Dezembro X

23 12 2

— Você está bem?

— Estou.

— Mas está bem mesmo?

— Estou, Renan! Já disse!

Ele franze a testa e me entrega um espetinho de frango — única coisa que conseguimos pegar com facilidade na mesa do primeiro andar do salão antes de sair de lá.

Vagueamos sem rumo pelo gramado do clube, tomando cuidado pra não encontrar mais ninguém conhecido, mas a noite não vai permitir que o esbarrão do Carlos e a conversa com a minha mãe sejam minhas únicas lembranças do Reveillon.

Porque nós avistamos o Luiz Eduardo e a Maria Eduarda logo depois, com seus familiares. Os dois estão, aparentemente, sem seus respectivos pares românticos, e não parecem de muito bom humor mesmo de longe.

Renan e eu comemos nosso espetinho, bebemos nosso refrigerante e deixamos um garçom levar nossas taças de volta antes de pensarmos em cumprimenta-los, mas o Luiz nos vê primeiro e, num movimento que me surpreende muito, ele abre um sorriso enorme na nossa direção, junta as palmas das mãos na frente do peito e praticamente grita:

— RENAN! DANIEL! QUE BOM VER VOCÊS AQUI!

É claro que a gente se entreolha completamente confuso.

— OLHA, MÃE, NÃO PRECISA SE PREOCUPAR COMIGO, PORQUE JÁ TENHO COMPANHIA! E O HUMBERTO JÁ TÁ CHEGANDO, NÉ, MARIA?

— É-É! — a Maria gagueja e é arrastada pelo amigo.

— ENTÃO NOS VEMOS MAIS TARDE! BOA NOITE PRA VOCÊS! TCHAUZINHO!

Quando menos percebo, Luiz Eduardo já está do nosso lado, cochichando, pedindo quase que de joelhos que pra sairmos dali imediatamente. Ele anda tão depressa na direção contrária que, mesmo tendo trotado por menos de 5 minutos, nós estamos quase sem fôlego quando a Maria agarra o braço dele e pede pra que ele pare de correr.

— Pelo amor de Deus, Luiz! — ela ofega. — Eu não quero ficar toda suada! O Beto nem me viu ainda! Imagina se essa maquiagem toda sai antes?!

Ela está sinceramente muito bonita, de vestido vermelho na altura dos joelhos, rodado, parecendo uma boneca. Os cabelos curtos escuros têm mechas em tons diferentes de vermelho também, e a maquiagem! Eu quase não vi a Maria de maquiagem, mas ela está mesmo muito, muito...

— Você tá linda! — Renan fala, espontâneo, e deixa ela sem graça. Eu sorrio.

Luiz revira os olhos e empurra os cabelos pra trás. O gesto me faz reparar em uma outra coisa que até então eu nunca tinha visto: um brilho na sua mão direita, no dedo anelar... Um anel prateado.

Um anel de compromisso.

— O quê que tá pegando? — Renan finalmente esboça nossa confusão.

Luiz revira os olhos de novo.

— Eu não aguento mais ficar servindo de vela pra minha mãe e o namorado dela! Ainda mais no Ano Novo!

— Dramático. — Maria já está com os dedos trabalhando na tela do celular. — Agora mesmo o William tá aí e você nem precisava fazer todo esse escândalo.

Ele se vira pra ela, ultrajado:

— Você bem sabe que ele vai demorar horrores por causa do Weverton e da Marcela! E o Will não tem a menor noção de tempo! É bem capaz dele chegar aqui quando os fogos já tiverem explodindo!

Maria solta uma risadia.

— Seria um déjà vu bonitinho.

Vejo o rosto do Luiz ficar vermelho instantaneamente e, mesmo irritado, ele não a contradiz. Eu não sei bem do que estão falando, nem o Renan, então só ficamos ali, parados, vendo os dois se bicarem e se amarem do jeito que sempre foi.

Aprendendo a Gostar de Você {Aprendendo III}Onde as histórias ganham vida. Descobre agora