Capítulo 05

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Alguém falou em escândalo?

Todas as forças da Natureza gritavam que ele não deveria fazer aquilo

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Todas as forças da Natureza gritavam que ele não deveria fazer aquilo. Vá embora daí, Edward McFadden. Não adianta discutir com ela, você sempre perde. Apenas volte para os negócios.

Mas ele não ouviu as vozes que tentavam afastá-lo. A estranha sensação que teve ao vê-la descer as escadas lhe surpreendeu. Meses atrás, Edward se lembrava de ter acompanhado o amigo duque até o porto para despedir-se da irmã mais nova. Uma jovem impertinente que provavelmente seria devolvida pelos americanos em poucas semanas. Ela se foi como uma garota magra demais, uma pilha de ossos ambulantes, ornamentada com laços e flores em excesso.

E então ela voltou, tendo ficado tempo demais no outro continente. Edward não sentira falta dela até vê-la outra vez. Agatha não era mais uma menina aborrecida que insistia em descumprir todas as regras da sociedade, ela tinha se tornado uma mulher. Estava encorpada, com os olhos mais vibrantes e os cabelos mais brilhantes. Não usava flores ou laços, mas a simplicidade da seda e do veludo com cores sóbrias que a deixavam com um aspecto maduro.

O conde não deveria enxergar a irmã do seu melhor amigo como uma mulher. Ela era, no máximo, uma dama que ele respeitava e por cuja honra zelava. Da mesma forma que Aiden cuidaria de Wilhelmina se fosse preciso, Edward deveria ser o porto seguro de Agatha.

O que ele estava fazendo ali, então? Sentado com ela em uma parte remota do jardim, tocando-a na face com uma mão sem luvas?

— Você está chorando, Agatha?

Ele tinha que saber. Mesmo que ela tentasse manter a mesma altivez de sempre, a luz peculiar que brilhava dentro de Agatha estava apagada. Ela estava mais linda, uma mulher de curvas e formas desejáveis, mas seu interior parecia vazio.

— O que houve nessa viagem que te deixou assim?

Quando ela se virou para ele, havia confusão e fúria nos olhos verdes. Ao mesmo tempo que ela parecia ansiar por ser protegida e entendida, ela o estava mandando embora. Vá, Edward. A voz ignorada continuava dando ordens que não seriam cumpridas.

— Nada que seja da conta de ninguém.

— Você era tão intrigante, sempre desafiadora, nunca media palavras para falar com as pessoas. Isso ainda está aqui em você, mas é como se você estivesse interpretando um papel. Eu olho para você e vejo um pedido de ajuda.

— Não seja ridículo, milorde.

Ela quis virar o rosto, ele não deixou. Os dedos dele não pararam de tocá-la. Ao contrário, Edward acariciou-a com o polegar e permitiu que sua mão se acomodasse de forma a segurar a face de Agatha nas mãos. Ela não o repeliu, apenas permaneceu encarando-o com ferocidade e... ele podia apostar que era desejo.

Seus olhos vagaram brevemente para o pescoço dela, descendo para o colo despido, onde repousava uma gargantilha de diamantes. A renda do vestido fazia sombra sobre o decote, que subia e descia na respiração acelerada dela. Edward voltou a encará-la e seu corpo assumiu uma proatividade que ignorou a razão. Sem perceber como, ele se pegou baixando a cabeça e levando sua boca até a dela.

Não que ele pretendesse beijar alguém. Menos ainda, ele não pretendia beijar Agatha. Mas a visão da boca dela, rosada como um morango e entreaberta na busca por ar, fizeram com que todo o uísque que bebera durante o dia assumisse o controle. Ela hesitou por dois segundos e agarrou a lapela do casaco dele, puxando-o para mais perto. O beijo, que iniciou como um toque de lábios, ficou intenso. Edward pressionou a boca contra a dela, forçou sua língua até penetrá-la sutilmente e surpreendeu-se ao perceber que ela era mais experiente do que sua aparente ingenuidade sugeria.

Os corpos se aproximaram. As camadas de saias da lady estavam por sobre as pernas dele, o joelho dela perigosamente próximo de uma zona muito sensível. Edward abafou um gemido e enfiou os dedos por entre os cabelos dela, desalinhando-os. Nenhum dos dois estava nas posses de suas faculdades mentais plenas. Entregues ao momento, não perceberam as vozes que aumentavam a cada segundo. Também não ouviram o ruído da porta de metal e vidro se abrindo. E não notaram que o jardim foi ocupado por outras pessoas, que não deveriam pegá-los naquela situação.

— Oh.

Um ganido agudo despertou Edward do transe e ele levantou a cabeça para ver de onde ele vinha. Seus olhos azuis capturaram as figuras assombradas de Lady Madeline, Lady Sarah e Lorde Brandon com sua esposa. Em um impulso, ele puxou Agatha contra seu peito e ela enfiou a face por dentro do casaco dele.

— Parece que interrompemos algo importante. — Lorde Brandon pigarreou e comentou, fazendo com que a esposa virasse para o outro lado. — Vamos ver se há outro lugar da casa em que possamos ver as constelações, senhoritas.

As quatro pessoas saíram do jardim da mesma forma que entraram, sem dizer mais nada. O coração de Edward estava disparado e ele mal conseguia respirar. Aquela era uma situação totalmente fora do seu controle. Depois que a noiva decidira terminar com ele por uma maldita carta, nada mais esteve em seu controle. E o olhar que Lady Madeline lhe dedicou quando saía indicava que ela não mediria esforços para fazer a fofoca circular o mais rápido que pudesse. 

Agora ferrou

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Agora ferrou.

Um Conde para Curar meu CoraçãoWhere stories live. Discover now