se apoiasse.

— Temos um noivado a anunciar. — Agatha rosnou.

— Certo. Seu irmão fará isso. Ele está levando os convidados para a sala de jantar, eu vim buscá-las.

O conde ofereceu o braço a ela, também. Agatha hesitou mas segurou-o na dobra do cotovelo. Ele estava quente e era macio. Mesmo com a luva e as camadas de tecido que o cobriam, ela sentia a tensão dos músculos do antebraço dele. Firmes. Ela se lembrava que o corpo de Edward era todo definido por exercícios físicos mas era a primeira vez que tocá-lo despertava nela qualquer coisa.

Deus me ajude, ela pensou em silêncio. Sabia que já cometera vários pecados em nome de seu coração, talvez aquele fosse seu castigo.

 Sabia que já cometera vários pecados em nome de seu coração, talvez aquele fosse seu castigo

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Um capítulo curtinho para o domingão. Agatha decidiu que casar pode ser uma boa ideia, mas ela está esquecendo um monte de coisas - inclusive que ela está atraída pelo futuro marido. 

Em breve saberemos mais sobre esse mistério da viagem para as Américas e qual será a ideia brilhante da lady para se esquivar do marido depois de casar.

Um Conde para Curar meu CoraçãoWhere stories live. Discover now