Capítulo 03

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A casa de jogos de Elliot Riderhood era a melhor de Londres. Se um cavalheiro procurasse bebidas extravagantes e muita depravação, não havia outro lugar para onde ele deveria ir. O proprietário se orgulhava de servir os melhores uísques escoceses, o melhor conhaque e o mais respeitável bourbon. Também tinha os mais honestos crupiês e as mais lindas e higiênicas damas. Era motivo de honra para Riderhood que ninguém pegasse uma doença venérea em seu estabelecimento.

Aquele vinha sendo o lugar favorito de Edward McFadden desde que fora abandonado pela noiva. Ele jogava até ganhar o suficiente, ou perdia até esvaziar os bolsos. Bebia até perder parcialmente os sentidos e, de vez em quando, se servia das prostitutas. Muitas das vezes ele pagava para reclamar delas, para dizer que mulheres eram cobras venenosas e para ofender o gênero feminino. Elas ouviam sem questionar. E ele pagava mais para que elas questionassem, para que brigassem com ele e ele pudesse brigar com elas.

Naquela noite, Edward já tinha bebido bastante e perdido libras demais quando fora resgatado por Lorde Isaac. O irmão o interceptou na mesa de vinte e um e cancelou a aposta que ele acabara de fazer.

— Você não pode me interromper, Isaac. — Edward protestou. — Riderhood vai chutar sua bunda daqui.

— Quem você acha que mandou me chamar?

O jovem lorde ergueu o irmão, colocando-se debaixo do ombro dele, e o afastou da mesa.

— Riderhood é um idiota. Ele deveria querer que eu perdesse minhas tripas nessas mesas.

— Até um idiota tem moral.

O proprietário da casa de jogos interpelou os homens. Era visível a dificuldade que Isaac, mais magro e jovem do que Edward, tinha para carregar o irmão.

— Pode levá-lo para um dos quartos, se quiser. — Riderhood ofereceu. — Garanto que ninguém irá importuná-lo até amanhã.

— Agradeço a oferta, Sr. Riderhood, mas consigo levá-lo para casa. Edward precisa se recompor, essas não são atitudes de homens na posição dele.

— Concordo, mas aqui todos perdem a linha. Seu irmão vem sofrendo de coração partido, não será fácil remendá-lo.

— Não entendo os motivos de tanto sofrimento. — Lorde Isaac apoiou-se em uma pilastra. — Meu irmão nem mesmo amava Bridget.

— Orgulho ferido, coração partido, quem se importa? — Edward esbravejou, com uma voz embriagada. — Aquela vagabunda me iludiu, me humilhou e nem mesmo posso desafiá-la para um duelo.

Lorde Isaac e Riderhood se olharam. A comunicação muda sugeriu que eles entendiam que não era possível argumentar com o homem embriagado. Aquele vinha sendo o comportamento deplorável do conde desde a ruptura do noivado, e era o irmão que garantia que os escândalos fossem abafados.

Se a sociedade soubesse, não faria muita diferença. Homens raramente eram julgados por seus deslizes de conduta. Mas as fofocas dificultariam para Edward conseguir uma esposa, além de aumentarem a humilhação que ele já vinha sofrendo. A melhor coisa era esconder a bebedeira e depravação moral do conde e fingir que nada acontecia.

— Sabe quem retornou para Londres, Ed? — Lorde Isaac tentou puxar uma conversa racional com o irmão para impedi-lo de adormecer. Estavam dentro da carruagem, a caminho de McFadden Gardens.

— Não faço ideia, nem me interessa.

— Creio que interesse, sim. Lady Agatha Trowsdale.

O conde ergueu o olhar e encarou o irmão. A expressão vencedora de Lorde Isaac era insuportável. Aquele sempre fora um assunto que atiçara a atenção de Edward, mesmo que ele negasse veementemente qualquer interesse na jovem Trowsdale.

Um Conde para Curar meu CoraçãoWhere stories live. Discover now