Capítulo 64

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O rebuliço na casa do Conde de Cornwall não foi proposital. Aiden não queria causar nenhum problema para o amigo nem comprometer a sua posição na sociedade, mas calhou de Elizabeth estar na casa de Edward quando ele precisava pedi-la em casamento. Não havia outra forma de recuperá-la. Ele precisava oferecer a ela o que ela precisava.

Segurança. Amor. Uma família.

Mesmo que ele tivesse medo de não conseguir ser o marido que ela merecesse, ele era egoísta a ponto de arriscar.

Edward ofereceu-lhes uma carruagem para irem até Thanet Bay. Durante o trajeto os meninos estavam curiosos com o anel no dedo da mãe e com o retorno à mansão ducal.

— Vamos morar lá, agora? — Peter inquiriu, segurando a mão da mãe. — Esse presente veio de uma fada?

— Não, meu jovem. Esse é o presente que um homem dá a uma mulher quando ele a ama muito e quer tomá-la como esposa.

— O senhor ama minha mãe? — Patrick o encarou de forma inquisitiva.

— Sim, eu amo. E nós vamos nos casar.

— O senhor vai ser meu pai? — Foi a vez de Peter se virar para o duque. Com a demora em receber uma resposta satisfatória, o menino pulou para o lado dele na carruagem e se sentou.

— Eu cuidarei de vocês como um pai cuida dos próprios filhos. Vocês acham isso uma boa ideia? Gostariam que sua mãe se tornasse a Duquesa de Shaftesbury?

— Mamãe sempre foi uma dama. — Peter subiu no colo de Aiden. O duque não sabia muito bem como agir com crianças. Elizabeth deu uma risada e um olhar encorajador. Não parecia tão complicado, ele tinha memórias de como o pai lidava com ele. Aiden era curioso e intrometido como aquele pequeno moleque. — Ela vai ficar muito bem de duquesa. Mas... e a outra duquesa? Ela não vai ficar triste?

— Não, ela não vai. Ela está em um lugar muito divertido, não terá tempo para se preocupar com isso.

Até chegarem a Thanet Bay, Patrick também já estava sentado ao lado do duque. Os homens conversavam sobre cavalos quando a carruagem estacionou na entrada principal. A partir daquele momento, Elizabeth nunca mais entraria pela porta dos fundos. Uma aglomeração de criados aguardava para recebê-los. Agatha estava entre eles.

A irmã respirou aliviada e colocou a mão no peito quando viu o duque descer segurando a mão de Elizabeth. Os meninos correram para dentro da casa.

— Seja bem vinda novamente, Sra. Collingworth.

— Amanhã ela será a sua duquesa, John. — Aiden entregou o casaco ao mordomo. Ele não estava usando um chapéu, fora descontrolado até Greenwood Park e não se cuidou de vestir adequadamente.

— Amanhã?

Tanto Elizabeth quanto Agatha falaram ao mesmo tempo. A jovem dama segurou a mão da sua futura cunhada para olhar o anel.

— Por que a pressa? — Elizabeth questionou. — Pensei que os nobres se casassem na Igreja de São Jorge, com pompa e toda a realeza convidada.

— Sim, os nobres se casam assim. É o que você quer?

— Há opções? — Ela riu.

— Meu amor, você será a Duquesa de Shaftesbury. Comece a se acostumar, opções não vão faltar. Podemos nos casar amanhã, na vila, ou na São Jorge com todo o luxo que você merece.

— Vamos fazer as duas coisas. — Agatha se intrometeu. — Vocês se casam logo, porque eu não aguento mais esses desencontros. Antes que algo mais aconteça para separá-los, casem-se. Aos olhos de Deus e da Rainha, sejam marido e mulher. Depois, fazemos uma cerimônia em São Jorge. O que acham?

Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora